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O Veneno dos Dogmas

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O Veneno dos Dogmas
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Por LÉA MARIA AARÃO REIS* Há tempos não assistíamos a um filme forte, bem realizado, um filme excepcional abrigado na obra de um dos mais expressivos diretores italianos em atividade. O Sequestro do Papa está chegando aos cinemas nesta quinta-feira (18), e, com certeza já se encontra inscrito na relação dos melhores cartazes cinematográficos de 2024. É de autoria de Marco Bellochio, de 84 anos, um dos mais luminosos expoentes da sua geração, um daqueles artistas da “era dos grandes velhos”, como proclamam os incontáveis admiradores do cineasta. Rapito é inspirado em uma história real relatada na novela Il caso Mortara, de Daniele Scalise, um drama que foi objeto do desejo cinematográfico de Steve Spielberg. O diretor americano desejou filmar essa saga histórica, há alguns anos, mas não conseguiu concretizar o projeto embora tenha chegado a entrevistar, na época, centenas de atores infantis para interpretar o menino Edgardo, personagem de extrema complexidade que exige sensibilidade e disciplina raras. Nenhum dos testados agradou Spielberg e ele esqueceu o assunto retomado por Bellochio. O filme conta a trajetória de Edgardo Mortara, um garoto judeu da comunidade da cidade de Bolonha, de sete anos de idade, que em 1858, após ser batizado por uma babá, meio ao acaso, durante uma gripe forte e sem o conhecimento dos pais, foi sequestrado pela polícia do poder papal autoritário, e levado à força para longe da família pelos guardiães religiosos da teocracia dos Estados Pontifícios, administradores de várias regiões da península italiana. Edgardo acabou sendo criado como católico, catequizado, (re)educado em um seminário para exercer o sacerdócio. A história da luta dos pais de Edgardo para resgatar a criança perdurou por toda a vida da família, tornou-se emblemática e divulgada como ruidoso episódio de uma batalha política mais ampla. Naquele instante histórico o poder autoritário da igreja de Pio IX confrontava as forças democráticas romanas que lutavam pela unificação da Itália. O sequestro foi levado aos tribunais em 1860 e dez anos depois Roma foi capturada. O mesmo motivo que levou Spielberg a renunciar ao projeto, ou seja, a impossibilidade de encontrar um garoto para fazer o complexo papel de Edgardo, foi positivo para Bellochio que teve sucesso encontrando o menino Enea Sala para fazer o personagem adotado à força pela polícia religiosa com um tom ambíguo e beirando notável perplexidade. Sobre o menino, diz Bellochio: “Enea Sala nem foi batizado, nunca foi à igreja e também não é judeu! O que ele mostra na tela é sua resposta emocional ao personagem, e ele desempenha o papel conseguindo evitar o que as crianças costumam fazer: imitar o que viram na televisão”. Edgardo/Sala nos apresenta a luta (que é também de muitos de nós) ao confrontar a “voz do coração” que vem de dentro, a emoção e o sentimento, com a razão, os moldes e a armadura da cultura e da educação, essa decisiva quando provém do ensino religioso que apenas admite as certezas dos dogmas. Outro ator respeitável nessa produção França/Alemanha, selecionada este ano para concorrer à Palma de Ouro de Cannes, é o conhecido italiano Paolo Pierobon fazendo o sectário Papa Pio IX cujo principal conselheiro era famoso cardeal, que, antes, atuara nos tribunais do Santo Ofício. Mais um excepcional ator, Filippo Timi. Com o trágico fundo musical de grande orquestra, uma bela trilha original de Fabio Massimo Capogrosso, com uma direção de arte majestosa de Andrea Castorina, o roteiro de Rapito de Marco Bellocchio e Susanna Nicchiarelli é construído em três eixos paralelos: a (re)educação religiosa do menino, a luta dos pais para resgatá-lo e o desespero da mãe dele, e a estratégia desumana do Papa Pio IX