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Eleições 2022

Equipe de Lula prevê posse sem Bolsonaro e falta de recursos para segurança
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Apesar da falta de colaboração do atual governo, transição afirma que evento está garantido. "Os responsáveis pela segurança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planejam a posse presidencial, marcada para 1º de janeiro, sem a participação do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). Eles ainda avaliam que faltam recursos para mobilizar todo o aparato necessário ao evento que recebe apoiadores do petista, curiosos e autoridades de diversos países", revela matéria de hoje, 28, da Folha de S. Paulo. A principal preocupação, segundo a matéria da Folha, é a falta de verba para pagar diárias de agentes da PF (Polícia Federal) e da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no evento, a fim de garantir a segurança do presidente eleito e do público estimado de 150 mil pessoas. Ainda assim, dizem que o evento está garantido e que esses valores podem ser acertados mais tarde com os agentes. Eles ainda estudam alternativas, como a mobilização de policiais federais que estão concluindo curso de formação na academia da corporação na capital do país", acrescentam. Uma outra preocupação destacada pela Folha era relativa ao receio do PT com as ações de fim de ano do Governo de Brasília que pudessem atrapalhar a preparação da posse, que foi descartada já que "o Governo do DF já sinalizou que não vai mais programar essas atividades festivas na Esplanada dos Ministérios". Foto - Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

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Dois atentados em menos de dois dias no ES refletem a cultura do ódio
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Uma granada plantada perto do Shopping Vila Velha e da Universidade Vila Velha no Espírito Santo foi detonada pelo Batalhão de Missões Especiais na tarde de domingo, 27. O raio-x da granada mostrou que era composta de esferas e pólvora, tendo alto risco de matar. Dois homens suspeitos foram abordados pela polícia. Um foi detido e o outro fugiu. [video width="640" height="352" mp4="https://red.org.br/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Video-2022-11-28-at-11.59.32.mp4"][/video]   Segundo atentado em dois dias Na sexta-feira, 25, um atirador de 16 anos abriu fogo em duas escolas na cidade de Aracruz. Quatro professoras e uma aluna foram mortas. Outras treze pessoas ficaram feridas. Ele usou as armas do pai que é policial militar. O atirador foi preso na tarde do mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil, ele vai responder a ato infracional análogo a três homicídios e a 10 tentativas de homicídio qualificadas até o momento. A Polícia Militar vai abrir inquérito administrativo para apurar a conduta do pai do atirador quanto ao acesso e o uso das armas no atentado. Indignação Autoridades e pessoas públicas se manifestaram em repúdio ao atentado e em solidariedade às famílias, à comunidade escolar e a cidade de Aracruz. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou o ocorrido como uma tragédia absurda. O jogador da seleção brasileira Richarlison, que é capixaba, lamentou o ataque em suas redes sociais. A atriz Elisa Lucinda, também natural do Espírito Santo, escreveu em suas redes sociais que é uma tragédia que afeta todos nós. A professora de Filosofia Márcia Tiburi refletiu sobre a cultura do ódio, dizendo "Um garoto de 16 anos só pode se tornar um assassino em meio a uma cultura de ódio. A cultura na qual o ódio é um valor. [...] A apologia da morte que fez história no fascismo europeu segue no Brasil onde pululam células e grupos fascistas e nazifascistas. Jovens estão sendo aliciados por agentes do ódio que encontram solo fértil para avançar com seu projeto de matança em massa.".


