Artigo

Fraport – Capitalismo Amoral, Selvagem e Desonesto

Destaque

Fraport – Capitalismo Amoral, Selvagem e Desonesto
RED

Por Adeli Sell* É muito pouco dizer que a empresa concessionária do Aeroporto Salgado Filho é parte do capitalismo amoral, selvagem e desonesto. Quando leio que "acionistas cobram explicações da Fraport antes de 'socializar custos' é um de uma violência contra o povo do Rio Grande do Sul sem limites. Estive na entrada do Salgado Filho para expressar nas redes sociais a minha indignação, como a do povo rio-grandense. Não só contra esta postura bárbara da direção da Fraport como de seus acionistas, entre eles o Estado de Hesse com 31% das ações e 20% da holding de serviços públicos de Frankfurt, casualmente a capital daquele estado alemão. Também expressei minha revolta contra as atitudes dos arrozeiros gaúchos que sabiam que os moradores do Sarandi e do Humaitá estavam debaixo d ' água; porém, optaram por "ajudar a bombear água do aeroporto": atitude amoral ao extremo. Há uma palavra em nossa língua que bem descreve esta gente: escumalha! E que este adjetivo se espraie pelo Rio Grande do Sul afora. Fala-se em "reabrir" o aeroporto na segunda quinzena. A direção diz que o "aeroporto não é seu", que é do governo brasileiro, que em Frankfurt - um dos maiores do mundo - é deles. O primeiro jogo deles é que além dos 25 anos de concessão querem mais 20 anos. Ou seja, ficar lucrando 45 anos de um aeroporto que foi construído por recursos nossos. A Fraport sabia da situação geológica do aeroporto, está no contrato. Ou seja, ela declarou por escrito que tinha ciência dos riscos de força maior. Ela tem uma apólice milionária de seguros. Ou seja, tem seguro! Neste tem os elementos de casos fortuitos e força maior. Na apólice tem escrito quatro vezes a palavra "enchente". Lênin escreveu o clássico: "Capitalismo, estágio superior do capitalismo". Muito se gastou de tinta e tempo discutindo o seu conceito, o capitalismo malévolo internacionalizado. Mas ele não tinha bola de cristal para adivinhar que Stálin mataria seus camaradas, inauguraria um Estado totalitário, que Hitler mataria seis milhões de judeus, que haveria mais uma Guerra Mundial, que teríamos uma respirada com o Estado de bem-estar social e aí, o terror, mais uma vez do neoliberalismo, uma espécie de imperialismo recauchutado, bem pior do que Lênin poderia imaginar. Eis a questão! Por isso, ou nós nos levantamos, gritamos aos quatro ventos que são "feios, sujos e malvados", ou melhor, escumalha da sociedade capitalista amoral, selvagem e desonesta! ou seremos massacrados pela voracidade do Capital e pelos efeitos climáticos do aquecimento global, que eles proporcionam com sua ganância. Eis a questão: aceitar ou repudiar. Olhar ou lutar. Só há uma solução: LUTAR! *Professor, escritor, bacharel em Direito e vereador do PT em Porto Alegre Foto: Porto Alegre (RS), 25/05/2024 - Aeroporto Salgado Filho (POA) alagado pelas enchentes que atinge o estado: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Artigo

