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A fala de Lula

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A fala de Lula
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De LINCOLN PENNA* O maior desafio ao capitalismo seria a extensão da democracia além de seus atuais limites extremamente reduzidos. Ellen Wood Essa sentença da historiadora norte-americana tem muito a ver com a fala do presidente Lula ao se referir à ação perpetrada pelas tropas israelenses especialmente na Faixa de Gaza, mas também no Líbano, a pretexto de responder ao ataque terrorista do grupo Hamas, por sinal condenado pelo governo brasileiro e explicitado por Lula. E reiterado por ocasião de seu último pronunciamento. Por que razão associo os dizeres que servem de epígrafe a este texto com o pronunciamento de Lula? Faço essa relação porque evoca-se muito a democracia, porém não se pratica a democracia nos meios formais da política, só quando convém aqueles pretensos donos da verdade. Se erro danoso cometeu a facção mais extremada em nome dos palestinos, erro maior tem cometido o governo pró-fascista de Netanyahu, à testa de uma coligação dominantemente reacionária e avessa à criação do Estado da Palestina. E ao assim procederem estimulam a radicalidade de grupos que se julgam capazes de representar um povo sem lugar de pertencimento. A fala de Lula não foi inconveniente como muitos a avaliam dependendo, é claro, do lugar e de quem emite tal juízo. A fala foi pronunciada em circunstâncias que devem ser consideradas. Naquele instante e no local em que se deu representou a indignação dos que entendem ser desumana a resposta dada pelo governo israelense, cujos motivos de revolta diante do ocorrido com seus concidadãos explicaria uma atitude. Por exemplo, uma ação cirúrgica visando os membros do Hamas. Ação que deveria poupar o povo palestino, sobretudo crianças, idosos, e os que se encontravam vulneráveis por diversas situações. A reação da ONU foi pífia, a despeito dos esforços de muitas das delegações com assento no Conselho de Segurança, organismo encarregado de tomar decisões diante de conflitos que ameaçam a paz mundial. Desse fórum tem feito parte a representação brasileira, que na ocasião fazia parte em rodízio desse organismo decisório para matérias dessa natureza. Em vão, os ataques à toda a extensão da Faixa de Gaza têm transcorrido com milhares de perdas humanas e o que se debate é até quando será possível conter esse genocídio. Sim, porque o que se assiste naquela região não tem outro nome. Denominem como quiser, mas é uma afronta aos valores humanitários, de modo a ser qualificado como um ato de lesa-humanidade plenamente tipificado. E por que a mídia nacional e internacional, sempre com as exceções para não fugir à regra, tem se manifestado condenando a fala de Lula? Por parte dos israelenses mais reativos às críticas muito provavelmente por causa da referência feita pelo presidente brasileiro a Hitler, comparando-o ao que tem feito Netanyahu. Poderia falar qualquer coisa que identificasse o holocausto produzido pelos nazistas de modo a ceifar milhões de judeus, mas ao pronunciar o nome do Führer do Terceiro Reich o impacto foi redimensionado e pôs à nu a democracia tão decantada pelos que a admitem silenciosa diante de tragédias, e incapaz de admitir que o direito de expressão possa via a ser exercido não importa em que contexto ele se dê. Lula é Lula nos improvisos, fora deles não se distingue totalmente de muitos dos chefes de estado mundo a fora. Todos esses presos aos scripts dos experts da diplomacia internacional. É esta diplomacia que azeita as eventuais divergências e pondera os pontos mais agudos das muitas controvérsias. Em nome da construção de consensos mínimos, um dos predicados da ação política voltado para a concertação e, portanto, para a acomodação de diferenças, trata-se de um expediente positivo nesse sentido. Todavia, um ser político não pode ficar refém desses acertos e deixar de se posicionar diante de fatos a merecer uma forte condenação. A fala de Lula é a expressão de um gemido puro, que vem do povo atento ao que se passa