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Lava Jato: IPL 01/2017, o caminho para chegar nas ilegalidades

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Lava Jato: IPL 01/2017, o caminho para chegar nas ilegalidades
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Por Marcelo Auler* O pedido de informações que o Corregedor Geral da Justiça, ministro Luiz Felipe Salomão, encaminhou ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba em busca de detalhes que permitam ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apurar irregularidades cometidas no âmbito da Operação Lava Jato, entre as quais uma escuta ilegal na cela em que os doleiros ficaram recolhidos, pode não atender à expectativa do corregedor. Comandada pelo ex- juiz Sérgio Moro, a 13ª Vara foi onde tramitou toda a operação. O Ofício do corregedor atende a uma solicitação da advogada Elioena Asckar, ajuizada em 2023. Ela, na defesa do marido, o delegado Mario Renato Fanton, quer “que o CNJ apure alegadas irregularidades ocorridas na 13ª Vara Federal de Curitiba envolvendo suposta escuta ilegal, que teria sido encontrada na cela de Alberto Youssef, então preso pela Operação Lava Jato, localizada na carceragem da Polícia Federal em Curitiba”. Uma escuta que, como ficou comprovada em 2015, captou mais de 100 horas de conversa entre os doleiros detidos. Responsável pela instalação, em março de 2014, dessa escuta ilegal, o hoje agente de Polícia Federal aposentado Dalmey Fernando Werlang, em entrevista ao Bom Dia da TV 247, na quarta-feira (03/07), explicou que o ministro precisa ir além: analisar, por exemplo, o IPL 01/2017-COAIN/COGER (autos 5003191-72.2017.404.7000). Trata-se de um inquérito que deveria investigar a Operação Lava Jato, mas foi açodadamente arquivado pelos procuradores da Força Tarefa de Curitiba. Os autos estão na 23ª Vara Cível, longe da Vara onde Moro atuou. A escuta, como lembrou Werlang, lhe foi solicitada no dia da deflagração da operação (17/03/2014), pelos delegados Igor Romário de Paula, responsável pela Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado – DRCOR, na presença do superintendente do Departamento de Polícia Federal (DPF) no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, e do delegado que presidia a Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano. Ou seja, a cúpula da Superintendência, motivo pelo qual Werlang jamais suspeitou que fosse algo ilegal. Essa ilegalidade só lhe foi revelada depois que os presos localizaram o aparelho instalado na cela, no final do mesmo mês de março. Todos sabiam do grampo ilegal, mas a cúpula tentava abafar A partir dessa descoberta, o medo dos operadores da Lava Jato – juiz, procuradores e delegados federais – era (e ainda é) de que a confirmação dessa escuta ilegal comprometesse (comprometa) toda a operação. Por isso, fizeram de tudo para mantê-la abafada. Nem o próprio advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, se interessou em explorar o assunto e tentar anular a operação, como tinha prometido em entrevista em julho de 2015, bem antes de o grampo ser finalmente confirmado. Na época, uma primeira sindicância – 04/2014 – concluíra que a escuta ilegal não ocorreu, tal como noticiamos em agosto de 2015 na reportagem Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR. Para Figueiredo Basto foi mais vantajoso usar o grampo como trunfo e negociar a delação premiada de seu cliente, mesmo contrariando a opinião de colegas seus que participavam da defesa de Youssef. Como Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, de Brasília. Ele se afastou dos recursos que impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF) a favor do doleiro por discordar da delação premiada negociada com Moro. Já Figueiredo Basto beneficiou-se e até conquistou novos clientes atraídos pela possibilidade das delações. A existência do grampo ilegal era falada por delegados e agentes na superintendência do DPF desde 2014. Isso, inclusive, levou a delegada Daniele Gossenheimer Rodrigues, chefe no Núcleo de Inteligência Policial (NIP) e esposa de Romário de Paula, determinar a Werlang a instalação de uma escuta ambiental no fumódromo do prédio, para bisbilhotar o que os demais policiais comentavam sobre o caso. Os policiais que criticavam os métodos ilegais da operação passaram a ser tratados como “dissidentes”. Inventaram para jornalistas que eles prepararam dossiês com as irregularidades, para venderem às defesas dos réus. Foram investigados no IPL 05/2015, instaurado por Romário de Paula, como uma forma de intimidá-los e evitar que o assunto ameaçasse a operação. Pelo menos um deles teve sérios problemas psiquiátricos. O caso foi entregue ao delegado Fanton, originalmente lotado em Bauru (SP), que estava em Curitiba em outro caso. Ao trabalharem no IPL 05/2015, Fanton e Werlang perceberam que a cúpula da Superintendência – em especial Romário de Paula – tentava manipular a investigação. Receavam que as ilegalidades fossem descobertas elo delegado de fora. Os dois acabaram sendo afastados do caso, o que fez Werlang falar das ilegalidades e do grampo para o delegado, confessando sua participação. Com o depoimento