O DESBUNDE DA PLAENGE

Destaque

O DESBUNDE DA PLAENGE
RED

por Solon Saldanha* Um funcionário da Plaenge, construtora e incorporadora que tem sede no Paraná e está edificando dois edifícios de alto padrão no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, arriou suas calças e mostrou a bunda para moradores próximos de um destes empreendimentos, que protestavam contra o corte de um guapuruvu em terreno onde a obra está sendo feita. Além de submeter as pessoas a uma visão realmente dantesca, ele também arrancou os cartazes que estas haviam colado nos tapumes buscando que houvesse sensibilização suficiente para que desistissem da medida. Segundo os moradores, a posição onde a árvore se encontrava em nada atrapalhava o trabalho, sendo possível imaginar que a sua preservação poderia ser garantida, se existisse um mínimo de boa vontade. Além disso, eles pontuaram que o guapuruvu era “uma das maiores e mais bonitas árvores ainda existentes em Porto Alegre”. Também afirmaram que ele era saudável e ficava florido na primavera, embelezando o local. Nos dias que antecederam a derrubada, pelo menos 52 registros de posição contrária à decisão foram postados no Instagram da empresa. Nas respostas, esta afirmou que a ação teria como objetivo “mitigar danos ao muro de divisa e às edificações lindeiras”, o que não deu para entender, uma vez que os vizinhos já estavam lá há muitos anos, em um convívio harmonioso com a espécie vegetal. O guapuruvu é uma árvore nativa que se encontra nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Adulta, atinge de 20 a 30 metros de altura, com seu tronco ficando com 60 a 80 centímetros de diâmetro na altura do peito. Quando utilizada em plantio para recuperação de áreas degradas, ele vive em torno de 40 a 50 anos. Mas, em ocorrências naturais chegam a 70 anos ou mais. Se lê em publicações especializadas uma descrição que aponta para ter “flores grandes, vistosas, amarelas. Tronco elegante, majestoso, cilíndrico e reto, casca de cor cinzenta característica. E floração nos meses de outubro, novembro e dezembro”. Como curiosidade, é a árvore símbolo de Florianópolis, a capital de Santa Catarina. Por lá existe, por exemplo, grande presença sua na Costa da Lagoa da Conceição. Em todo o litoral ainda se encontram canoas antigas feitas com sua madeira, que é leve e resistente. Desbundar foi um verbo muito utilizado durante os anos 60 e 70 e tinha vários significados. Um deles seria o de adotar um estilo de vida nada convencional aos costumes, valores e ideias vigentes. Mas, também servia para apontar comportamento libertino; causar impacto; proceder de forma atípica; ser deslumbrado; ou ainda perder o controle de si sob efeito de álcool ou de drogas. O tal funcionário não estava nem bêbado, nem drogado. Talvez se possa identificar sua ação desrespeitosa como sendo decorrente daquela sensação trazida pelos “pequenos poderes” sugeridos por Michel Foucault. Afinal, naquele momento ele se sentia com autoridade suficiente para rasgar clamores impressos e silenciar os protestos não os considerando. Ou, ainda, queria apenas agradar seus patrões. Que, aliás, até agora não se pronunciaram pedindo desculpas a quem teve que suportar, além da dor pela perda do guapuruvu, aquele traseiro diante dos seus olhos. E, uma curiosidade para se concluir: a julgar pelo que está escrito nos tapumes, o nome do condomínio que começa a ser construído será Verdant. Traduzindo para o português – as construtoras todas adoram colocar nomes estrangeiros nos prédios –, é Verdejante. Pois iniciaram se desmentindo, ao colocar abaixo um dos símbolos verdes do bairro.   Publicado originalmente no Blog Virtualidades O DESBUNDE DA PLAENGE – Virtualidades *Jornalista Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Artigo