Eleições 2022

Bolsonaro reaparece e acena a apoiadores golpistas em evento de formatura no Exército

Eleições 2022

Bolsonaro reaparece e acena a apoiadores golpistas em evento de formatura no Exército
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O presidente não discursou nem falou com a imprensa, mas sinalizou apoio a manifestantes que pediam golpe contra Lula.  O presidente Jair Bolsonaro (PL) quebrou a reclusão em que estava desde as eleições e participou neste sábado (26) de uma cerimônia de formatura da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) em Resende (RJ). Foi a primeira aparição do presidente em uma cerimônia pública, desde a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até agora Bolsonaro não reconheceu a derrota, um fato inédito desde a redemocratização do Brasil. Na Aman, o presidente não discursou, nem falou com a imprensa. Na chegada, ele acenou para manifestantes golpistas reunidos do lado de fora. O grupo vestia verde amarelo, carregava bandeiras do Brasil e gritava "eu autorizo", pedindo um golpe militar contra Lula. À frente do presidente, uma faixa trazia a mensagem: "Bolsonaro, acione as Forças Armadas contra a fraude das urnas". [caption id="attachment_3029" align="aligncenter" width="800"] Bolsonaro acena para manifestantes golpistas do lado de fora da Aman em evento neste sábado (26) / Reprodução/Twitter[/caption] Comandante do Exército elogia Bolsonaro No discurso, o comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, não adotou um tom político. Mas fez elogios a Bolsonaro e agradeceu pela presença do presidente no avento. "Estou seguro de que sua [Bolsonaro] dignidade, seu culto à família, seu amor ao Brasil e fé inabalável em Deus serão referência na pavimentação dos caminhos que os jovens a sua frente trilharão a partir de hoje", afirmou o comandante do Exército. Bolsonaro não faz um pronunciamento público desde 2 de novembro, quando divulgou um vídeo pedindo que apoiadores desbloqueassem rodovias. Na mensagem, o presidente endossou os protestos antidemocráticos, mas pediu que o "direito de ir e vir" fosse respeitado. Notícia publicada originalmente em Brasil de Fato. Foto de Bolsonaro ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão em evento da AMAN neste sábado (26) - Isac Nóbrega/Presidência da República.

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Mussolini, como Paradigma da Extrema–Direita Atual