dele tomado a termo, Fanton denunciou a ilegalidade na Corregedoria em Brasília. Uma nova sindicância – 04/2015 – confirmou o grampo e localizou os áudios captados pela escuta, tal como informamos em Surgem os áudios da cela do Youssef: são mais de 100 horas. Desde então delegado e agente foram perseguidos internamente. Só Fanton respondeu a mais de 12 procedimentos. Foi vitorioso em todos. Ainda em 2015, após confirmar sua participação no grampo em depoimento na CPI da Petrobras da Câmara dos Deputados, Werlang foi interrogado por Moro, na presença de Figueiredo Basto. Ali ficou evidente a preocupação do advogado de Youssef em desmontar a versão do grampo ilegal, como o próprio Werlang revelou na entrevista ao Bom Dia da TV 247: “Eu senti que havia isso nas perguntas…, foram perguntas que tentavam me deixar meio constrangido ali perante aos demais que tinham me convocado, os advogados de empreiteiras… Então realmente tudo indicava que havia o conluio para que tudo fosse abafado”. Defesa de Youssef só recentemente reclamou do grampo Como lembrado na entrevista, Figueiredo Basto, após se beneficiar conquistando novos clientes com a delação premiada, com o passar do tempo, as denúncias da Vaza Jato de o início da derrocada da Força Tarefa de Curitiba, mudou de posição. Hoje alardeia que sempre denunciou e cobrou as gravações ilegais. Não foi assim. Na quarta-feira (03/07) o juiz Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara Federal de Curitiba, assinou decisão na qual libera o acesso da defesa do doleiro ao conteúdo das escutas clandestinas. Áudio que estão em um HD com a Polícia Federal. Por este documento (foto ao lado) repara-se que o pedido feito pelo advogado Gustavo Rodrigues Flores, que também defende o doleiro, só foi protocolado judicialmente em 2023, como demonstra ementa do processo: “PETIÇÃO Nº 5025690-40.2023.4.04.7000/PR REQUERENTE: ALBERTO YOUSSEF REQUERIDO: POLÍCIA FEDERAL/PR. Isso apenas confirma que a defesa demorou anos sem se importar com a escuta clandestina. Se a defesa de Youssef hoje pretende usar o grampo ilegal para anular sua delação premiada e suas penas, a advogada Elioena, seu marido Fanton e o próprio Werlang continuam decididos a esclarece o caso todo. Querem ver toda a história do grampo apurada e seus responsáveis identificados, ainda que os crimes possam estar prescritos. Fanton até briga por uma indenização por parte da União, em ação que move na Justiça Federal de Bauru (SP). Por isso é que sua advogada recorreu ao CNJ, levando o ministro Salomão a encaminhar o pedindo de informações à Vara de Curitiba. Moro e MPF barraram as investigações da Polícia Federal A investigação em torno das ilegalidades da Lava Jato de Curitiba chegou a ser iniciada, ainda em 2017, após a segunda sindicância – 04/2015 – confirmar o grampo e localizar os diálogos gravados por Werlang. Na ocasião, a Corregedoria Geral da Polícia Federal (COGER/DPF), por meio da sua Coordenadoria de Assuntos Internos (Coain), instaurou o inquérito IPL 01/2017. Teoricamente ele apuraria as responsabilidades criminais de Werlang, a partir da sua própria confissão. Na realidade, presidido pelo delegado Marcio Magno Xavier, a investigação iria além. A ideia era verificar o possível envolvimento dos delegados de Curitiba no grampo ilegal, além de outras irregularidades, como as relações heterodoxas com a informante Meire Poza, ex-contadora de Youssef. Tanto assim que Xavier requisitou autorização judicial para fazer busca e apreensão nos gabinetes dos policiais federais da Força Tarefa. Não conseguiu e atraiu a ira de Moro e dos procuradores da República. Como resumiu Werlang na entrevista à TV 247, ao perceber que o delegado poderia descobrir “a farsa montada” no início da operação, o procurador regional da República Januário Paludo, “com um parecer esdrúxulo”, correu para arquivar a investigação: “O delegado Marcio Xavier percebeu que tinha que ser tudo refeito, vamos dizer assim. Ele teria que refazer toda a investigação porque havia indicativos de que tudo foi combinado pelo pessoal da Lava Jato para sustentar a narrativa falsa de que não houve o grampo, de que não foi demandado pelo pessoal da Lava Jato (…) o Paludo percebeu que o delegado Marcio Xavier estava indo nessa linha e ia derrubar a tese que eles (o pessoal da Lava Jato) tinham montado para esconder esse grampo”, explicou o agente aposentado. O procurador regional, nas explicações de Werlang, recorreu a “um parecer esdrúxulo” e “desesperadamente pediu o encerramento desse inquérito, o que causou uma estranheza por parte do delegado Marcio Xavier. É outra coisa que tem que ser investigada. Para mim foi uma prevaricação muito séria”. O arquivamento foi conseguido junto ao juízo da 23ª Vara Federal, como noticiado em MPF-PR e Moro barram investigações contra PF-PR. Não foi a primeira vez que os procuradores, oficialmente considerados fiscais da lei aos quais cabe também exercer o “controle externo da polícia”, impediram que possíveis crimes cometidos pelos federais na Lava Jato fossem investigados pela corregedoria do DPF. Anteriormente contaram com a ajuda de Moro. No início de 2017, o IPL 0005/2016 (Processo nº 