GRANDE DESAFIO III

Destaque

GRANDE DESAFIO III
RED

De NAIA OLIVEIRA* Nos textos I e II, publicados anteriormente, procurei introduzir uma reflexão sobre a crise socioambiental a nível mundial, desde as primeiras manifestações da Organização das Nações Unidas (ONU) até as circunstâncias específicas dos eventos extremos ocorridos atualmente no Rio Grande do Sul. No III, que ora apresento, busco a compreensão do impacto do desastre no contexto específico das sociedades em geral e em específico da gaúcha. Encontramos na sociologia como conceito de desastre os fenômenos socioambientais que desorganizam e reorganizam a vida social. Atingem o plano concreto e simbólico dos envolvidos, ocasionando perdas humanas, materiais e mudanças nos padrões de sociabilidade. No caso do desastre de maio de 2024, as gestões da prefeitura da capital e do governo do estado não apresentavam políticas institucionais preventivas, muito embora fosse a terceira inundação em nove meses e muitos avisos de técnicos e estudiosos pediam medidas no mínimo preparativas. Depois de mais de um mês as respostas são ineficazes e insuficientes, como por exemplo a do tratamento dos resíduos, ou seja do lixo. Podemos observar desdobramentos na injustiça ambiental, nos vieses de classe, étnico-racial, gênero e geracional que são retratados no território e na reterritorialização da organização ou desorganização social advindas das relações de poder. O desastre escancara a desigualdade social e a exclusividade da assistência mostra a indiferença com a justiça social. A expropriação do território é a negação da cidadania, e quando da área de risco passa para o abrigo temporário, permanece uma territorialidade precária. No caso referido esses abrigos provisórios foram iniciativa em geral da sociedade, sem a participação dos gestores públicos. A atual situação exige mais do que um entendimento climatológico, é necessário a criação de meios de regeneração das condições ambientais, previsão e providências para garantir e possibilitar uma territorialização viável, com o direito de morar, trabalhar conviver comunitariamente, sem que temores crônicos, advindos de chuvas, vendavais, secas prolongadas, deslizamentos, erosões e afins, possam se constituir em ameaça. A manutenção da distância social seguramente é um meio eficaz para impedir a confrontação. Diferença entre ricos e pobres na territorialização aparece quando os pobres são removidos e para os ricos medidas céleres de abastecimento hídrico, instalação elétrica, drenagens, reerguimento do território. A natureza não protagoniza uma hostilização das condições de vida para um segmento da população, é o descuido com a preservação dos bens naturais e a segregação territorial que produz a injustiça socioambiental. Cabe aqui reforçar a noção de que o desastre é um fenômeno que entrelaça acontecimento físico e elaboração cultural com sérias consequências sociais aprofundando a desigualdade. É necessário apontar que a inundação de maio de 2024 em Porto Alegre atingiu alguns bairros de classe média e o colapso das comunicações, serviços de água, eletricidade, transporte atingiu todos os habitantes do município. O impacto dos desastres aparece também na saúde pública, adoecimento físico e psicossocial de grande parcela da população. É necessário contabilizar que os profissionais que lidam com emergências atingem altos níveis de estresse. Cabe uma preocupação especial ao segmento infantojuvenil, que, entre outras perdas, vê interrompida sua rotina escolar. É preocupante a vulnerabilidade dos portadores de deficiência física e mental e do extrato mais velho da população. Os ativistas da causa animal se dedicam aos resgates que incluem galinhas, porcos, cavalos, bois, vacas, gatos e cachorros. Apontam para um número incalculável de óbitos que acontecem nesses desastres, que atingem também a fauna e flora silvestre. Uma perda pouco apontada é a do solo fértil nas áreas rurais, que é levado nas enxurradas exigindo a recuperação para voltar a produzir alimento para a população. Entre a atuação dos gestores públicos no apoio à reconstrução da vida social, afetada por desastres, entre outros, envolve o processo de aprimoramento e