com sua hostilidade à religião judaica. Veja Também:  Programas - de 18 a 26 de julho Um detalhe registrado no filme: até pouco antes do ano em que se passa o sequestro de Edgardo, fim do século 19, o gueto dos judeus da cidade de Bolonha era trancado ao anoitecer pela polícia e só reabria na manhã do dia seguinte. O diretor explica que se inspirou no realismo e no romantismo das pinturas do século 19, no qual se situa a trama. “Foi a época em que a Itália produziu muitas pinturas representando cenas militares e familiares. Em termos de cenários, figurinos, cores e contrastes, inspiramo-nos na grande tradição do pré-impressionismo da pintura italiana e francesa, como na obra de Delacroix“. Há que observar que o filme de Bellochio vai bem mais além de referências simbólicas a um tema geopolítico imediato e não se relaciona com críticas mais do que justas, da guerra genocida lamentavelmente desfechada pelo atual estado de Israel contra a população palestina da Cisjordânia e, em particuar, da Faixa de Gaza. “Certamente, o que Eduardo Mortara viveu nunca poderia acontecer hoje, numa época de diálogo aberto e de um papa de mente também extremamente aberta”, Bellochio faz questão de ressaltar. “Naquela época, havia de fato a sensação de que a fé católica não podia ser abalada. Este filme não busca colocar um lado contra o outro. O destino daquele homem me tocou e me inspirou e sua história me encheu de sentimento e tensão. Minha empatia vai claramente para a criança que sofreu um ato de extrema violência”. O diretor, aos 26 anos de idade, em 1965, revolucionou as vanguardas cinematográficas e empolgou a forte contracultura da época com a obra-prima anticonformista Pugni in Tasca, (De Punhos Cerrados), o seu célebre primeiro longa-metragem que desnudava os podres de uma família de classe média: assassinato, incesto e insanidade. De Punhos Cerrados recebeu prêmios em Livorno, Veneza, Locarno, no Festival do Rio de Janeiro – onde eram intermináveis as filas de espectadores diante dos cinemas. Depois, Bellochio seguiu sempre posicionado contra regimes teocráticos, contra o poder político discricionário, crítico da burguesia, e sempre colecionando prêmios, também em Berlim e em Cannes. Seus filmes seguintes imediatos, La Cina è vicina (1967) e Il popolo calabrese há rialzato la testa, de 1969, seguiram na mesma direção assim como Noite Exterior (Esterno Notte), sobre o assassinato de Aldo Moro. Uma retrospectiva Bellochio, hoje, viria no momento certo da antevisão de um mundo que deriva. E o seu recado é claro, em Rapito, originado na bela sequência da mãe de Edgardo vivida por Barbara Ronchi, durante a última noite em que passa com o filho, antes da polícia levá-lo sequestrado. Ela ensina ao menino quase adormecido: “Não esqueça nunca do que diz a voz inscrita no fundo do seu coração”. *Léa Maria Aarão Reis é jornalista. https://youtu.be/2O2hJoTXcEw *Em cinemas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, Cotia, Santos, Cuiabá, Londrina, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Florianópolis, Maceió, Fortaleza, Recife e Salvador. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Ditadura à brasileira: comédia e horror

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Ditadura à brasileira: comédia e horror
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Lourenço Cazarré* Dono de um dos melhores textos do jornalismo pelotense e editor de três belos livros sobre a Princesa do Sul, Ayrton Centeno mais uma vez ataca nas livrarias e bancas. Agora com Dicionário da Ditadura (Autografia Editora), livro que mostra em, digamos, pílulas de 15 a 30 linhas todas as facetas de um evento político que por uns é chamado de Golpe de (1º. de abril, dia dos bobos) 1964 e por outros de Revolução (de 31 de março) Redentora. Recorrendo à fórmula que adotou para conduzir a criação do bem-sucedido Almanário de Pelotas, o rapaz que se formou pela Faculdade