nesse cenário mundial tão intranquilo quanto cada vez mais armamentista, onde a paz não tem lugar permanente. Sua voz de fala contundente ecoou como uma tempestade avassaladora. A democracia reduzida repleta de porta-vozes repudia, censura e procura tirar proveito do que alguns chamam de erro imperdoável que segundos essas mesmas vozes fariam Lula perder o protagonismo que vem semeando em suas já numerosas passagens por vários países e entidades de grosso calibre. Ledo engano, são os líderes que fazem abalar convicções, para o bem ou para o mal. Que os tempos que virão transformem esse episódio em algo que nos faça rever as atitudes verdadeiramente democráticas, aquelas em que exercitemos o amplo direito ao contraditório. Qualquer aplauso ou condenação a tomadas de posição de uma liderança política faz parte das práticas democráticas, que não comportam limitações e nem tampouco controles de quem opina para atender ao bom- mocismo dos que pretendem formar a opinião pública, que para que possa ser assim designada é preciso que seja libertária a acomodar as contradições inerentes a sociedades tão diversificadas cultural quanto socialmente. A fala de Lula vai reverberar por algum tempo. Será com certeza objeto de questionamentos repetidos, incisivos e agressivos. Estes, certamente, por seus mais raivosos adversários, que preferem defini-lo como inimigo. Ficará, no entanto, como um grito de solidariedade aos povos que sofrem violência de todo tipo, que pode ser repreendido pelos cultores da política bem-comportada, mas jamais será esquecida pelos que sinceramente sofrem com a dor alheia. Isto também é democracia, aquela em que o que vale para mim vale tanto quanto para o meu semelhante. *Doutor em História Social; Conferencista Honorário do Real Gabinete Português de Leitura; Professor Aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON); Vice-presidente do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos). Foto: Ricardo Stuckert/PR. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Bolsonaro e outros investigados depõem simultaneamente à PF nesta quinta-feira (22)

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Bolsonaro e outros investigados depõem simultaneamente à PF nesta quinta-feira (22)
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Além de Jair Bolsonaro (PL), a Polícia Federal (PF) colhe o depoimento de outros investigados, nesta quinta-feira (22), por tentativa de um golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder. Os depoimentos fazem parte da operação Tempus Veritatis, deflagrada há duas semanas. Por estratégia da PF, todos investigados devem depor ao mesmo tempo, a fim de evitar que haja combinação de versões. Foram chamados para prestar depoimentos presencialmente na sede da PF, em Brasília: Jair Bolsonaro (ex-presidente) Augusto Heleno (general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional) Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) Marcelo Costa Câmara (coronel do Exército) Mário Fernandes (ex-ministro substituto da Secretaria-Geral da Presidência) Tércio Arnaud (ex-assessor de Bolsonaro) Almir Garnier (ex-comandante geral da Marinha) Valdemar Costa Neto (presidente do PL) Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) Cleverson Ney Magalhães (coronel do Exército) Walter Souza Braga Netto (ex-ministro e ex-candidato a vice na chapa de Bolsonaro) Bernardo Romão Correia Neto (coronel do Exército) Bernardo Ferreira de Araújo Júnior. Ronald Ferreira de Araújo Junior (oficial do Exército) Além disso, haverá também depoimentos em outras cidades: Rio de Janeiro: Hélio Ferreira Lima, ⁠Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, ⁠Ailton Gonçalves Moraes de Barros e ⁠Rafael Martins Oliveira; São Paulo: Amauri Feres Saad e ⁠José Eduardo de Oliveira; Paraná: Filipe Garcia Martins; Minas Gerais: Éder Balbino; Mato Grosso do Sul: Laércio Virgílio; Espírito Santo: Ângelo Martins Denicoli; Ceará: Estevam Theophilo (esse depoimento é o único marcado para sexta-feira). Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República na época que Jair Bolsonaro era o mandatário.

