Os Juros da Expiação | Por Henrique Morrone

Última edição em maio 29, 2026, 01:58

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juros87283

Bolacha ao alto.

Partilha.

Os sacerdotes escoam como água doce.

Escapam do mar de gente. Cansados das braçadas contra a corrente.

Os pecados se reproduzem.

Como vinho em mesa farta.

A profanação assume contornos de mal.

Inflação.

No púlpito, o padre retorna evocando cânticos monetaristas.

Fala em prudência.

Responsabilidade.

A liturgia não perece.

Ao fundo, o chicote repousa.

Encena sua retomada.

A política monetária surge, então, penitenciando a economia das almas que entram e saem da sacristia.

A pressão sobe.

O emprego se contorce.

Ainda assim, o sofrimento conduz à purificação.

Altivo, o sacerdote promete estabilidade pela dor.

O bem, através do mal administrado dos juros elevados.

As regras são claras.

O paraíso exige expiação.


Foto de capa: Reprodução

Sobre o autor

Homem de barba sorrindo ao ar livre
Henrique Morrone
Professor UFRGS.

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