de Direito de Pelotas em 1975 – mas que nunca foi buscar seu canudo – diz, na introdução, que seu trabalho “é uma tentativa modesta de clarear um pouco as trevas. Não apenas as dos tempos passados, mas, iluminando, aquele palco, jogar alguma luz sobre as práticas de ontem que ameaçam ressuscitar nos tempos de agora”. Simplificando, a obra representa um esforço para esboçar, em apenas 300 páginas, o movimentadíssimo quadro histórico que se esparramou por 21 anos, de 1964 a 1985. Ayrton Centeno. Para dar uma ideia ligeira do que trata o livro, vamos pegar os verbetes de algumas poucas letras. No capítulo dedicado a letra A, por exemplo, somos informados sobre a verdadeira dimensão da guerrilha do Araguaia, evento mantido em sigilo naquela época e ainda hoje quase desconhecido. Foi a única experiência de luta armada rural, levada adiante por seis dezenas de guerrilheiros, e se estendeu por três estados: Maranhão, Pará e Goiás. Na letra B, por exemplo, ficamos sabendo que o bem-humorado embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, quando sequestrado por um grupo guerrilheiro, costumava jogar canastra com seus captores. Entre seus parceiros de jogatina o mais conhecido era o capitão Lamarca. Por falar em Lamarca, é bom lembrar que ele foi rapidamente retratado – enquanto tenente do Batalhão de Suez (Suez, gente, fica no Oriente Médio!) – por um dos seus mais indisciplinados subordinados: Carlos Eduardo Von Beherensdorf, Príncipe Herdeiro da Pomerânia, o Berê, mais conhecido nas rodas da boêmia pelotense (nos anos 1960, gente!) como Garça. Para fechar esse parêntese gigantesco, o referido texto do Berê – que leva como título “Memórias de um recruta encrenqueiro” – é um dos mais divertidos do afamado A língua de Pelotas e outras barbaridades. Sigamos com a nossa resenha. Passemos à nossa letra C, de China. Após o golpe revolucionário, o governo Castello Branco meteu no xilindró nove integrantes de uma pacífica missão chinesa que se encontrava a trabalho no Brasil. Pobres rapazes! Só foram libertados e deportados em 1965, quando o homem que os convidara, Jango, já se encontrava há muito tempo mateando e churrasqueando no Uruguai. Aliás, não sei se é uma boa estratégia lembrar este fato em livro, tendo em vista que, hoje em dia, são os chineses que, comprando nossa soja, nos permitem pagar as nossas impagáveis contas. A minha atração pelo anedótico, pelo ridículo, me leva a registrar que, na letrinha D, temos a definição de “desbunde”, termo criado pelos guerrilheiros para apontar seus antigos companheiros que depuseram a artilharia em favor da paz e do amor. Daí vêm “desbundado”, palavra de largo uso nos anos 1970 e 1980 para apontar sujeitos que, naquele tempo tão tenebroso, preferiam – e faziam bem, digo eu – se manter longe da pantanosa vida política tupiniquim. Vamos de Empreiteiras, na letra E. Surgidas nos anos JK, quando a histeria construtivista nos presenteou com Brasília, e cevadas depois com as grandes e gordas obras megalomaníacas do pós-64, essas notórias empresas ainda estão na moda. Quase morreram, mas estão se levantando. Elas patrocinaram a tétrica Operação Bandeirante (OBAN), que fez muitas vítimas, diz Centeno. E outras malfeitorias, em datas mais próximas de nós, acrescenta este modesto redator. Paremos por aqui. Mais uma vez, eu, beletrista convicto, falo de estilo. Centeno é homem de pena afiada e olho de lince (não achei um errinho de grafia ou concordância). Como se dizia antigamente na Atenas do Continente de São Pedro, aquele que um dia foi um guri maloqueiro da Barroso escreve bem pra burro. Para os inteligentes também, ajunto. Este seu mais recente trabalho – Dicionário da Ditadura – certamente terá longa vida, especialmente na academia, nos cursos superiores, posto que nele temos um painel, embora sintético, muito bem delineado de uma época marcada por atos de coragem, por grossas patifarias, por comédias hilariantes