5053382-58.2016.4.04.7000) também foi açodadamente arquivado pelo juiz da 13ª Vara Federal. Era a investigação sobre as relações da ex-contadora do doleiro Youssef, Meire Poza, com a Força Tarefa de Curitiba. Pouco antes de a Operação ser deflagrada no início de 2014, Meire, sentindo-se ameaçada pelo doleiro, resolveu denunciá-lo à polícia. Procurou a Polícia Federal, mas não chegou a ser ouvida oficialmente. Só depois é que foi procurada pelo delegado Anselmo Adriano, já a frente da Lava Jato. Tornou-se informante dele e do próprio Moro. Repassou informações e documentos aos quais tinha acesso em função do trabalho de contadora. Appio desarquivou IPL no qual delegado queria investigar Força Tarefa Depois se sentiu abandonada e amedrontada, inclusive quando um incêndio criminoso atingiu seu escritório, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Nessa época, julho de 2016, aceitou prestar seu primeiro depoimento oficial – ao procurador Regional da República de São Paulo, Osório Barbosa – sobre a sua relação com a Força Tarefa de Curitiba – Enfim, a contadora e informante infiltrada da Lava Jato foi ouvida oficialmente. Após tudo isso, foi denunciada pela mesma Força Tarefa. Condenada, anunciou que pediria proteção do governo – Quem com ferro fere… Força Tarefa da Lava Jato pode tornar-se alvo de delação premiada. Sua defesa chegou a requerer a anulação de toda a Operação Lava Jato – “Delatora” pede a Moro anulação da Lava Jato. O arquivamento do IPL que investigava as relações dela com a chamada Republica de Curitiba, foi feito pedido pelos procuradores e concedido por Moro. Ocorreu após o delegado Xavier requisitar autorização judicial para a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos “de cerca de uma dúzia de delegados e agentes policiais federais que trabalharam na Operação Lavajato em Curitiba, entre fevereiro de 2014 a agosto de 2016”. Na ocasião, Xavier relacionou mais de 40 números de celulares e cerca de 30 endereços de e-mails de onze alvos: seis delegados, dois agentes de polícia, um escrivão e dois civis (Meire e seu ajudante). O impedimento da investigação deu-se em 2016/2017. Como o IPL estava em segredo de Justiça, só foi possível descobrir a solicitação do delegado pela quebra dos sigilos telefônico e telemático dos federais de Curitiba, em maio de 2023 quando o juiz Eduardo Appio, então à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, desarquivou o caso, tal como informado em Appio desarquiva investigação que Moro abafou. No entendimento que Werlang expôs na entrevista à Bom Dia da TV 247 na quarta-feira, será pela análise desses dois inquéritos presididos por Xavier e arquivados sumariamente pelos procuradores da República que a Corregedoria Nacional de Justiça poderá descobrir detalhes das irregularidades que ele e Fanton apontaram na Lava Jato. São investigações paralelas. Uma delas, inclusive, nem tramitou na 13ª Vara Federal, mas na 23ª Vara. O alerta, portanto, foi dado. Cabe agora ao ministro Salomão correr atrás dessas peças processuais. *Jornalista Foto de capa: Sérgio Moro - Foto Lula Marques / Agência Brasil Publicado originalmente no Blog do Marcelo Auler Repórter. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Você sabe por que o agro é pop, é tec é tudo?

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Você sabe por que o agro é pop, é tec é tudo?
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Por Paulo Lindesay* Na década de 90, no governo de Fernando Henrique Cardoso, a lei Kandir era um dos principais pilares da política do seu governo. Consistia em aumentar as exportações dos produtos brasileiros, através de benefícios para as grandes empresas exportadoras de produtos primários e semielaborados, com imunidade de ICMS. Entretanto, o ICMS é o principal tributo dos estados, não do Governo Federal. Criou-se então um artifício pelo qual os estados deixavam de cobrar o tributo, depois lhes transferia os recursos equivalentes. Entre 1999 e 2018, as empresas exportadoras deixaram de pagar aos estados, a título de imunidade de ICMS, cerca de R$ 637 bilhões. No mesmo período, a União repassou aos estados, através das transferências obrigatórias consolidadas [1], pouco mais de R$ 45 bilhões ou cerca de 7% das receitas devidas, de acordo com dados oficiais do Tesouro Nacional. Se deflacionarmos (IPCA/IBGE)[2] , os valores entre junho de 2018 e maio de 2024, chegaremos a mais de R$ 886 bilhões. Em maio de 2020, o plenário do STF homologou o acordo de compensação das perdas de arrecadação decorrentes das isenções do ICMS segundo a lei Kandir. A União, nos termos desse acordo, deverá repassar em parcelas anuais aos Estados e seus Municípios, pouco mais de R$ 65 bilhões em 17 anos (2020 a 2037) referentes a uma dívida (atualizada pelo IGP-DI, até junho de 2018), de R$ 637 bilhões. Isso é acordo ou um crime de lesa-pátria? Em 2020, o Senado Federal aprovou o acordo infame, convertido na lei complementar n 0 176/2020, que, além, das transferências, prevê leilões dos Blocos de petróleo de Atapu e Sépia, com repasse dois bilhões de reais. Com a revogação do Art. 91 do ADCT e sem a revogação da Lei Kandir, os Estados e Municípios