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Mussolini, como Paradigma da Extrema–Direita Atual
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De JORGE ALBERTO BENITZ* Assisti a série “Ditadores” no canal de TV da National Geographic sobre Mussolini. É uma série muito esquemática, maniqueísta, que rotula ao bel prazer de ditador inimigos ideológicos e cala, por exemplo, sobre o regime da Arábia Saudita. Sobre as ditaduras que eles, norte-americanos, colocaram aqui na América Latina nos anos 60 e 70 do século passado, nenhum pio. Retomando, o documentário Mussolini, fora as ressalvas acima mencionadas, é interessante pela riqueza documental de imagens e informações do período em que Mussolini mandou e desmandou na Itália. Imagens e relatos do Mussolini socialista que escrevia no jornal socialista Avanti!, atuação que acabou quando ele se viu tolhido pela direção do jornal de defender a entrada da Itália na primeira guerra. Depois de fundar o jornal Poppolo D’Itália, pôde pregar a vontade a favor da entrada da Itália na Primeira Guerra, ao lado da Tríplice Entente. Militância mais de acordo com a sua admiração pela violência, que se completou assim com a sua adesão a extrema direita ao lado dos integrantes do movimento futurista e dos, após o fim da primeira guerra, ex- combatentes nostálgicos dela. Como consequência, iniciou- se um festival de fanfarronice e delírios que o levaram a servir de modelo a outro ditador fascista chamado Hitler. Quando Hitler ascendeu ao poder em 1933, ele já tinha 11 anos de governo. Hitler copiou, inclusive, a famosa saudação nazista e não o contrário, como muitos supõem. Copiou também a marcha para Roma liderada por Mussolini que consistiu de uma bem urdida estratégia de marketing para representar força e poder. O blefe deu certo. Tanto que o Rei Vitor Emanuel III, assentiu em nomeá- lo, em 1922, primeiro-ministro como era o propósito da marcha. Assentiu, talvez, por fraqueza e ou por entender que este era o único caminho para sustar a revolução. O tal botão vermelho que o capitalismo aciona diante de uma crise pesada. Daí em diante, o céu era o limite para Mussolini e sua falange fascista. Integrante, junto com a Alemanha, do bloco dos países do capitalismo tardio, sentiu a necessidade imperialista de expansão e partiu para a conquista do único país ainda não conquistado pelas grandes potências europeias, na África, a Etiópia. Foi uma conquista pirroniana, isto é, além de utilizar dos meios mais sórdidos para vencer - usou gás mostarda condenado pela sua inumanidade desde o fim da primeira grande guerra -,  e, segundo informado no documentário, além de matar em torno de 400 mil etíopes, levou a Itália à bancarrota. Não satisfeito, empreendeu como aliado das forças do eixo, já na segunda grande guerra, uma incursão desastrada no norte da África com o exército saindo do embate derrotado e escorraçado.   Depois disso, desandou sua imagem de líder na Itália. Para que serve um líder que só perde batalhas, que fez a economia piorar nestes anos todos de poder quase absoluto. Teve direito ainda a uma fuga espetacular da cadeia – onde foi colocado, em 1943,  pela próprio Grande Conselho do Fascismo, mancomunado com o rei Vitor Emanuel III – onde posou mais de coadjuvante das forças especiais alemãs que o resgataram da prisão de San Grasso, para menos de dois anos depois ser pego pelos partisans que o julgaram e o enforcaram em praça pública, junto com sua amante  Claretta Petacci, em Mezzegra, Itália, em 28 de abril de 1945. Após, seus corpos foram levados para Milão e expostos, pendurados de cabeça para baixo, na Praça Loreto. O documentário, a despeito de suas limitações, me permitiu perceber que o script fascista de Mussolini, inspirador de Hitler, parece inspirar as propostas fascistas contemporâneas aqui e acolá. Estes últimos, provavelmente, via os Steve Bannon e Olavos de Carvalho da vida,  copiam e colam, sem mudanças significativas em termos de conteúdo, as estratégias e táticas de Mussolini – Alteram a forma para dissimular e dar uma cara mais apropriada aos dias de hoje e, ao mesmo tempo, buscando esconder as similaridades com o fascismo - como o uso descarado da mentira, o ataque a cultura travestido de ataque ao marxismo cultural quando, de fato, ataca as bases iluminis tas ocidentais, encarnadas na tríade,  gestada na revolução francesa,  assentada no lema igualdade, liberdade e fraternidade; ataca a  educação como base doutrinária da ideologia fascista, o ataque físico e psicológico aos inimigos ideológicos – que são os mesmos de Mussolini, os comunistas. Só que com uma releitura contemporânea. Como existem poucos comunistas, diferente da época em que Mussolini viveu, onde havia um partido comunista forte na Itália, fazem uso do termo para todos os que pensam diferente –  e mesmo aos que os apoiavam e agora pensam diferente; as manifestações truculentas visando demonstrar força e poder; a promoção de eventos públicos com discursos e estética com símbolos bélicos exposição de armas, cartazes e gritos com  slogans antidemocráticos vis ando amedrontar a população em geral e os inimigos ideológicos, em especial. A receita da extrema direita atual é a mesma. Por exemplo, o Sete de Setembro de 2021 de Bolsonaro, que tinha a pretensão de imitar a Marcha de Roma, resultou em um traque. Agora, com a derrota, agem como aquelas crianças mimadas que, quando não conseguem o que querem, ficam batendo pé e fazendo barraco com a cara emburrada porque não aceitam ser contrariadas.  Como não tem nenhum compromisso com a democracia e com valores civilizatórios ficam clamando até aos extraterrestres para a volta da ditadura. Repito o que já disse no meu Facebook: “Como eles não tem contato nenhum com a realidade, tentar fazer contato com extraterrestes (ETs) faz todo o sentido do mundo. Eles vivem em um mundo paralelo bizarro”. *Engenheiro, escritor e poeta. Autor do livro Conversas de Livraria & Avulsas, Editora Palmarinca (2017). Imagem - reprodução de vídeo do grupo de bolsonaristas fazendo 'ritual' com luzes em Porto Alegre em 20/11/22. As opiniões emitidas nos artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da Rede Estação Democracia.