Geral

Daniel Alves é condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por estupro

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Daniel Alves é condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por estupro
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O tribunal de Barcelona anunciou na manhã desta quinta-feira (22) a sentença do ex-jogador da seleção brasileira Daniel Alves: 4 anos e 6 meses de prisão por estupro, por ter sido comprovado que o brasileiro agrediu e abusou da mulher no banheiro da boate Sutton, em 2022. Segundo sentença, Daniel Alves jogou a mulher no chão do banheiro de uma boate em Barcelona, imobilizou-a e penetrou sem consentimento. Além da prisão, o ex-jogador ainda terá que pagar uma indenização de mais de R$ 800 mil para a vítima e será vigiado por 5 anos após cumprir a pena. O crime de “agressão sexual” está previsto no Código Penal da Espanha e está tipificado no artigo 178: "Quem atacar a liberdade sexual de outra pessoa, recorrendo à violência ou à intimidação, será punido como responsável por agressão sexual com pena de prisão de um a cinco anos". A defesa do ex-jogador informou que vai recorrer à decisão. A apelação ainda pode ser feita em duas instâncias, no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC) e no Supremo Tribunal da Espanha. Enquanto recorrer, Daniel segue preso. A condenação de Daniel Alves foi menor do que os 9 anos de prisão solicitados pela Promotoria espanhola e dos 12 anos pedidos pela vítima. Segundo a sentença, o tribunal aplicou ao jogador de futebol uma circunstância atenuante de reparação do dano ao considerar que "antes do julgamento, a defesa depositou na conta do tribunal a quantia de 150 mil euros para ser entregue à vítima independentemente do resultado do julgamento, e esse fato expressa, segundo o tribunal, 'uma vontade reparadora'". Com isso, a pena do ex-jogador foi reduzida por conta da aplicação dessa atenuante, e não por conta do estado de embriaguez dele, argumento utilizado estrategicamente pela defesa de Alves durante o julgamento com o intuito de reduzir o tempo da pena.

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Paul Blanquart – Um dominicano entre Jesus e Marx

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Paul Blanquart – Um dominicano entre Jesus e Marx
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De LENEIDE DUARTE-PLON*, de Paris No dia 15 de janeiro de 1970, em Paris, um encontro na mítica sala Mutualité, no Quartier Latin, reuniu intelectuais numa tribuna com uma grande faixa onde se lia: Solidarité avec le peuple brésilien en lutte. Jean-Paul Sartre, o grande filósofo existencialista, era o mais eminente dos oradores. Atrás da mesa, uma imensa foto de Carlos Marighella dava o tom da reunião. O revolucionário fora executado por Sérgio Fleury dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, e diversos dominicanos do convento das Perdizes haviam sido encarcerados e torturados por prestarem apoio logístico à Ação Libertadora Nacional (ALN), de Marighella. No mesmo encontro, foi lançada a Frente Brasileira de Informação (Front Brésilien d’Information-FBI), dirigida por Miguel Arraes, Violeta Arraes e pelo ex-deputado Marcio Moreira Alves. O primeiro boletim da FBI intitulado La lutte du peuple brésilien foi distribuído com os discursos dos participantes, além de informações sobre o Brasil e a luta contra a ditadura e a tortura. Apenas um brasileiro estava na tribuna: o ex-governador Miguel Arraes, exilado na Argélia desde o golpe de Estado de 1964. Os filósofos Jean-Paul Sartre e Michel de Certeau fizeram discursos memoráveis. Eles se dirigiam a franceses e a centenas de exilados brasileiros que lotavam a sala. Como eles, tomaram a palavra Jan Talpe, Pierre Jalée, Jean-Jacques de Félice e Miguel Arraes. Na tribuna, ao lado dos oradores, o frade dominicano Paul Blanquart, filósofo e marxista,  um dos organizadores do encontro. O discurso de Miguel