e por um horror quase inenarrável. Neste ponto, devo advertir que o livro tem muitos verbetes – que tratam de tortura e assassinatos – difíceis de serem enfrentadas por pessoas sensíveis e delicadas. Encerro fazendo um comercial dos três volumosos volumes pelotenses editado por este senhor autor que é também conhecido, entre seus amigos pró-ianques, como Ayr Rye: Mais perfeito que o paraíso e outros desatinos de Pelotas, A língua de Pelotas e Almanário de Pelotas. *Jornalista e escritor. Fotos: Divulgação Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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25 de julho – Dia Internacional da Mulher Negra –  Latino-Americana e Caribenha #leiamulheresnegras

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25 de julho – Dia Internacional da Mulher Negra – Latino-Americana e Caribenha #leiamulheresnegras
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POR CÁTIA CASTILHO SIMON* Muitas pessoas questionam por que um dia para mulheres e, ainda, para que um Dia Internacional da Mulher Negra – Latino-Americana e Caribenha. E essas mesmas pessoas respondem que todos os dias são das mulheres brancas, negras, indígenas pouco importa a ascendência. Dias de luta nascem justamente para enfrentar a omissão social e política impetrada pelo senso comum. Em 1992, no dia 25 de julho, em Santo Domingo, na República Dominicana, ocorreu o 1º Encontro das Mulheres Negras Latinas e Caribenhas e a partir dele organizou-se a rede de mulheres afro-latino-americanas e afro-caribenhas que conquistaram junto à ONU a legitimação do 25 de julho. No Brasil, apenas em 2014 foi estabelecido como o dia de Tereza de Benguela – líder do Quilombo Quariterê, e da Mulher Negra, através da lei 12.987/2014, assinado, não por acaso, pela então presidenta Dilma Roussef. Instituiu-se um dia para resgatar e homenagear as mulheres negras brasileiras.   Lélia Gonzalez discorreu longamente sobre a importância de um feminismo afro-latino-americano por décadas, bem como do enfrentamento dos “efeitos da rejeição, da vergonha e da perda de identidade às quais nossas crianças são submetidas, especialmente as meninas negras.” (GONZALEZ, Lélia, Por um feminismo afro-latino-americano. Editora Zahar, 2020. pg 217). As notícias não são boas. Hoje, 18 de julho de 2024, o estupro bate recorde no Brasil, e as meninas negras são as maiores vítimas. Dito tudo isso, quero saudar o 25 de julho pela voz de cinco escritoras negras incríveis do RS, com quem tenho aprendido também sobre mim. “Menininha, quando dorme,/põe a mão no coração./ Você já parou/ em meio às prateleiras do supermercado/ e teve vontade de chorar/vendo os preços dos alimentos/ e contando as moedas???/ (...) Ana Dos Santos, MAIÙSCULA, Editora Libretos, 2024. “sobre as narinas/gordas gotas/qual amêndoas pela mão escusa/talvez o soluço das conchas/pelo poço e seus pensos de sombra(...) Eliane Marques, O POÇO DAS MARIANAS, Escola de Poesia, 2021 “Paz pra quê/ na falta de paz é que a luta rompe a alma/chega de calma/ócio abusivo, destrutivo/quero invadir os palácios da hipocrisia/derrubar muros, enfrentar medos/revelar os segredos sórdidos da burguesia(...) Fátima Farias, Palavras são mudas. Editora Libretos 2024. “No navio a comida também era racionada, mas a esperança dava uma dimensão suportável da penúria(...)Celeste, sua irmã próxima em idade, contava-lhe histórias assustadoras de uma selva com animais selvagens e índios canibais com os quais teriam que lutar para conquistar um lugar que fosse deles.” Taiasmin Ohnmacht, Vozes de Retratos Íntimos, Editora Taverna, 2021. “Pescoço de negro/ pescoço de negra/não é descanso/nem parapeito/de joelho branco.” Lilian Rocha, Rochedos também choram. Editora Bestiário, Selo Invencionática, 2023. *Escritora e poeta; doutora em estudos da literatura brasileira, portuguesa e luso-africanas/UFRGS. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.  