Geral

25N: Dia de luta pelo fim da violência às mulheres, veja a origem da data e os desafios atuais, por Brasil de Fato

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25N: Dia de luta pelo fim da violência às mulheres, veja a origem da data e os desafios atuais, por Brasil de Fato
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Para a ativista da Marcha Mundial de Mulheres, é preciso combinar as denúncias com a criação de novas relações sociais. Estabelecido, desde 1981, como o dia internacional de luta pelo fim da violência contra as mulheres, o 25 de novembro traz à tona, neste Brasil de 2022, aspectos antagônicos sobre o tema. As estatísticas reforçam, ano a ano, a gravidade e o tamanho do problema, que atravessa geografias e classes sociais. A cada hora, no Brasil, seis meninas ou adultas são estupradas e 26 mulheres são agredidas fisicamente. Os números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, que aponta ainda que, das 1.341 mulheres vítimas de feminicídio no ano passado, 65,6% foram mortas dentro de casa e 62% eram negras. Além disso, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), uma travesti ou mulher trans é morta no país a cada dois dias. Ao mesmo tempo, conforme avalia Nalu Faria, psicóloga, feminista e ativista da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), o país vive um momento em que se ampliam a denúncia e a consciência acerca do assunto. “Saímos do silêncio e isso mostrou o quanto a violência é estendida em todos os espaços da sociedade: nas nossas casas e comunidades, mas também nas empresas, na política, em todos os lugares onde as mulheres buscam se colocar como sujeitos políticos autônomos”, descreve. Reconhecida em todo o mundo, a luta contra a violência às mulheres tem feito crescer, na visão de Nalu, a consciência de que ela deve se dar para além dos debates sobre o que fazer com agressores. “É importante a gente olhar, sobretudo, para como erradicar as causas da violência”, opina. A integrante da MMM entende que a “violência patriarcal” é uma dimensão de um “sistema imbricado de várias formas de opressão que combina o capitalismo, o racismo, o patriarcado, o colonialismo e a opressão da sexualidade”. Assim, ela não se manifesta só nos comportamentos individuais, mas nas relações e na própria maneira como a sociedade se estrutura. “É uma violência que se instala a partir de uma sociedade de controle, poder e dominação. Então, quando tem o aumento dos controles, por exemplo, dos territórios - seja com as empresas transnacionais, com o extrativismo, com o agronegócio e tantas outras -, há um aumento da violência contra as mulheres”, ilustra Faria. Por isso, defende, “nessa luta precisamos sempre combinar a denúncia desse modelo de opressão como um todo, a constituição de outras relações e muita” - Nalu faz uma pausa para reiterar - “muita auto-organização das mulheres”. Violência autorizada Tendo os arroubos misóginos do presidente Jair Bolsonaro (PL) como síntese caricata, Faria afirma que “existe um mandato patriarcal que autoriza os homens a serem violentos”. Para Adriana Mezadri, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), nos últimos quatro anos, o conservadorismo e o machismo foram legitimados institucionalmente, em um país cuja crise econômica e aumento da fome afeta, especialmente, as mulheres. “Além da perda de renda, no campo vivemos a perda das políticas públicas. Há uma piora nas condições de soberania alimentar das famílias e comunidades. Isso gera a diminuição da autonomia econômica das mulheres e torna a violência mais escancarada”, diz Adriana. O aumento da militarização e das armas de fogo legais no país também é citado pelas ativistas como pontos preocupantes no combate à violência sexista. Dados obtidos pelo Instituto Igarapé e Sou da Paz por meio da Lei de Acesso à Informação revelam que, durante o governo Bolsonaro, o número de armas de fogo registradas triplicou e chega atualmente a quase um milhão. Os principais instrumentos usados nos feminicídios, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, são armas brancas (50%), seguido de armas de fogo (29,2%). Na avaliação de Nalu Faria, não é coincidência que o eleitorado feminino tenha sido hegemonicamente crítico ao governo Bolsonaro e teve, portanto, um peso na sua derrota nas urnas. “Isso também é fruto da nossa luta e de um patamar de compreensão do que está em jogo para a gente ter uma vida livre de violência. E isso está conectado com ter uma vida digna”, opina. Mezadri, do movimento de camponesas, defende que o atual desafio é “construir formas coletivas de combate à violência”: “Se uma mulher é violentada, eu também sou violentada. Então como nós, coletivamente, fazemos com que a violência não seja mais tolerável?”. “Las Mariposas”: a origem do 25 de novembro A data foi escolhida como uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, brutalmente assassinadas pelo regime de Rafael Trujillo, que promoveu uma sangrenta ditadura na República Dominicana entre 1930 e 1961. As irmãs Mirabal, que ficaram conhecidas como “Las mariposas”, eram militantes contra a ditadura durante a década de 1950 e a grande comoção que houve quando foram mortas, em 25 de novembro de 1960, ajudou a desestruturar o regime. Pouco depois, em 1961, Trujillo – também conhecido como “el jefe” e cuja família chegou a ser dona de 70% das terras cultivadas do país - foi assassinado. A história das irmãs Mirabal é retratada ou citada em diversos livros e filmes. Entre eles, o romance A festa do bode, de Vargas Llosa e o livro No tempo das borboletas, da jornalista Julia Álvarez. Este último se tornou um filme de mesmo nome, dirigido por Mariano Barroso. “Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte”, teria dito Minerva Mirabal, sabendo dos riscos do seu engajamento no Movimento Revolucionário 14 de Junho. A promessa se cumpriu. Em 1981, alçando a história das três ativistas a símbolo da luta pelo fim da violência contra as mulheres, o 25 de novembro foi estabelecido durante o primeiro Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia. Em 1999, a Assembleia Geral da ONU também incorporou a data internacional. Matéria publicada originalmente em Brasil de Fato. Foto - Valter Campanato/Agência Brasil.