fortalecimento de uma cultura da defesa civil. A Defesa Civil no Brasil está incluída no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), que tem atualmente o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), grupo de apoio a desastres com finalidade de fortalecer os órgãos de defesa civil locais, além da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC), pertencente ao Ministério do Desenvolvimento Regional. É multissetorial e nos três níveis de governo. Pode envolver também as Forças Armadas na sua atuação dependendo da dimensão do evento. Importante trabalhar as relações dos agentes da defesa civil com o grupo afetado, focando a cidadania participativa, no sentido de minimizar conflitos e disputas de poder desigual entre os atores sociais na cidade e no campo. É fundamental estabelecer o que podemos chamar de um diálogo de saberes, na prevenção e na reconstrução, que inclui o enfrentamento do desastre, unindo a universidade pública com seus vínculos com a sociedade, colaborando com suas pesquisas e estudos científicos. Nesse diálogo ressalto a importância da participação dos povos originários; quilombolas e comunidades tradicionais, habitantes do Pampa; bem como os ribeirinhos tão afetados nas suas atividades de pesca. Assim, unindo a ciência ao conhecimento tradicional. Incluo também os funcionários públicos comprometidos com políticas de bem-estar da população e manutenção da vida de todos os seres. No encaminhamento final desse texto quero prestar um reconhecimento à atuação do Governo Federal, pois tivemos a presença do Presidente Lula por quatro vezes no Estado, acompanhado de autoridades do Congresso, STF, Ministros, CONAB e Secretários na tarefa de tranquilizar e definir providências. Importante a criação da Secretaria Extraordinária da Presidência da República para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, com a finalidade de coordenar as ações e a articulações com Governo Estadual e Municipais. Essa Secretaria ficou ao encargo do Ministro Paulo Pimenta, que compôs a estrutura organizacional com gestores, técnicos e estudiosos competentes e comprometidos com políticas do cuidar como chama Leonardo Boff. Até 06 de junho o Governo Federal investiu R$ 85,7 bilhões no processo de reconstrução. Resumidamente estão sendo aplicados em ações para auxiliar o governo do estado e as prefeituras dos municípios atingidos, desde reconstrução de estradas, criação de hospitais de campanha, suspensão de pagamentos de dívidas, envio de profissionais, suprimentos e máquinas. As ações de auxílio às pessoas que foram atingidas diretamente e indiretamente pelo desastre, incluíram diversas medidas beneficiárias na área da educação, saúde, habitação, agricultura familiar, empresas, MEIs, autônomos e prestadores de serviços. Concluindo, ressalto que o atual desastre, que atingiu Porto Alegre e a maioria dos municípios do Rio Grande do Sul teve como um dos resultados mais comoventes a solidariedade que uniu os gaúchos, os brasileiros e até governos e pessoas de outros países. Infelizmente não é possível encontrar essa solidariedade entre os deputados da oposição da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados, pois na Audiência Pública de 11/06/2024, cujo convidado foi o Ministro Paulo Pimenta, não levantaram uma questão sobre as condições de sobrevivência das pessoas atingidas pelo desastre e suas manifestações no Parlamento envergonharam cidadãs e cidadãos brasileiros. Esse comportamento reverbera não só na Comissão, mas também aparece em vários parlamentares na Câmara, no Senado, nos governos e deputados estaduais, bem como em certos prefeitos e vereadores adeptos da prática da politicagem. Sendo assim, o desafio que se coloca é saber escolher em quem votar, urgente nas eleições de outubro de 2024 que se aproximam, elegendo para a gestão das nossas cidades pessoas capazes e comprometidas com a construção de uma política inspirada na Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum, na perspectiva da justiça socioambiental. *Socióloga e pesquisadora. Foto: Pedro Nevani/Agência Brasil As opiniões emitidas nos artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da Rede Estação Democracia.