continuarão a amargarem prejuízos ainda maiores porque não haverá mais a compensação por parte da União das perdas de receitas de ICMS. Entretanto, a Lei Kandir continuará a dar imunidade de ICMS às empresas exportadoras de produtos primários e semielaborados. Os grandes empresários do agronegócio, do setor da mineração e do setor energético são os grandes beneficiados da imunidade de ICMS. Exportam seus produtos em dólar, euro ou outras moedas estrangeiras, sem pagamento do principal imposto estadual, o ICMS, já que são produtos primários ou semielaborados. Em contrapartida, deixam um rastro de destruição no solo e no subsolo brasileiro, assim como nas florestas, devido a explorações predatórias  realizadas sobretudo pelas grandes empresas transnacionais e nacionais. Essas grandes empresas têm lucros fantásticos, mas deixam poucas divisas no território brasileiro. Pagam poucos impostos e, devido ao avanço tecnológico do setor, geram poucos empregos. Ao lado disso, sob o pretexto de flexibilizar a exigência de cobertura cambial nas exportações, o Conselho Monetário Nacional aprovou uma Medidas de simplificação na área de câmbio anteriores à entrada em vigor da Lei nº 14.286, de 2021, que autorizou[3] o Banco Central, apoiando-se na Lei nº 11.371/2006[4], a ter competência junto ao Conselho Monetário Nacional para estabelecer o percentual dos recursos de exportação que pode ser mantido no exterior, fixou um limite de 30% para isso. Em 2008, entretanto, esse limite foi elevado para 100%. A justificativa para a eliminação do limite era que isso consistia em importante instrumento econômico e gerencial para as empresas exportadoras, contribuindo ao mesmo tempo para uma melhor inserção do País no mercado internacional. É um imperativo em favor da Sociedade brasileira que a Lei Kandir seja revogada, diante dos prejuízos que continuará trazendo às receitas estaduais passadas, presentes e futuras, de ICMS. De fato, entre 1999 e junho de 2018, a União deixou de repassar aos Estados, pelas transferências obrigatórias, a título de imunidade de ICMS às empresas exportadoras de produtos primários e semielaborados, cerca de R$ 637 bilhões. Nesse período, a União repassou aos Estados através das transferências obrigatórias consolidadas pouco mais de R$ 45 bilhões, o equivalente a pouco mais de 7% do total de receitas não pagas de ICMS, de acordo com dados oficiais do Tesouro Nacional. No caso do Estado do Rio de Janeiro, em 2017, o repasse foi de pouco mais de R$ 1,8 bilhão, com uma perda de receita de ICMS acumulada entre 1999 e junho de 2018 no montante de cerca R$ 34 bilhões. Se deflacionarmos os valores entre junho de 2018 e maio de 2024, essa perda alcançará a cifra de aproximadamente R$ 70 bilhões. Em 2022, o governo Bolsonaro piorou ainda mais a situação financeira dos Estados ao aprovar a Lei Complementar 192/22[5] 5 , que isentou do pagamento de ICMS combustíveis e outros produtos. Jogando essa conta no colo dos governadores. No caso do Rio de Janeiro, a perda de receita de ICMS apontada no projeto de lei Orçamentária de 2023 ficou entre R$ 5 bilhões e 10 bilhões. Essa conta será paga pela população fluminense. É nesse contexto que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está submetendo ao Congresso um projeto de lei para que os estados paguem suas dívidas à União. Não seria o caso de fazer uma compensação com o estoque histórico de dívidas da União para com os estados, mesmo por que a maioria deles não tem recursos sequer para cumprir suas mínimas funções constitucionais? E não seria o caso, também, de os governadores assumirem uma posição menos submissa ao Governo federal, não fazendo descaso desses direitos? No caso do Estado de Minas Gerais, o governador Zema, renunciou a uma receita de mais de R$ 135 bilhões de receitas de ICMS, da Lei Kandir, que poderiam ser trocadas pela dívida do estado de Minas Gerais. Hoje uma dívida pública, devida a União, equivalente a mais de R$ 160 bilhões. Os governadores não deveriam questionar essas dívidas públicas estaduais ilegais, ilegítimas e odiosas? Dívidas gestada por elas mesmas. Ilegalidades jurídicas, apontadas pela sumula 121 do STF. O chamado anatocismo, juros sobre juros. No caso do Estado do Rio de Janeiro, precisamos exercer o nosso direito constitucional do cumprimento ao Art. 36 dos Atos Diretos Constitucionais Transitórias. Auditoria com participação cidadã da dívida pública do Estado do Rio de Janeiro. * Diretor da ASSIBGE-SN/Coordenador do Núcleo Sindical Canabarro Coordenador do Núcleo da Auditoria Cidadã RJ. Foto: Cédulas de Reais - Banco Central do Brasil [1] https://www.tesourotransparente.gov.br/consultas/transferencias-constitucionais-realizadas [2] https://www.ibge.gov.br/explica/inflacao.phpdeu [3] https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/politica_cambial/texto_tecnico/Medidas_Simplificacao_Area_de_Cambio.pdf [4] https://www.planalto.gov.br/cciviL_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11371.htm [5] https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp192.htm Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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“Um caos crescente que ameaça toda a vida”