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Milhões de doses de vacinas contra a covid-19 estão perto de vencer, diz grupo de transição da Saúde

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Milhões de doses de vacinas contra a covid-19 estão perto de vencer, diz grupo de transição da Saúde
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O grupo de transição da Saúde do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que há milhões de doses de vacinas contra a covid-19 perto do prazo de validade. Em entrevista coletiva cedida na manhã desta sexta-feira, 25, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, o grupo listou os problemas na área da saúde na gestão do atual governo. Segundo o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, não há transparência na informações fornecidas ao grupo de transição. Elas são incompletas, sem prazos, cronogramas e locais de entrega, prazos de validade de vacinas e medicamentos. Além das vacinas contra a covid-19 perto de vencer, a baixa adesão as doses de reforço preocupam o novo governo que vê uma possível nova onda da doença no país. Máscaras voltaram ser obrigatórias em aeroportos e em transportes públicos com o aumento de casos recentes. Outro problema citado é a baixa cobertura vacinal dos imunizantes obrigatórios para crianças menores de um ano. A vacina contra a poliomielite não atingiu o público alvo durante a campanha deste ano, por exemplo. Orçamento maior do que o previsto Com todos os problemas listados e com a necessidade de reestruturação do ministério, o grupo de transição da Saúde afirmou que serão necessários R$22 bilhões a mais no orçamento da pasta do que foi definido pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). O grupo de transição é composto pelos ex-ministros Arthur Chioro, Aloizio Mercadante, José Gomes Temporão e pelo senador Humberto Costa (PT-PE).   Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agencia Brasil

Eleições 2022

Anúncios pagos no Facebook e Instagram chamam para atos golpistas e mentem sobre eleições