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E Mandela dançou

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E Mandela dançou
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Por Edelberto Behs* Na quinta-feira, 18 de julho, a Organização das Nações Unidas (ONU) celebrou o Dia Internacional Nelson Mandela, lembrando a data de nascimento do líder sul-africano em Mvezo, no ano de 1918. Em 5 de agosto de 1962, o regime de apartheid da África do Sul prendia Mandela, mantendo-o 27 anos na prisão. Que têmpora uma pessoa precisa ter para ficar tanto tempo aprisionado e ainda assim manter viva a chama pela libertação do povo negro das presas do apartheid. E ainda assim declarar: - Não olhe para o outro lado; não hesite. Reconheça que o mundo está faminto por ação, não por palavras. Aja com coragem e visão! Eu estive com Mandela, que compareceu à Assembleia Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) reunida na Universidade de Harare, no Zimbabwe, em 1998. O que é que esse combatente antiapartheid foi fazer num encontro de igrejas? Uma multinacional do petróleo fornecia óleo diesel subsidiado ao exército da África do Sul, força que oprimia e pisoteava o povo negro do país, quando não matava os seus líderes. O CMI decidiu, então, promover um boicote aos produtos da petrolífera em toda a Europa, além de prestar ajuda humanitária aos oprimidos, quando foi acusada de apoiar as forças rebeldes que lutavam contra o apartheid. De início, a multinacional pouco se importou com a ação do CMI. O panorama mudou, porém, quando o boicote começou a fazer efeito, a tal ponto que a multinacional teve que rever a sua política. Mandela foi especialmente a Harare para agradecer ao CMI pelo apoio que prestou à luta antiapartheid. Depois do discurso de agradecimento, Mandela subiu ao palco do salão nobre da Universidade de Harare e postou-se junto a um coral da África do Sul, presente na ocasião, que empolgou a plateia de delegados e delegadas à Assembleia, com seus tons e sons coloridos. E Mandela, então com 80 anos de idade, dançou e cantou, com sorriso aberto, serelepe, e movimento das mãos. Foi, sem dúvida, um momento super emocionante. Nelson Mandela graduou-se em Direito e atuou como advogado. Casou-se três vezes, teve seis filhos e 17 netos. Foi eleito presidente da África do Sul em 1994. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Ele faleceu em 2013. Fundado em 1948, o CMI é uma irmandade de denominações, que reúne igrejas ortodoxas, anglicanas, luteranas, metodistas, reformadas, unidas e independentes de 120 países, representando 520 milhões de cristãos. Sua sede está localizada em Genebra. *Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).  Foto: Pinterest Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.  

Comunicação e Mídia

Programas – de 18 a 26 de julho

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Programas – de 18 a 26 de julho
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Por Léa Maria Aarão Reis* *Em carta aberta, a mídia internacional, incluindo BBC, CNN, AFP e o NYTimes, pede a Israel que “respeite os seus compromissos com a liberdade de imprensa, proporcionando aos meios de comunicação social acesso imediato e independente a Gaza“. Reivindicam cobrir o conflito, “o melhor possível, aliviando colegas jornalistas palestinos que cobrem a guerra desde o início pagando caro com as suas vidas”. *Esses meios de comunicação exigem às autoridades israelenses suspender restrições impostas à entrada de meios de comunicação estrangeiros em Gazae conceder acesso independente às organizações de imprensa internacionais que pretendam visitar o território. *Em nove meses de guerra, “os jornalistas internacionais ainda não têm acesso a Gaza, com exceção de raras viagens sob escolta do exército israelense”, denunciam o jornal Guardian e a CNN, entre outros (Associação CAPJPO – Europalestina). *O presidente Lula nas redes sociais: “É estarrecedor que continuem punindo coletivamente o povo palestino. Já são dezenas de milhares de mortos em seguidos ataques desde o ano passado, muitos deles em zonas humanitárias delimitadas que deveriam ser protegidas. Nós, líderes políticos do mundo democrático, não podemos nos calar diante desse massacre interminável”. *A filosofia de Byung-Chul-Han, autor do best-seller A Sociedade do Cansaço, continua estudada e pesquisada nos quatro cantos do mundo. Esta semana, neoliberalismo, saúde mental e esgotamento em excesso são os temas da aula de Lucas Nascimento Machado, no Instagram da Casa do Saber. Machado é professor substituto de História da Filosofia da UFRJ, especialista da obra do coreano radicado na Alemanha, e já traduziu os livros Favor fechar os olhos: Em busca de um outro tempo e Vita contemplativa ou sobre a inatividade, de Byung-Chul-Han (Ambos da Editora Vozes) *O abrigo do tempo, de Henri Arraes Gervaiseau, um ensaio sobre