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“Um caos crescente que ameaça toda a vida”
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Por César Benjamin (do Facebook do autor) Todos estamos acompanhando a evolução da crise política americana, que teve ontem um novo evento grave, com o atentado contra Donald Trump. O candidato ficou levemente ferido, mas correu risco de vida, pois um dos disparos transpassou sua orelha, a um centímetro do cérebro. Duas pessoas morreram – uma delas, o próprio atirador – e uma está gravemente ferida. Especula-se, cada vez mais, sobre o crescimento de movimentos separatistas e até mesmo sobre a possibilidade de uma guerra civil nos Estados Unidos, dado o grau de deterioração de sua sociedade e de suas instituições. Espero que esta última hipótese não se concretize, numa sociedade cada vez mais polarizada, dividida em seitas, inundada pelo ódio, o racismo e a ignorância, em que dezenas de milhões de pessoas guardam arsenais de guerra nas despensas de suas cozinhas. Seria uma tragédia. Seja como for, o sonho americano acabou. Dali, não vem mais nenhuma veleidade civilizatória, nem como farsa. Para manter girando uma economia assentada em uma pirâmide financeira, com um endividamento galopante e impagável, os Estados Unidos dependem, cada vez mais, de fomentar guerras e tensões pelo mundo. Quando lemos que eles (ou seus capachos europeus) vão enviar mais dezenas de bilhões de dólares para a Ucrânia, devemos entender que vão injetar esses bilhões na sua própria indústria de armamentos, fornecedora dos uranianos. A guerra na Ucrânia já perdeu todo o sentido. O plano americano – de usar o país como ponta de lança de uma desestabilização profunda da Rússia, necessária para desafiar a China em seguida – deu errado. A Federação Russa soube se defender. Resta uma fulminante escalada da confrontação, em direção ao apocalipse. Os defensores desta alternativa existem e podem prevalecer. Passou o tempo em que os Estados Unidos redesenhavam soberanamente o mapa-múndi, desagregando sociedades, fabricando vilões universais, criando e desmontando países em nome da liberdade. Para a potência em declínio, trata-se agora, apenas, de prolongar um morticínio muito lucrativo e, se possível, criar outros. Tudo acobertado, no Ocidente, por um controle absoluto dos meios de comunicação, que criam a cobertura ideológica necessária para a marcha da insensatez. Uma economia decadente, uma sociedade cada vez mais fraturada e um sistema político podre – mas ainda muito poderosos – estão projetando, no mundo, um caos crescente que ameaça toda a vida. *César Benjamin, via Facebook: cientista político, editor e político. Foto: Atentado contra Donald Trump / AP Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.  

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Machismo e ignorância ganham aplausos em igrejas

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Machismo e ignorância ganham aplausos em igrejas
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Por Edelberto Behs* O Brasil tem figuras que simplesmente cabem melhor nos séculos XVIII ou XIX, mas estão longe do século XXI. Dizem cada bobagem e defendem heresias de fazer corar Jesus junto ao poço com a mulher samaritana. E tem, inclusive, representação no Congresso com uma bancada forte, a evangélica, que defende castigo maior para a mulher estuprada do que pena ao estuprador.   Em pleno 2024, o pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, a mesma da ex-ministra e senadora Damares Alves, que via Jesus na goiabeira, disse, em culto, alertando pais, e ainda por cima aplaudido, que não enviassem seus filhos à universidade. “Vai vender picolé na garagem” que é melhor, recomendou. Filha, então, é criada para ser mulher santa, família, cheia de Deus, mas jamais para “virar vagabunda”, o que vai acontecer se ela for universitária.   Numa toada um pouco diferente, mas machista como Valadão, referida em outro período, foi a recomendação do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Ao apresentar sua família, num culto, defendeu que nenhuma mulher deveria estudar mais que o marido, porque a mulher não pode ser a cabeça da família. Onde isso acontece, o casamento está fadado ao fracasso e à infelicidade. Mulher nessas condições serve a si mesma e não a Deus.   A IURD está relacionada, inclusive, a partido político, o Republicano, liderado pelo bispo Marcos Pereira, e tem 565,3 mil filiados. No Congresso Nacional, conta com uma bancada de 41 deputados e quatro senadores. Integra, evidentemente, a bancada evangélica, aquela que condena a mulher que engravida de um estupro, mas que fecha os olhos para o estupro de meninas, adolescentes, praticado por pastores. [caption id="attachment_15182" align="aligncenter" width="1200"] Deputados evangélicos em culto na Câmara Federal. Foto: David Ribeiro/Agência Câmara.[/caption]   É surrealismo em demasia, que busca embasamento em passagens bíblicas, escolhidas de modo a sustentar o seu fundamentalismo, sem qualquer correlação com o contexto da época em que foram colhidas e os tempos atuais. Esses pastores deveriam, de forma coerente, deixar de usar energia elétrica e recorrer a lampiões, esquecer seus carrões, ou até mesmo aviões, e recorrer a mulas e cavalos. *Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).  Charge: danibado.tumblr.com Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Eleições para consertar a confusão

