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Bolsonaro é indiciado pela PF

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Bolsonaro é indiciado pela PF
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Com informações da Folha de São Paulo e de O Globo Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de crimes de associação criminosa (com previsão de pena de reclusão de 1 a 3 anos, lavagem de dinheiro (3 a 10 anos) e peculato/apropriação de bem público (2 a 12 anos). Se condenado em todos os processos, a pena pode variar entre 6 e 25 anos. Segundo juristas, ainda que Bolsonaro seja réu primário, em caso de condenação haverá agravantes, como a prática de "associação criminosa", entre outros delitos, o dificilmente acarretará a imputação de pena mínima. O relatório da PF agora vai para a análise da Procuradoria Geral da República que pode pedir mais diligências ou já apresentar denúncia (acusação formal). Só depois dessa etapa a Justiça avaliará se os suspeitos se tornarão réus. Segundo informações obtidas junto a aulxiliares da PGR, para que não haja acusação de politização, dificilmente haverá manifestação formal daquele órgão antes das eleições de agosto deste ano. Além de Bolsonaro, outras dez pessoas também foram indiciadas pela PF sob suspeita de associação criminosa, como Mauro Cid, Fábio Waingarten e Frederick Wassef, o general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid, pai de Mauro Cid, e o ex-assessor Osmar Crivelatti. O ex-presidente já havia sido indiciado em março pela PF no inquérito envolvendo falsificação de certificados de vacinas contra a Covid19. Além desses dois casos, Bolsonaro é alvo de outras investigações, como as que apuram os crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023. Caso seja processado e condenado em todos esses processos, Bolsonaro poderá pegar uma pena superior a 20 anos e ficar inelegível por mais de 30 anos.  

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Moraes diz que ministros podem barrar anistia do 8 de Janeiro: ‘STF que interpreta a Constituição’

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Moraes diz que ministros podem barrar anistia do 8 de Janeiro: ‘STF que interpreta a Constituição’
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Weslley Galzo - Estadão Segundo notícia publicada hoje no Estadão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicou nesta sexta-feira, 28, que o Poder Judiciário dará a última palavra caso prospere no Congresso a proposta de anistia aos presos e envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro do ano passado. “Quem admite anistia ou não é a Constituição Federal e quem interpreta a Constituição é o Supremo Tribunal Federal”, disse Moraes durante o Fórum de Lisboa, evento promovido por instituição de ensino superior do ministro Gilmar Mendes. A anistia é defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tem sido citada nos bastidores do Congresso como moeda de troca pelo apoio do campo bolsonarista nas eleições pelas Presidências da Câmara e do Senado, em 2025. “O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária. Obviamente que quando a democracia é mais atacada e a Constituição é mais atacada o Supremo Tribunal Federal tem a missão de defendê-la e assim o fez”, disse Moraes em alusão às eleições de 2022. Moraes ainda reforçou a necessidade de regular a atuação das big techs donas das redes sociais, sob o argumento de que outros País não permitem a existência de setores sem regulação. “É um absurdo que as big techs queiram continuar sendo uma terra sem lei, sendo instrumentalizadas contra a democracia”, afirmou. “Não existe mais nenhuma dúvida que as redes sociais, as big techs, precisam ser regulamentadas e responsabilizadas. Não há dúvida disso”, completou. Foto do Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Internacional