Arraes tinha a marca de Blanquart. Frère Paul Blanquart – falecido em Paris dia 5 de fevereiro deste ano – conheceu de perto alguns dominicanos brasileiros que se exilaram em Paris. Ele viu seu aluno frei Tito de Alencar no Convento Saint-Jacques – onde chegou em 1971, depois de libertado juntamente com 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bücher – incapaz de retomar uma vida normal devido às alucinações que seus torturadores deixaram como cicatriz das torturas dirigidas pelo delegado Sérgio Fleury e pelo capitão Albernaz. Antes da chegada de Tito de Alencar ao Convento Saint-Jacques, frère Paul já era próximo dos exilados brasileiros como Miguel Arraes e sua irmã Violeta. Ele também conviveu com Aloysio Nunes Ferreira, ex-ministro das Relações Exteriores e representante da ALN em Paris. Bastardo Paul Blanquart foi um dos personagens mais exuberantes, brilhantes e cultos que conheci. Em francês, uma expressão o define bem: haut en couleurs. Tudo nele era entusiasmo, vivia suas ideias sem concessões e pagou um preço alto por seu engajamento no "cristianismo da libertação", expressão que ele preferia a "teologia da libertação". Ele acompanhou de longe o crescimento dos evangélicos no Brasil depois do pontificado de João Paulo II e do desmantelamento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), vistas pelo papa polonês como perigosas e subversivas: "A mensagem evangélica tinha reencontrado seu vigor e significação com o cristianismo da libertação, que aliava a fraternidade e um trabalho de razão para realizar esta fraternidade. Ora, a palavra ‘evangélico’ foi sequestrada do cristianismo da libertação pelos que representam exatamente o contrário dele.  Os evangélicos são o oposto do Evangelho de Jesus", explicou Blanquart em entrevista que fiz com ele. Na apresentação de um livro de seus artigos e entrevistas, En bâtardise, publicado em 1981 (Ed. Karthala), Paul Blanquart se definiu: "Sou um bastardo. Não sou de raça pura, faço parte de duas linhagens. Sou um cruzamento de cristianismo e de marxismo. Um impuro, rejeitado pelas duas ortodoxias. Pertencimento duplo, exclusão dupla." Ao realizar entrevistas com dominicanos na França para a biografia de frei Tito (Um homem torturado - Nos passos de frei Tito de Alencar), em 2012, a co-autora Clarisse Meireles e eu nos tornamos muito amigas de Paul Blanquart, com quem iniciei um livro de entrevistas que não será jamais publicado. Numa das nossas entrevistas, ele explicou o objetivo do "meeting" na Mutualité: “Era uma oportunidade para trabalhar uma certa unidade dos exilados brasileiros na França, dispersados em várias organizações. O encontro marcava uma posição de unidade contra a ditadura, denunciava a execução de Marighella e a tortura dos jovens dominicanos." A carta publicada em novembro de 1969 no Le Monde anunciando a prisão e tortura dos dominicanos em São Paulo e assinada pelas autoridades dominicanas foi redigida por Paul Blanquart, que comentou: "A prisão dos dominicanos era usada pelos jornais brasileiros próximos da ditadura. Eles afirmavam que os dominicanos se viam como cristãos revolucionários mas eram duplamente traidores: do cristianismo e de Marighella. Precisávamos mostrar a nossa solidariedade a eles. Na Mutualité havia uma grande faixa com a citação do padre colombiano Camilo Torres: 'O dever de todo cristão é ser revolucionário', e outra do Che : 'O dever de todo revolucionário é fazer a revolução'. O encontro girou em torno de Marighella, de quem os jovens dominicanos presos eram próximos". Perigoso marxista Em abril de 1972, os frades alunos do Convento Saint-Jacques - entre eles Tito - escreveram uma carta ao Maître général dos Dominicanos para defender frère Paul Blanquart que tinha sido nomeado "padre-mestre dos frades estudantes das províncias francesas" e demitido de suas funções 48 horas depois. Ele fora denunciado numa carta a Roma como um perigoso marxista, um apóstolo da revolução "que cita mais