a história do cinema, é obra destacada na área dos estudos cinematográficos. Para o crítico e professor da USP, Ismail Xavier, autor do prefácio do livro, “compõe um diálogo entre obras fundamentais na história do cinema e do vídeo, conciliando um percurso que atravessa o século XX, dos Irmãos Lumière a Jean-Luc Godard, com uma notável unidade no estudo do documentário como experiência do tempo em suas múltiplas formas”. André Parente, cineasta e professor da UFRJ, na orelha do volume, afirma: “Assim como para Henri Langlois, Jean-Luc Godard e Alain Badiou, também para Henri Arraes Gervaiseau o cinema desempenha papel essencial no aprendizado da vida dos homens” (Editora Alameda). *Agenda para dubladores e interessados nessa atividade profissional: começa dia 28 de setembro próximo, a DublaCon 24, convenção de dublagem que homenageia a Dublagem VIVA, movimento organizado por profissionais do setor em prol da regulamentação do uso de inteligência artificial na dublagem de séries, filmes, animações e games. No Teatro UNICID, São Paulo, Av. Imperatriz Leopoldina, 550, Vila Leopoldina. Ingressos disponíveis no site do evento (clique aqui). *Em pré-venda, o primeiro livro em prosa de Mahmud Darwich, Diário da tristeza comum, escrito em 1973. São nove ensaios autobiográficos que recuperam o passado do poeta palestino, da infância até sua vida no exílio, em meio à sociedade do colonizador israelense. O posfacio é de Milton Hatoum (Editora Tabla). *“No próximo dia 6 de agosto”, escreve o professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, Francisco Foot Hardman, no site GGN, “o Conselho Universitário da Unicamp deve deliberar se susta as atuais relações com uma das instituições empenhadas no massacre em Gaza, a Technion. Segundo conhecimento público, ela participa ativa e estrategicamente da produção de tecnologia militar de ponta e dos ataques perpetrados pelo atual governo israelense contra a população civil palestina. Continua o professor: “Nenhum pretexto tecnológico-científico pode justificar que a Unicamp seja parceira, real ou simbólica, de tamanha barbárie contemporânea. (…) “Ocorre que, em malfadada hora, a Unicamp firmou um convênio de cooperação acadêmica, em agosto de 2023, com o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), sediado em Haifa”. Veja Também:  O veneno dos dogmas *Vem aí O Mensageiro, novo filme de Lucia Murat. Com a trama que se passa durante a ditadura militar no país, em 1969, o longa-metragem narra a história do soldado que aceita levar uma mensagem de Vera, presa política em uma fortaleza militar durante a ditadura, para a sua família. O filme trabalha sobre a possibilidade de comunicação entre duas pessoas solitárias. “O que fazer, hoje, com essa memória, que no Brasil é escondida?” indaga Murat. *Um bom programa para este mês é prestar atenção na chamada da Mostra Cinema e Direitos Humanos para inscrição de jovens curadores interessados em curadoria cinematográfica de produções com temática de direitos humanos. E também de diretores de curtas metragens com duração de até 20 minutos e finalizadas a partir de 2022. Inscrições aqui. *Nesse sábado, dia 20, o Presidente Lula estará na convenção eleitoral que vai definir, oficialmente, Guilherme Boulos como candidato a prefeito da capital paulista, e Marta Suplicy, candidata a vice-prefeita. No Expo Center Norte de São Paulo, às 14 horas. Os portões serão abertos às 13 horas. Inscreva-se clicando aqui e chegue cedo. São esperadas milhares de pessoas nesse evento. *O programa é a expectativa, que cresceu nos últimos dias, do lançamento do segundo volume da biografia do Presidente Lula escrita por Fernando Morais, em produção. Nesse segundo tomo, depois do primeiro, lançado em 2021, devem ser incluídas novas informações obtidas dos registros estadunidenses sobre o monitoramento de Lula por diversas agências norte-americanas. *Programa trazendo algum otimismo: a recente intensificação dos trabalhos e combate aos incêndios e o alívio meteorológico com o avanço de uma forte massa de ar frio pelo continente ajudando a frear o fogo no Pantanal. Segundo a ministra do Meio Ambiente e do Clima, Marina Silva, dos 54 incêndios registrados na região, 30 deles foram extintos até o último dia 7, ou seja, 55% do total. Dos 24 ainda ativos, 13 estão dominados, segundo a Ministra, com o fogo cercado por uma linha de controle. *Condições e dados estarrecedores apresentados pelo secretário-geral da ONU, Antonio Gutierrez, em conferência para angariar fundos para a Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, a UNRWA: “Os habitantes de Gaza são forçados por Israel a se moverem como se fossem bolas de pinball humano em uma paisagem de destruição e morte. Quando pensávamos que as coisas não poderiam piorar, estão sendo empurrados para círculos cada vez mais profundos do inferno. Cento e noventa e cinco funcionários da UNRWA foram mortos, o maior número de mortes de funcionários na história da ONU”. *Jornalista *Imagem: Marcos Diniz Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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2024, antessala de 2026