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Eleições para consertar a confusão
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Sobre quem é Keir Starmer, o novo primeiro-ministro, um amigo me enviou um texto esclarecedor escrito pelo cineasta Ken Loach e que diz a certa altura: " o que não está claro para quem não mora na Inglaterra é que hoje o Partido Trabalhista não é o partido dos trabalhadores, mas o das grandes empresas. É o partido dos grandes negócios. O seu líder, Keir Starmer, é um oportunista. Por Celso Japiassu* As eleições gerais no Reino Unido em 2024 marcaram uma virada na política britânica. O Partido Trabalhista liderado por Keir Starmer, um líder sem carisma, segundo os cronistas da imprensa, advogado especializado em assuntos ligados aos direitos humanos, conquistou uma vitória esmagadora e elegeu 408 dos 650 deputados, alcançando a maioria absoluta no Parlamento após 14 anos fora do poder. O Brexit foi um tema central durante a campanha, com os conservadores enfatizando suas ações para lidar com a crise econômica pós-Brexit, enquanto os trabalhistas propuseram investimentos em energias sustentáveis para impulsionar a economia. Os eleitores parecem ter expressado sua insatisfação com os efeitos do Brexit e optaram por uma mudança de rumo político. A derrota dos conservadores, que elegeram apenas 112 deputados, é considerada um "cataclismo na política britânica". Os jornais foram praticamente unânimes em chamar o resultado eleitoral de "landslide", que pode ser traduzido por avalanche. Os trabalhistas enfrentam agora a pressão eleitoral do Partido Reformista de Nigel Farage, de extrema direita, que elegeu deputados e pela primeira vez vai estar representado no Parlamento. Keir Starmer terá de resolver dilemas difíceis, entre eles a relação com a União Europeia pós-Brexit. As eleições também destacaram problemas como a economia pós-pandemia, a questão da imigração e os desafios no sistema de saúde, que já foi um dos orgulhos ingleses e hoje enfrenta uma crise. Com um novo primeiro-ministro, o Reino Unido se prepara para lidar com as consequências do Brexit e os desafios econômicos e sociais que o país enfrenta. As consequências do Brexit A falta de comida nos supermercados, restaurantes fechando as portas e as fábricas interrompendo a produção fizeram os mais velhos se recordarem dos anos da Segunda Guerra, quando os aviões alemães faziam blitzes aéreas e bombardeavam as cidades inglesas. Só faltavam as sirenes de alarme para a montagem de um cenário mais realista a reproduzir os dias de 1940 quando foi travada no céu de Londres a Batalha da Inglaterra. Era a ressaca do dia seguinte em contraste com as passeatas que comemoraram a saída do Reino Unido da União Europeia, depois de uma avassaladora campanha de opinião pública promovida pela direita e a extrema direita. Os problemas na cadeia de abastecimento depois do fechamento das fronteiras fizeram os empresários pedirem uma ação urgente do governo. A deliciosa "smoothie", uma bebida feita com morangos e banana, começou a faltar no McDonald's, bem como todas as bebidas engarrafadas nas 1.250 lojas da cadeia no Reino Unido. A rede Nando's fechou 50 dos seus restaurantes por falta de frango e os restaurantes de luxo Novikov avisou que estava ficando sem carne. Segundo a associação empresarial CBI-Confederation of British Industry,  os estoques no varejo chegaram ao menor nível dos últimos 40 anos. A falta de suprimentos para o consumo da época de Natal trouxe preocupação. O Reino Unido teve de lidar com as consequências da bem-sucedida campanha da direita em 2020. Sem contar os conflitos de interesse com a Irlanda e a Escócia, que são parte do Reino Unido. Problemas que afetaram negativamente a recuperação da economia. Os trabalhadores estrangeiros passaram a ter dificuldades para obterem visto de entrada. Eles são a principal força de trabalho da organização logística do país, pois os britânicos recusam os trabalhos de longa jornada e baixos salários. A escassez dessa mão de obra começou a provocar grande desorganização em toda a cadeia de abastecimento. O Brexit significou o fim da livre circulação de pessoas, a criação de controles aduaneiros e a limitação de serviços que antes fluíam de um lado para o outro sem grandes restrições. Os ingleses também reclamam que ficaram mais caras as compras feitas pela internet em países da União Europeia. Os empresários protestam contra o aumento da burocracia e da papelada que agora é exigida para os negócios com a Europa, além da queda de 41 por cento nas vendas de exportação. Trapalhadas Na origem de tudo esteve a descrença dos próprios ingleses na vitória do Brexit. Os defensores da saída da União Europeia não confiavam na própria campanha e David Cameron, primeiro-ministro na época e que convocou o plebiscito sobre a retirada, não