Assange deixa prisão no Reino Unido após acordo com os EUA

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Assange deixa prisão no Reino Unido após acordo com os EUA
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História de dw.com Fundador do Wikileaks se declara culpado de acusação de conspirar para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais. Acordo permite que ele retorne à Austrália, encerrando drama jurídico de mais de uma década. O fundador do Wikileaks, Julian Assange, deixou a prisão no Reino Unido depois chegar a um acordo judicial com autoridades dos Estados Unidos que colocou fim ao seu drama jurídico de anos. "Julian Assange está livre. Ele deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh na manhã de 24 de junho, depois de passar lá 1.901 dias", anunciou nesta terça-feira (25/06) o portal WikiLeaks em seu perfil na rede social X (antigo Twitter). O jornalista já saiu do Reino Unido e estaria num avião fretado que fez um pouso em Bangkok e cujo destino é a Austrália. Mas antes ele deve passar ainda nas Ilhas Marianas para firmar o acordo com a Justiça americana. O portal afirmou que Assange, de 52 anos e nacionalidade australiana, "recebeu liberdade sob fiança do Tribunal Superior de Londres e foi liberado à tarde no aeroporto de Stansted, de onde embarcou num avião e deixou o Reino Unido". "Depois de mais de cinco anos numa cela de 2x3 metros, isolado 23 horas por dia, ele logo irá se reunir com sua esposa, Stella Assange, e seus filhos, que só conheceram o pai atrás das grades", acrescentou o portal. O Wikileaks também divulgou um vídeo que mostra Assange lendo papéis e depois subindo os degraus de um avião. As acusações que pesavam contra Assange Assange foi libertado após chegar um acordo com a Justiça americana. Ele é acusado nos EUA de, juntamente com a ex-militar Chelsea Manning, a primeira grande fonte do Wikileaks, roubar e publicar documentos secretos das operações militares americanas no Iraque e no Afeganistão. Segundo os promotores, isso teria colocado em risco também a vida de informantes dos Estados Unidos. Em 2010, o então vice-presidente americano, hoje presidente, Joe Biden, chamou Assange de "terrorista de alta tecnologia". Assange, porém, não é o responsável pela publicação dos dados completos e sem edição. Em 2010, o Wikileaks reuniu um grupo de grandes organizações de mídia para produzir reportagens com as informações vazadas. Faziam parte do grupo The New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel e El Pais. A senha da pasta onde estavam os documentos foi publicada num livro pelos jornalistas envolvidos no projeto. O Wikileaks só publicou as informações depois que elas já eram públicas. Assange era acusado com base na Lei de Espionagem – uma legislação promulgada há mais de cem anos para condenar espiões e traidores da pátria durante a Primeira Guerra Mundial. Essa lei nunca havia sido usada contra jornalistas. Até agora, o governo americano não apresentou evidências de que alguém tenha sido prejudicado devido à publicação dos documentos. Além disso, argumenta que Assange não é jornalista, alegando que ele seria um hacker por ter publicado os documentos sem apresentá-los num contexto. Por outro lado, Assange ganhou vários prêmios jornalísticos. Mas esse ponto não é relevante para a acusação, pois a Lei de Espionagem não diferencia entre jornalistas e outros cidadãos. Acordo com Justiça americana A justiça dos EUA acusou Assange de até 18 crimes relacionados a violações da Lei de Espionagem devido a um dos maiores vazamentos de informações confidenciais da história do país. Segundo o acordo firmado com o Departamento de Justiça, Assange vai se declarar culpado de uma única acusação: a de conspirar para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais. O acordo, que ainda precisa ser aprovado por um juiz, prevê que Assange seja condenado a 62 meses de prisão, o equivalente ao tempo que já cumpriu na prisão de alta segurança de Belmarsh, no Reino Unido. Assange comparecerá na quarta-feira, às 9h locais a um tribunal nas Ilhas Marianas, um território dos EUA no Oceano Pacífico, para finalizar o acordo que permitirá o seu retorno à Austrália. A audiência ocorrerá nas Ilhas Marianas devido à proximidade com a Austrália e à oposição de Assange em viajar para o território continental dos EUA. O jornalista estava detido em Belmarsh, no leste da capital britânica, desde 2019, quando foi preso após sete anos exilado dentro da embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou para evitar ser extraditado para a Suécia, onde era acusado de abuso sexual, algo que ele sempre negou. Posteriormente, a Justiça sueca arquivou o caso. Desde então que os EUA tentavam a extradição de Assange , e o jornalista vinha enfrentando uma batalha legal para impedir a deportação. Organizações de liberdade de imprensa pediam a libertação de Assange há anos, e a esposa dele, Stella, liderava uma campanha em sua defesa envolvendo celebridades e personalidades políticas. O acordo alcançado não foi totalmente inesperado. O presidente Biden estava sob pressão para encerrar o caso de longa data contra Assange. Em fevereiro, o governo australiano fez um pedido oficial nesse sentido, e Biden afirmou que iria considerar a questão, aumentando as esperanças entre os apoiadores do ativista de que fosse alcançada uma solução em breve. cn/as (Efe, AFP, Lusa) Foto: Julian Assange (em foto de 2016) passou sete anos exilado em embaixada e cinco anos preso© JACK TAYLOR/AFP Publicado originalmente em DW Brasil - https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/assange-deixa-pris%C3%A3o-no-reino-unido-ap%C3%B3s-acordo-com-os-eua/ar-BB1oQuag?ocid=msedgntp&pc=U531&cvid=7080f97ad76e411fb2b8a962ed26ef2c&ei=29

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Por que temos que salvar a política?