Eleições 2022

Anúncios pagos no Facebook e Instagram chamam para atos golpistas e mentem sobre eleições
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Publicações seguem no ar apesar de irem contra políticas de moderação da Meta e foram vistas mais de 414 mil vezes Reportagem da Agência Pública “Nós não vamos deixar um ladrão assumir nossa nação, e as Forças Armadas têm a obrigação de nos defender. Nós não estamos pedindo pra eles, nós estamos exigindo deles que nos dêem amparo”, escreveu Sergio Bolsi na página Desperta Brasil Sergio Bolsi. O post foi veiculado por uma semana, entre 15 e 22 de novembro, no Facebook, Instagram e Messenger e foi visto entre 40 mil e 45 mil vezes. Impulsionado, custou menos de R$ 100 para o anunciante. Assim como ele, a Agência Pública identificou ao menos outros 65 anúncios publicados no Facebook e Instagram por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) que não aceitam a derrota do líder nas urnas. Os textos divulgam protestos antidemocráticos e defendem um golpe para impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e já foram vistos no mínimo 414 mil vezes desde o início de novembro. Anúncios com teor golpista e que propagam desinformação sobre as eleições não são permitidos pelas políticas da Meta. Ainda assim, apenas 4 das publicações analisadas foram removidas pela plataforma até a publicação desta reportagem. Os anúncios também foram usados para propagar a narrativa falsa de que as eleições foram fraudadas, como no conteúdo postado pela página Robô Reacionário. Em um vídeo de 4 minutos, a página diz apresentar 10 fatos sobre as eleições, mas se detém em disseminar dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral e apresentar uma série de argumentos já desmentidos por agências de checagem e pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O vídeo afirma, por exemplo, que o TSE retirou seu site do ar após receber denúncias de fraude, o que é mentira. Ao final do vídeo, os autores pedem que as pessoas que duvidam do resultado eleitoral se manifestem: “o futuro de sua família e do Brasil dependem disso”. O conteúdo gerou de 100 mil a 125 mil impressões e custou entre R$200 a R$299. Ao menos outros 3 dos 20 anúncios veiculados pela Robô Reacionário em novembro chamaram as urnas de “inauditáveis” e atribuíram a eleição de Lula a uma suposta fraude. A página já gastou mais de R$ 1,7 mil com anúncios entre agosto e 20 de novembro, dos quais R$ 666 foram investidos a partir do dia 14 de novembro, véspera do feriado da Proclamação da República e de uma série de atos antidemocráticos que pedem a manutenção de Bolsonaro no poder na frente dos quarteis. A segunda semana de novembro respondeu pelo maior número de publicações impulsionadas. Entre os anúncios que buscavam chamar mais gente para os atos de 15 de novembro, um deles divulgava um ônibus gratuito entre a capital paulista e Brasília (DF): “olá amigos patriotas de #saopaulo vamos marchar rumo a #brasilia defender nosso país”. A passagem gratuita era só de ida, sem data de retorno. O conteúdo foi postado pela página Nahand, que diz ser de uma loja online, mas não tem seguidores, curtidas e nem apresenta produtos a serem vendidos. Os únicos dois posts feitos pela página são sobre política e pró-Bolsonaro. “SE QUALQUER AGENTE DE GUARDA MUNICIPAL, POLICIAIS ESTADUAIS OU FEDERAIS, TENTAREM RETIRAR AS PESSOAS DE FRENTE DOS QUARTÉIS, PROCUREM O OFICIAL DE DIA NO QUARTEL IMEDIATAMENTE! OS 3 COMANDANTES DAS FORÇAS JÁ EMITIRAM NOTA PERMITINDO AS MANIFESTAÇÕES”, orientou outra mensagem, em caixa alta no original. O anúncio foi veiculado no Instagram entre 13 e 14 de novembro e foi visto entre mil e 2 mil vezes. Ao menos outros 4 conteúdos impulsionados citaram uma nota emitida pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica como prova de que os manifestantes teriam o apoio das Forças Armadas na empreitada golpista. A nota defendeu a existência das manifestações, mas, como mostra reportagem da Pública, a Alta Cúpula do Exército não pretende colocar tanques na rua. Reprodução/Biblioteca de anúncios da Meta Diversas publicações pediram ainda que as pessoas compartilhassem as postagens sobre as manifestações —  um dos anúncios chegou a defender que mais gente pagasse por alcance na Meta, ou seja, anunciasse na plataforma. “PARTICIPE E AJUDE OS ACAMPAMENTOS NOS QUARTÉIS, OS CAMINHONEIROS, E FECHEM AS EMPRESAS, CASO CONTRÁRIO, O PREJUÍZO SERÁ MUITO MAIOR, POR 4 ANOS NO MÍNIMO! COMPARTILHE, ANUNCIE, É BARATO”, dizia o conteúdo, também escrito em caixa alta. O anúncio foi publicado pela página 15 Dias de Saúde, que diz vender suplementos com desconto. Como o conteúdo não foi classificado pelo Facebook como de “temas sociais, eleições ou política”, única categoria que permite transparência com acesso aos dados de impressões e valor gasto, não há como saber quantas pessoas viram a publicação nem quem pagou por ela. A maior parte dos anunciantes pagou menos de R$ 100 para levar seu conteúdo a mais gente, mas alguns anunciantes chegaram a desembolsar entre R$ 200 e R$ 300. Em retorno à reportagem, a Meta afirmou em nota que “diante da escala de nossos serviços, proibir determinados conteúdos não significa incidência zero” e ressaltoou que, do início da campanha eleitoral até o 1º turno, rejeitou “cerca de 135 mil conteúdos impulsionados direcionados ao Brasil de anunciantes que não haviam concluído o processo de autorização ou de posts que não continham o rótulo ‘Pago por’ ou ‘Propaganda Eleitoral’”. “Proibimos anúncios questionando a legitimidade da eleição brasileira e removemos publicações com pedidos de intervenção militar no país”, acrescentou a empresa. A Meta também afirmou que se preparou “extensivamente para as eleições brasileiras de 2022” e está comprometida em “seguir aprimorando a aplicação” de suas políticas. Políticos, lideranças religiosas e empresários do agronegócio “O agro é nosso! O agro é nosso! O agro é nosso!”, gritavam as pessoas em um dos seis vídeos impulsionados por Raijan Mascarello, que se define como um agricultor mato grossense em sua descrição no Instagram. “Não podemos deixar essa quadrilha comunista voltar a roubar nosso Brasil! Vamos lutar até o fim, mas com certeza sairemos vencedores!!!” escreveu ao compartilhar o conteúdo. Ele gastou entre R$200 e R$299 e seu conteúdo foi visto entre 50 mil e 60 mil vezes durante quatro dias de novembro (16, 17, 18 e 19). O agricultor também veiculou um anúncio com um vídeo de um suposto bloqueio de rodovia na cidade de Sapezal (MT). “Em SAPEZAL-MT tudo parado! O povo de Sapezal está de parabéns pela resiliência que está tendo!!!! Por isso que gosto dessa cidade! Tem alguns Petistas que não valem o que comem, mas a grande maioria são pessoas fantásticas!!”, escreveu. Também não foi possível identificar o alcance do conteúdo impulsionado. Além dele, uma página em nome de Lucas Vincensi, que tem apenas 1 seguidor, impulsionou no Instagram fotos de um homem segurando uma bandeira do Brasil em uma lavoura e escreveu “quando você não respeita a bandeira do seu país, oque esperar desta nação. S.O.S FFAA” (sic). O termo “SOS FFAA” (que significa socorro Forças Armadas) tem sido um dos motes dos movimentos golpistas e aparece nos anúncios, junto a outros, como “intervenção federal”, que foi citado 11 vezes. Também não foram disponibilizados dados sobre o alcance do conteúdo publicado por Vincensi. Reprodução/Biblioteca de anúncios da Meta Edmar Park também se descreve como agropecuarista e pagou entre R$300 a R$399 para a Meta a fim de impulsionar vídeos que