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2024, antessala de 2026
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Por Antonio Carlos Granado* As eleições municipais que ocorrerão no Brasil neste ano, apesar de terem sua lógica focada nas gestões públicas locais, respeitadas as especificidades de cada território, ganham uma importância nacional. Esse fato, apesar de se colocar de forma distinta em cada caso concreto, tornou-se mais evidente depois do processo crescente de bipolarização política que se foi formando desde a campanha eleitoral nacional de 2014 que deu as bases políticas para o processo de impeachment da Presidenta Dilma em 2016. A partir desse período, com discursos que se foram aprimorando, no andar da carruagem, foi-se conformando uma extrema-direita forte, que tem como centralidade o bolsonarismo. Esse discurso, nas eleições que se avizinham, deve ganhar centralidade, na maior parte dos municípios, por parte das candidaturas que têm alinhamento a essa corrente política, apesar de oferecer um nexo frágil quando confrontado com as disputas reais sobre políticas públicas que são necessárias à gestão de cada território em particular. Esse é um fato que não se pode desprezar. O discurso da extrema-direita carrega em seu bojo, assim, sua força e sua fraqueza. Municipalizar o foco, nesse sentido, pode ser uma arma poderosa contra o crescimento das forças mais retrógradas identificadas com aquela corrente. Outro aspecto a ser compreendido nas disputas eleitorais deste ano é que, ademais da polarização ideológica buscada pelos setores mais retrógrados, as bases para as eleições de 2026 serão, em larga medida, dimensionadas pelos resultados deste ano. Prefeitos e prefeitas, bem como vereadores e vereadoras eleitos neste ano, ganharão o caráter de cabos eleitorais para o Parlamento a ser eleito no momento seguinte, particularmente para a Câmara Federal, mais até do que o Senado ou a Presidência da República, apesar de refletirem também sobre estes. Isso será verdadeiro nas grandes cidades e capitais, mas será ainda mais forte nas cidades pequenas e médias dos interiores do Brasil, dada a predominância, até hoje, das chamadas “elites” locais. Não à toa, os partidos que conformam as bases do chamado “Centrão” e da direita e extrema-direita, vêm construindo uma estratégia poderosa de disputa pulverizada por todo o território nacional. Os partidos onde se hospedam os setores políticos mais à esquerda ou progressistas, nesse sentido, não se prepararam, até agora, para esse jogo político de mais largo fôlego. Mesmo em municípios, na regra médios e grandes, onde as candidaturas majoritárias são competitivas, a expectativa de conformação das Câmaras Municipais não é a de formação de bases parlamentares amigas. Esse quadro, assim, aponta para a realidade de um Congresso Nacional futuro tão ou mais reacionário e patrimonialista que o atual, o que pode ser corrosivo para uma futura Presidência da República de Lula ou de outra candidatura que se apresente como sua sucessora. Os mandatos eleitorais, pelas regras legais e políticas, costumam organizar-se em função, particularmente, de sua própria reprodução. Esse axioma consegue ser verdadeiro, infelizmente, inclusive para os de caráter mais progressista, do campo que vem dando base de apoio mais firme ao atual Governo Federal. Para se entender o funcionamento dessa engrenagem, há que se considerar o papel nefasto que têm jogado alguns elementos que se foram desenvolvendo no processo histórico. Claramente, um deles é o da legislação política e eleitoral vigentes, que deram o arcabouço lógico da extrema pulverização partidária vigente, bem como a desproporcionalidade da representação política dos mandatos, expressa no peso relativo da representação, por estado, no Congresso. Outro elemento, de importância fundamental, é a existência das emendas parlamentares ao Orçamento Público, agravada quando seu pagamento ganhou caráter impositivo. Afora desconfianças de que essas emendas possam oferecer possibilidades de desvios para financiamento de campanhas ou corrupção, seu papel mais importante está na sedimentação de bases territoriais para as campanhas eleitorais dos autores das emendas. Desprezar, assim, a importância nacional das eleições municipais deste ano é um equívoco político nada desprezível. *Antonio Carlos Granado, economista, vice-presidente do Instituto AMSUR, Instituto Sulamericano para a Cooperação e a Gestão Estratégica de Políticas Públicas Foto: Lula e Bolsonaro - Política Livre politicalivre.com.br Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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