Cultura

PROGRAMAS – DE 13 A 21 DE JUNHO

Destaque

PROGRAMAS – DE 13 A 21 DE JUNHO
RED

De LÉA MARIA AARÃO REIS* *Saúde mental e resistência na Palestina ocupada. Como é viver sob a ocupação na Palestina? Como são ouvidas as vítimas das arbitrariedades e violações perpetradas pelo Estado de Israel? Quais os impactos na saúde mental dos palestinos? A psiquiatra palestina Samah Jabr discute essas questões ao longo de trinta artigos reunidos no livro Sumud em Tempos de Genocídio. A obra introduz o conceito de sumud, termo cunhado pelos palestinos e usado desde a época em que desafiavam o mandato britânico. É a expressão de um estilo de vida voltado para a resistência. *Sumud em Tempos de Genocídio “traz um grito de esperança. Construção difícil, esse caminho que começa pelo esforço de manter a dignidade e a sanidade mental”, escreve a professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Izabel Hazin, no prefácio da obra. “Resistir não é apenas um direito e um dever, mas é também um remédio para os oprimidos e uma forma de preservar a narrativa palestina e sua cultura diante da destruição”.Pré-venda do livro até o próximo dia 18 no site da Editora Tabla. *”Estamos normalizando o horror, ou seja, o horror como o ‘normal’ no dia-a-dia”, disse o diretor de planejamento da ONU/UNRWA Sam Rose, em um relato contundente após as cinco semanas em que permaneceu em Gaza (Entrevista ao The Guardian). *Vão continuar as denúncias e a repulsa ao projeto contra o aborto apresentado de forma covarde e inusitada, e com votos de parlamentares anônimos que não têm a coragem e, no mínimo, a decência de assumir posições políticas e morais. As ruas continuarão protestando: o Brasil não é e nem nunca será uma teocracia. Restará a vergonha de um congresso com grupos de oportunistas e, repetindo, de covardes. *A escritora palestina Adania Shibli não chegou a receber o prêmio concedido ao seu trabalho pela associação alemã Litprom na Feira do Livro de Frankfurt. Segundo um inacreditável comunicado da entidade, “com o conflito em Israel não há clima para comemorar”. O tema do livro de Adania, Detalhe Menor, retrata a história de uma menina palestina morta por soldados israelenses em 1949, um ano depois do começo da nakba, quando da expulsão dos palestinos de suas terras. A reação à suspensão do prêmio conferido à autora causou grande polêmica no país. O jornalista Ulrich Noller, do júri da Feira, renunciou ao seu cargo após o anúncio. *Vão continuar as denúncias e a repulsa ao projeto aborto apresentado de forma covarde e inusitada, e com votos de parlamentares anônimos que não têm a coragem e, no mínimo,a decência de assumir posições políticas e morais. As ruas continuarão protestando: o Brasil não é e nem nunca será uma teocracia. Restará a vergonha de um congresso com grupos de oportunistas e, repetindo, de covardes. *O programa é conhecer as atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, (pouco divulgadas pela mídia corporativa) organizando a Brigada Solidária de Saúde Popular em Eldorado do Sul, um dos municípios mais afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul e localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um espaço foi montado dentro da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre localizada no bairro Assentados, para oferecer orientações de saúde, atendimento médico, psicológico, receitas e medicamentos. O MST já está se organizando para expandir os atendimentos para fora dos assentamentos. *Outro programa relevante: conhecer o estudo publicado pelo Observatório do Clima que mostra o Cerrado como o bioma mais desmatado do Brasil, em 2023. Especialmente nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Desse modo, a região de Matopiba ultrapassa a Amazônia e assume a liderança do desmate no país (clique aqui). *Programa em destaque, o Festival de Ideias da Unicamp. Reunirá, no dia 20 deste mês, estudantes, pesquisadores, ativistas e lideranças políticas em debates urgentes sobre “o futuro da ordem internacional” e “o que poder e prosperidade devem significar em um mundo multipolar”, segundo a apresentação dos organizadores. *Alguns dos temas iniciais do Festival de Ideias da Unicamp, todos eles pertinentes: O Legado da Presidência brasileira no G20; Renda Básica Universal e o Futuro das Políticas Sociais no Sul Global; Neoliberalismo: Vivo, Morto ou Zumbi?; Palestina, Imperialismo e o Futuro do Direito Internacional; O Poder dos trabalhadores em uma Nova ordem Internacional. *Está chegando ao Brasil, a partir do dia 17 deste mês, o Projeto Russian Seasons com programação diversificada. Canto lírico, música, arte e folclore russo, com alguns espetáculos a preços populares e, outros, com entrada gratuita. O início será no Teatro Municipal, Rio de Janeiro, às 19h00, com concerto do cantor lírico Ildar Abdrazakov acompanhado por músicos premiados