mostram os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sendo hostilizados em evento em Nova York. O vídeo foi visto entre 125 mil e 150 mil vezes. A reportagem identificou ao menos outros 5 vídeos impulsionados que mostraram pessoas xingando os ministros em sua passagem pelos Estados Unidos. Outro conteúdo impulsionados mostra um homem que se identifica como padre dizendo que os ministros do TSE “não vão abrir os computadores para que as Forças Armadas possam ver se tem corrupção”, o que fará com que as eleições sejam anuladas. O anúncio também não foi rotulado como de temas políticos e não é possível acessar dados sobre sua dispersão. Foi publicado pela página Bolsonsristas Patriotas, que não está mais disponível. Entre os políticos, o nome de maior destaque é o do Tenente Coronel Zucco (Republicanos), deputado federal eleito em 2022 pelo Rio Grande do Sul. Ele fez ao menos três anúncios nos quais defende as manifestações e diz que as Forças Armadas “permanecerão, como sempre fizeram, ao lado do povo brasileiro”. De acordo com o Divulgacand, plataforma de prestação de contas do TSE, Zucco gastou R$167.505,00 com impulsionamento de conteúdo durante a campanha, dos quais R$163.505,00 foram pagos ao Facebook. “A mídia tradicional [está] buscando ali influenciar a grande massa contra esses manifestantes, mas o mais interessante: eles estão tentando ignorar o que aconteceu hoje no Brasil, que foi um momento histórico. Milhões de pessoas foram para a frente dos quartéis pedindo intervenção federal”, disse Eder Borges (Progressistas), vereador de Curitiba (PR) e ex-candidato a deputado federal pelo Paraná. “A única coisa certa nesse momento é que esse é o prelúdio de um Brasil em chamas”, finalizou no anúncio. Borges gastou R$34.000,00 em sua campanha em despesas com impulsionamento de conteúdo no Facebook, mas obteve apenas 9.290 votos nas últimas eleições. Anúncios golpistas ferem políticas da Meta Coordenadora de informação e política no Internet Lab, Ester Borges diz que a Meta legitima o discurso golpista ao aprovar posts pagos com esses conteúdos. “Os anúncios usam todas as ferramentas daquela plataforma para alcançar um número cada vez maior de pessoas, então, de alguma forma, a Meta está legitimando esse discurso ao aprovar um anúncio como esse”, afirma. Para João Guilherme Bastos, pesquisador de internet e política do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), esse tipo de anúncio é mais problemático do que um post comum, porque chega em mais pessoas. “Eles não simplesmente falam ‘ah, não gostei do resultado da eleição’, eles dizem que existem provas que as urnas foram fraudadas, eles dizem que teve interferência externa. Essa difusão de informações falsas impulsionada pelas ferramentas da plataforma é algo totalmente incompatível com o que em tese seria permitido”, diz. Reprodução/Biblioteca de anúncios da Meta O pesquisador aponta ainda que os anúncios nas redes são feitos de modo a atingir justamente as pessoas mais propensas a acreditar naqueles conteúdos. “Mesmo um grupo sendo minoritário, a partir do momento que você consegue atingir ele de modo direcionado e rápido, se você focar nos grupos certos você consegue perturbar um processo eleitoral”, explica. “Não é aceitável que a gente deixe isso passar”. A reportagem perguntou à Meta quantas pessoas que falam português estão dedicadas à moderação dos anúncios e quantas horas diárias elas dedicam à função, mas a plataforma não respondeu. Um porta-voz da empresa acrescentou que esses números não refletem a complexidade do trabalho da equipe de moderação, que monitora 2 milhões de publicações por dia mundialmente. Foto destacada: Valter Campanato/Agência Brasil Reportagem de Laura Scofield

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