preparou o país para essa possibilidade. Os ingleses sempre se sentiram superiores ao resto da Europa. Não se consideravam parte do que eles chamam até hoje, com uma certa displicência, de "o continente". Há uma anedota que ilustra esse sentimento. Num dia de pesado nevoeiro que cobria o Canal da Mancha, os jornais ingleses deram manchete em grande tipologia:  Nevoeiro no Canal: o continente isolado. Ancorada numa poderosa Marinha, a Inglaterra construiu um império que já no Século 18 lhe dava grande prestígio e força internacionais, mesmo depois de ter perdido sua rica colônia americana. Era tão vasto o seu império que nele o sol nunca se punha, dizia-se. Sua estratégia geopolítica teve sempre como objetivo evitar que no continente europeu surgisse uma potência rival. A Inglaterra foi palco da revolução industrial que ampliou a sua influência e só com a chegada do século XX a Alemanha e os Estados Unidos vieram a fazer sombra ao seu poder. O esforço que lhe custou sair como uma das nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial afetou a sua força e os movimentos de independência na Índia e na África enfraqueceram a espinha dorsal do grande e poderoso império. Na década dos anos 1950 os países da Europa ganharam a consciência de que a união entre eles poderia gerar uma escala capaz de competir com as duas superpotências que disputavam então a hegemonia mundial, os Estados Unidos e a União Soviética. A ideia não sensibilizou os ingleses e Churchill resumiu sua posição: "nós britânicos temos a nossa própria comunidade de nações", disse ele referindo-se à Commonwealth. Sobre quem é Keir Starmer, o novo primeiro-ministro, um amigo me enviou um texto esclarecedor escrito pelo cineasta Ken Loach e que diz a certa altura: " o que não está claro para quem não mora na Inglaterra é que hoje o Partido Trabalhista não é o partido dos trabalhadores, mas o das grandes empresas. É o partido dos grandes negócios. O seu líder, Keir Starmer, é um oportunista. Ganhou a liderança do partido prometendo água, ferrovias e correios públicos, mas uma vez obtida, desconsiderou essas promessas: mais de 200 mil membros se desfiliaram depois de algumas semanas, foi uma espécie de expurgo. A tarefa de Keir Starmer era convencer os meios de comunicação de direita e a BBC de que o país estava seguro, que nada mudaria: aproximou-se cada vez mais dos conservadores, no final das eleições quase não havia diferença entre eles." *Poeta, publicitário e jornalista. Foto: Keir Starmer: Who is Labour’s next leader? | Guernsey Press Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Cultura

Programas – De 11 A 19 DE Julho

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Programas – De 11 A 19 DE Julho
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Por Léa Maria Aarão Reis - Jornalista *O programa é rejeitar a naturalização da guerra genocida do estado de Israel contra a Palestina, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Pelo menos 29 palestinos foram mortos e outras dezenas de pessoas estão feridas no mais recente ataque aéreo, esta semana, em um campo de abrigo da população deslocada e próximo aos portões da escola al-Awda, sul de Gaza. Informação das autoridades hospitalares locais à BBC. Segundo as mesmas fontes médicas, do hospital Nasser, onde os feridos foram atendidos, o número de mortos pode aumentar. *As forças israelenses patrulharam a estrada principal para o litoral, franco-atiradores ocuparam os telhados de alguns prédios altos que ainda estão de pé e tanques estavam estacionados dentro da sede da agência de refugiados palestinos da ONU, a UNRWA, disseram os moradores. Motivo segundo Israel: combatentes do Hamas e da Jihad Islâmica se encontravam no interior da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa) no município. *O exército israelense bombardeou a área em torno do hospital Shifa e a Organização Mundial da Saúde informa que os hospitais Al-Ahli e Asdiqaa Amarei estão fora de serviço e que 436 pacientes com câncer morreram devido ao cerco e à falta de cuidados desde o início da guerra, relata a Al-Jazeera. *Milícias de colonos israelenses com o apoio de soldados incendiaram campos agrícolas palestinos em Turmus Aya, na Cisjordânia ocupada. Os colonos também atacaram a aldeia de Burqa, a leste de Ramallah, e queimaram propriedades em Kafr Ni’ma, onde decepam oliveiras de agricultores palestinos próximo da montanha Al-Risan. *Em meio à intensificação do repúdio de populações ocidentais aos ataques israelenses à Palestina, o programa é pesquisar o ditado popular que fala de “quem não tem vergonha na cara”: os impudentes e os caraduras. Nota disponível no portal oficial do governo de Minas Gerais, esta semana, registra uma movimentação governamental entre aquele estado e Israel, “declaração de cooperação entre Minas e Israel para fortalecer a relação” e “promover atividades em conjunto, com perspectivas de cooperação entre as partes”. *Sobre as complexas negociações que transcorrem em Paris, após o segundo turno das eleições francesas, domingo último, frase de autoria da ambientalista Marine Tondelier, líder do Partido Verde e participante do grupo vitorioso da