no Concurso Internacional Tchaikovsky como a mezzo-soprano Zinaida Tsarenko, o jovem pianista Sergei Davydchenko e o violinista Daniil Kogan. Paticipará dessa apresentação a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa sob a regência do maestro Denis Vlasenko. Veja Também:  Haddad, respeite a Conceição *Nos dias 24 e 25 os espetáculos estarão em São Paulo, no Teatro São Pedro, com o grupo da Vaganova Ballet Academy. No dia 25 de junho, professores dessa academia conduzirão master classes intensivas na Escola de Dança de São Paulo. No dia 26, o Russian Seasons volta ao Municipal do Rio, às 11 horas, com master classes de professores da Vaganova Ballet Academy para o grupo de balé do teatro carioca. A programação completa: @russianseasonsbrazil. *Programa cinematográfico de reconhecido prestígio, no Ceará: a 18ª edição do For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero, reconhecido internacionalmente como referência na temática LGBTI+, será de 21 a 28 deste mês, em espaços culturais de Fortaleza e em outras cidades do estado. Serão apresentados em mostras competitivas filmes documentários e de ficção, nacionais e estrangeiros, curtas e longas. Alguns deles: Capim-Navalha, Trans, Eu Não sou Ninguém, Humo Bajo El água, Orlando, Minha biografia política, The Ball e Tudo que Você Podia Ser. Sessões gratuitas. *No Mato Grosso do Sul, na cidade de Bonito, o programa é o Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano, com 30 filmes, entre os dias 19 e 27 de julho. O total da premiação dos concorrentes é de 50 mil reais.Os curtas-metragens sul-americanos sãoCamino Al Cielo, de Miguel Vargas, ficção (Colombia)/La Asistente, de Pierre Plano, ficção (Peru)/Crescer es Matar a Tu Madre, de Nika Ardito, ficção (Argentina)/Cuarto de Hora, de Nemo Arancibia, ficção (Chile)/Ayer Será Igual que Manãna, de Omar Arteaga, ficção (Venezuela). Os longas-metragens ambientais: Sekhdese (Brasil), Los de Abajo (Bolívia), La Ilusion de la Abundancia (Colômbia), Somos y Seremos Mar (Argentina), Allpamanada (Equador), e Tupungato (Chile). Outras atividades: debates sobre acordos internacionais e oficinas de roteiro, produção executiva, assistência de direção e interpretação para cinema e TV. *Programa especial: assistir o documentário Livre Pensar, de José Mariani, sobre a economista Maria da Conceição Tavares, falecida no último dia oito deste mês para grande comoção de seus alunos, discípulos, amigos, admiradores e familiares. No Canal Curta (clique aqui). *Já está nas livrarias O Indomável – João Carlos Martins entre som e silêncio, de autoria do jornalista Jamil Chade sobre João Carlos Martins comemorando o 83º aniversário do pianista, no próximo dia 25. “Acima de tudo humano, com triunfos e glórias, mas também com sombras e falhas, compõe uma obra que, como as interpretações do pianista e maestro, ficará para a eternidade”, dizem os editores (Editora Record). *Programa em destaque no Centro Municipal Helio Oiticica, Rio de Janeiro onde os artistas visuais Ricardo Siri e Deborah Engel assinam uma exposição desde a semana passada. As obras, de até cinco metros, chamam o público para interagir com as arapucas – as teias da vida cotidiana – dispostas no espaço. Cada peça é uma metáfora visual do entrelaçamento da trajetória pessoal e artística do casal e “reflete momentos de captura e liberdade, de tensão e harmonia” de ambos. Na Rua Luis de Camões, Centro do Rio, altura da Praça Tiradentes. A entrada é gratuita. *Exposição Cantos, Cores e Telas do grupo Tecnomacumba, de Rita Benneditto, pelo traço de Fernando Mendonça,artista maranhense, na reinauguração do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira/Muhcab, no Rio de Janeiro. A curadoria é do artista visual e músico Cabelo Cobra Coral. No próximo dia 30, às 15h00, zona portuária da cidade. Até 29 de julho. *Mundo louco. O programa é a recomendação/ proposta/sugestão? de interditar aos parlamentares, em Brasília, o uso de telefones celulares durante as sessões no Congresso. Mantê-los fechados em um armário como já se procede, atualmente, em muitas escolas de ensino fundamental e médio que guardam, durante as aulas, os celulares de alunos/alunas. Motivo: acabar com as selfies sessions das excelências. Enquanto o livro A Geração Ansiosa se aprofunda mais nesse tema dos nossos ‘tempos modernos’ o doc A Rede Antissocial: Dos Memes ao Caos, mais superficial, não deixa de ser instigante. Ambos são alertas sobre os perigos da cultura online tóxica e sobre a facilidade com que a desinformação e as mentiras vêm ocupando o espaço do tempo e os espaços pessoais e sociais. A internet, dizem observadores atentos, não é um espaço privado. Precisamos considerar seriamente o seu poder de influenciar o mundo real. *Netflix. Imagens Reprodução internet Os artigos expressam  o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Artigo