Lenine e Marx do que Jesus". "Foi o superior-geral dos dominicanos quem me demitiu, um espanhol, velho franquista, que desaprovava totalmente minhas posições. De certa maneira é normal que Roma não tenha permitido que eu exercesse aquela função, estávamos em campos opostos", me explicou Paul Blanquart em entrevista publicada em 2020 na revista católica de esquerda Golias, quando saiu em Paris a edição francesa da biografia de Tito de Alencar, (Tito de Alencar-1945-1974, Un dominicain brésilien martyr de la dictature, 2020, Éditions Karthala, Leneide Duarte-Plon e Clarisse Meireles). Avesso às novas tecnologias, frère Paul, como o papa Francisco, nunca teve um celular.  "Para não ser algoritmizado", explicava ele, que sempre se recusou a ter e-mail, apesar de escrever num computador. Mas, diferentemente do papa Francisco, Paul Blanquart nunca se deitou no divã de um psicanalista. Ele escreveu no prefácio do livro Dominicanos operários de Hellemmes que "na sua fundação, no século XII, a ordem dominicana esteve claramente ao lado do evangelho fraternal contra a instituição eclesiástica estruturada pela hierarquia feudal: a ordem acompanhou com sua pregação, seu modo de vida e sua legislação democrática o movimento comunal". "Foram os socialistas cristãos que, no século XIX, acrescentaram o termo ‘fraternidade’ à divisa republicana que se resumia a ‘liberté, égalité". Ferrenho crítico da hierarquia que organiza o catolicismo, Paul Blanquart foi um discípulo do profeta de Nazaré, que viveu na pobreza, a mil anos-luz das pompas da igreja católica, o que o levou a dizer que "a igreja católica não pode ser cristã". Era uma forma de rejeitar « a opção pela tradição sacerdotal, hierarquizada e o poder temporal da Igreja ». Ele defendia "a tradicão profética, da fraternidade, que o cristianismo da libertação encarna". Neste sentido, ele declarou um dia que nunca poria os pés nos Estados Unidos, nem em Jerusalém, nem no Vaticano, pelo que estes lugares representam. "Os Estados Unidos porque considero que são a encarnação do capitalismo, da finança e da sociedade de consumo que destrói o planeta. Em relação à América Latina, o domínio dos EUA é uma catástrofe. No Congresso de Havana de 1968, votamos pelo boicote dos EUA. Talvez eu seja o último a respeitar este juramento. Não ir a Roma me priva de ver a Capela Sistina mas não posso esquecer que a Basílica de São Pedro foi construída pela venda de indulgências, o que era contrário à mensagem de Jesus dos textos evangélicos. E Jerusalém porque não é lá que podemos encontrar Jesus, não podemos fetichizar um lugar, qualquer que ele seja…" O dominicano subversivo que foi professor no Instituto Católico de Paris, ensinou sociologia na Universidade de Paris-Val-de-Marne e foi redator-chefe-adjunto da revista "Politique-Hebdo" se transformara num ecologista militante, convencido de que a degradação do planeta é obra do homem e que sem mudanças radicais a vida sobre a terra está seriamente ameaçada. No segundo semestre deste ano sairá em Paris um livro de autoria de Alice Bléro sobre Paul Blanquart, no qual ele expõe sua visão do cristianismo e da ecologia. Em seu testamento, frère Paul afirmava ser dominicano e cristão mas dizia não desejar cerimônia religiosa em seu enterro. E justificava : "Não quero que a tradição sacerdotal se aproveite da minha morte para se afirmar". *Jornalista internacional. Co-autora, com Clarisse Meireles, de Um homem torturado – nos passos de frei Tito de Alencar (Editora Civilização Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, lançou A tortura como arma de guerra – Da Argélia ao Brasil: Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado. Ambos foram finalistas do Prêmio Jabuti. O segundo foi também finalista do Prêmio Biblioteca Nacional. Publicado originalmente em Carta Capital. Foto: Do acervo da autora, de 2012. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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