Nova Frente Popular (NFP), sobre acordos possíveis entre o governo e as esquerdas: “Não vai ser simples, não vai ser fácil, e não, não vai ser confortável; vai levar um pouco de tempo”. *Lançamentos literários recentes para leitura de férias de meio de ano: José Genoino: Uma Vida Entrevista de Salvio Kotter e Nicodemos Sena; Lawfare Nunca Mais: a Voz das Vítimas (Volume 2) de Salvio Kotter e Henrique Pizzolato; Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista de Breno Altman; e Por trás das chamas – Mortos e desaparecidos políticos – 60 anos do golpe de 1964, de Carlos Tiburcio e Nilmario Miranda. *O diretor Sylvio Tendler filmou a trajetória do ex-sindicalista e ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. O título: O Caso Pizzolato – Por uma questão de Justiça. Consta que já há sessões especiais dessa produção. *Bonito-Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano se inicia no próximo dia 19 e vai até 27 deste mês, na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul. Abre o festival o clássico Selva Trágica, de 1963, de Roberto Farias, que denuncia as desigualdades sociais no campo e a exploração dos trabalhadores no cultivo da erva-mate. O ator Reginaldo Faria, no elenco, será homenageado, e Lucélia Santos e Johnny Massaro apresentam a cerimônia de abertura. *Já o Festival de Cinema de Vitória, Espírito Santo, começa dia 20 e vai até 25 deste mês com 78 filmes longas e curtas, debates e atividades de formação cinematográfica. Os homenageados são Lázaro Ramos e Suely Bispo. Confira a programação completa clicando aqui. Veja Também:  Eleições para consertar a confusão *Outra festa do cinema no horizonte: a homenagem ao Cinema Novo pela Academia Brasileira de Cinema, quando serão anunciados os finalistas do Prêmio Grande Otelo. Dia 28 de agosto na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Os filmes com mais indicações são Mussum, o Filmis, de Silvio Guindane, e O Sequestro do Voo 375, de Marcus Baldini. Clique aqui para ver a lista completa de indicações. *E há também a animada 8 e meio/ Festa do Cinema Italiano Brasil em sua 11ª. edição que foi prorrogada e está entrando este mês adentro com seus dez filmes pipocando em várias cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Aracaju, Florianópolis, Niterói, Ribeirão Preto, Vitória, Maceió, Palmas são algumas delas. O festival coincide com a estreia, nos cinemas, do excepcional e imperdível filme de Marco Bellocchio, O sequestro do Papa, no próximo dia 18. *Na edição deste ano do Prêmio Jabuti Acadêmico, da Câmara Brasileira do Livro, há três trabalhos que concorrem como finalistas entre os cinco escolhidos. Na categoria Artes, Milton Nascimento nos Trilhos da América Latina, de Fernanda Paulo Marques, e Uma Hollywood brasileira, de Carlos Roberto de Souza. Na Categoria Filosofia, Hume, a justiça e o pensamento político moderno, de Maria Isabel Limongi. O nome Jabuti, escolhido em alusão à emblemática tartaruga da obra de Monteiro Lobato, simboliza a tenacidade e a capacidade de superação de obstáculos. *O Jabuti pretende reconhecer e homenagear autores, capistas, ilustradores, designers gráficos, tradutores, livreiros e editoras. Os cinco finalistas serão anunciados na próxima quinta-feira, dia 18, e as obras vencedoras em uma cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, dia 6 de agosto. *Alerta: a Universidade Indígena Pluriétnica Aldeia Marakanã, da UFRJ, localizada no bairro do Maracanã, Rio de Janeiro, comunica ser alvo de ataque injusto e ilegal por parte da Justiça Federal que decretou o despejo, até amanhã, dia 12, de todas e todos os indígenasque ali residem. Ou seja: 14 famílias de diversas etnias (com adultos, crianças e idosos), que desenvolvem o trabalho de resistência e manutenção das culturas indígenas. *Em comemoração aos 40 anos do movimento Diretas Já, o escritor e professor de Direitos Humanos Leonardo de Moraes lançou Tia Beth, livro que trata, de forma ficcional, do desaparecimento do cantor e poeta Tavinho, filho de tia Beth, durante a ditadura civil-militar. A história relata como sua mãe revive a tragédia familiar, anos depois. Apesar de a protagonista ser ficcional, a obra traz relatos de familiares e amigos próximos de pessoas vítimas do regime militar (Editora Insígnia Editorial). *O programa é acompanhar a realização da F21, importante reunião dos grupos organizados nas favelas do Rio de Janeiro que participarão, com propostas e demandas, do G20 Social, dias 18 e 19 de novembro próximo. A primeira reunião foi na Casa Voz Vidigal, com o painel A Favela no Debate Global. “Todos os temas e discussões do G20 passam de alguma forma pelas favelas; alguns temas mais próximos da Maré, outros do Alemão, da Cidade de Deus, dos morros, das encostas. Assim a gente consegue entender a potência da favela e como somos capazes de fazer esse tipo de discussão”, destacou Rene Silva, idealizador do F21 e fundador da ONG Voz das Comunidades. *O programa é festejar a França que não se submete. Dia 14 de julho, Vive La Republique. **Ilustração de Marcos Diniz Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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