O maestro do caos

Destaque

O maestro do caos
RED

Jeferson Miola* Arthur Lira é o maestro do caos. É da cabeça daquele que ocupa a cadeira de presidente da Câmara dos Deputados que nascem enormes dificuldades para o governo Lula e de onde são maquinadas crises políticas permanentes. A lista de crises e impasses criados por Lira é interminável. A ofensiva começou ainda na transição, e atravessou sem trégua os 17 meses e meio do governo. No ataque mais recente, Lira liderou o fim das saídas temporárias de presos e, do nada, retomou a tramitação em regime de urgência de Projeto de Lei que invalida delações premiadas. O pacote de bombas ainda incluiu projetos de anistia a golpistas e a liberação geral da prática criminosa de disseminação de mentiras e desinformação nas redes sociais e plataformas digitais. A estratégia de Lira para reforçar seu poder e fazer avançar as pautas e os interesses da extrema-direita é bem identificada. Ele cria problemas e depois se apresenta como a solução. Atua ao mesmo tempo como incendiário e como bombeiro; promove o caos e depois conforta com a calmaria. Com este método ele reforça sua confiança perante a oposição fascista e não-fascista, e aumenta seu poder de achaque e extorsão do governo. A manobra para a tramitação em regime de urgência do PL 1904/2024, que revitimiza crianças vítimas de estupro, é ilustrativa deste comportamento maniqueísta do Lira para colocar o governo nas cordas. Um maniqueísmo político às custas do corpo das mulheres, e com requinte de crueldade e perversão em relação às crianças vítimas de estupro, que inclusive seriam condenadas, e com penas maiores que os estupradores. O projeto não faz absolutamente nenhum sentido; não há nenhuma razão para priorizá-lo na pauta de votações do Congresso. Aliás, esta iniciativa grotesca sequer poderia ter sido protocolada no Congresso, porque além de indecente e indigna como o seu autor, o fundamentalista Sóstenes Cavalcante [PL], ela é ilegal e inconstitucional. O próprio Sóstenes, aliado do Lira, confirma que o objetivo central é constranger o governo: “o presidente mandou uma carta aos evangélicos na campanha dizendo ser contra o aborto. Queremos ver se ele vai vetar. Vamos testar Lula”, afirmou. A única razão, portanto, para a urgência de votação deste PL abjeto é a prioridade estratégica da extrema-direita em desgastar Lula permanentemente com o apoio do Lira. “Há um compromisso do Arthur Lira com a Frente Evangélica de que ele pautaria” o projeto, declarou Sóstenes. Depois do incêndio provocado por ele mesmo, o Lira bombeiro então agiu para “acalmar os ânimos”. Ele sinalizou até mesmo o “favor” de escalar uma mulher para a relatoria do PL. “Uma relatora moderada” para tratar o tema “com sensibilidade”, preconizou o maestro do caos. Lira não tem compromisso com a democracia e com a institucionalidade. Ele é um artífice da ofensiva política e ideológica do extremismo e trabalha para sabotar e inviabilizar o governo. Na presidência da Câmara dos Deputados, Lira é tão atuante e funcional para a estratégia fascista-bolsonarista como é  Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central. *Jornalista **Ilustração: Aroeira   Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Artigo

Vamos cercar os defensores de estupradores

Destaque

Vamos cercar os defensores de estupradores
RED

Por Moisés Mendes* O ministro Paulo Pimenta disse na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na terça-feira, que não teme disseminadores de fake news, bandidos e milicianos. Dá para acrescentar que todos os que estão com ele também não temem defensores de estupradores. É o que o Brasil precisa dizer diante da proteção da extrema direita, em especial do fascismo dito religioso no Congresso, a quem estupra crianças. Não dá para ficar na conversa fofa com bandidos, milicianos e protetores de estupradores. Vamos entrar no ‘modo Paulo Pimenta’, porque o bolsonarismo está colocando de novo as unhas de fora, para remarcar territórios às vésperas das eleições municipais. É do que trataremos hoje na live com Maria Fernanda Passos, o OiOiOi com Mafê, na TV do Instituto Cultiva. Vamos lembrar que a turma defensora do enquadramento do aborto como homicídio é a mesma turma do sujeito que defendia publicamente o estupro de uma colega deputada. O mesmo sujeito que um dia, ainda na presidência da República, saiu atrás de uma menina venezuelana de 14 anos em Brasília, porque sentiu que havia pintado um clima. E admitiu depois que foi conferir se a menina era prostituta. Vamos lembrar que todas as iniciativas dessa turma são sempre na direção da proteção da bandidagem. Como informa O Sensacionalista em manchete: o próximo passo será substituir a pena dos estupradores por um mandato de deputado. Claro que da bancada bem religiosa. A live começa às 10h30min, e o link está logo abaixo. https://www.youtube.com/live/qAAOSchN-Ek *Jornalista **Foto: Laura Benvenuti - https://www.istockphoto.com/br/portfolio/LBatelier?mediatype=photography Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Mostrando 6 de 4620 resultados
Carregar mais