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Por que temos que salvar a política?
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De ELIS RADMANN* Como pesquisadora que estuda o comportamento da sociedade, tenho visto se ampliar a descrença e a negação da política. Esse fenômeno ocorre associado ao aumento do individualismo e da intolerância, motivado pela influência da tecnologia em nosso cotidiano. Tenho destacado o quanto a política é fundamental para guiar nossa vida em sociedade. A política define as leis (o que podemos ou não fazer) e define a gestão dos serviços públicos (como será o atendimento da saúde, qual será a forma utilizada para combater a violência, se a educação será a prioridade e até o que será ensinado nas escolas). A política define o tamanho do Estado, de uma cidade e influência nos rumos da economia. E também é a política que diz a quantidade de impostos e tributos que devemos pagar e o que será feito com esse dinheiro. A política pode diminuir a tendência ao individualismo e ampliar o sentimento de comunidade. Com a política somos parte, somos inclusos, ela traz o sentimento de pertencimento. A política é a arte do diálogo, da negociação, da capacidade de transformar tese e antítese em uma síntese, de fazer com que o conjunto A e o conjunto B formem uma intersecção. A política fomenta o estabelecimento de regras, a harmonia do convívio social e transforma moral em ética. A política é responsável pelo contrato social entre as pessoas, entre as instituições e entre os governos. A política nos faz evoluir como seres humanos e sociais. Nos faz ver que precisamos uns dos outros, que o direito de um acaba quando começa o do outro. A política nos ensina que somos diferentes e podemos pensar de forma diferente, mas temos que lidar com a diferença de forma respeitosa e fazer isso com tolerância e empatia. Com a política podemos transformar sonhos em realidade. Mas, para que a política seja tudo o que ela se propõe, temos que ter consciência de que o jeitinho brasileiro está impregnado em nossa cultura e que temos que fazer a nossa parte. Que não adianta reclamar dos políticos e continuar praticando o jeitinho ou ficar omisso diante de pessoas que praticam o jeitinho. Temos a missão de salvar a política. Mas para salvar a política temos que ajudar a resgatar e ressignificar a política. E para fazer isso, temos que rever o nosso comportamento e o nosso envolvimento com a política. Se cada um de nós fizer um pouquinho em prol do bem comum, estaremos salvando a política e o resultado dessa ação irá repercutir e influenciar no comportamento e nas práticas dos partidos e dos políticos. *Cientista social e política. Fundadora do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião. Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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Despedidas sem lágrimas

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Despedidas sem lágrimas
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De SOLON SALDANHA* Se torna muito mais fácil perceber porque a prefeitura não estava nem aí para a fiscalização das condições da pousada que incendiou e de outras que contrata, quando se sabe o que houve nos velórios de quatro das vítimas fatais do incêndio. Nenhum familiar ou amigo compareceu. Após, seus corpos desceram para as sepulturas acompanhados da mesma solidão e do mesmo descaso que tiveram em vida. Eles já não existiam antes da sua morte. Eram ninguém, figuras descartadas pela sociedade. Só mesmo o céu chorou, com a chuva que caía na tarde do sábado. Maribel Teresinha Padilha, Dionatan Cardoso da Rosa, Julcemar Carvalho Amador e Silvério Roni Martin de seu tinham apenas os nomes, que cito aqui em reverência. E deles sobrou ao menos as impressões digitais, que puderam ser comparadas com cópias de documentos que a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) guardava. Também foi sepultado, mas com familiares presentes, Anderson Gaúna Corrêa. Quanto aos outros cinco corpos, está sendo aguardada a realização de exames de DNA ou de arcada dentária para que sejam identificados. A psicologia reconhece a solidão como sendo uma condição associada à dor e à tristeza. Quem se sente só percebe em seu entorno e dentro de si um vazio, uma desimportância, uma não identidade. Pouco importa se a pessoa tem ou não real desejo da companhia de outras, de pertencer. Isso porque não carrega a impressão de que possa vivenciar isso. Acredita não ter ou não merecer essa oportunidade. Já o abandono, esse vem de fora, ele é externo ao indivíduo. É a renúncia consciente ou não de terceiros ou da sociedade em relação ao indivíduo. Trata-se de um desinteresse, uma invisibilidade. Assim como se o “problema” não visto deixasse de existir. O mundo contemporâneo, organizado em torno da estrutura capitalista e da valorização do consumo, não reconhece como digno de viver aquele que não é produtivo. O que não agrega aquilo que a sociedade considera importante só tem valor enquanto possibilidade de gerar ganho indireto para outros. Se não está vendendo seu tempo, seu trabalho, que venda a sua presença, a sua existência inútil. Como ser um número dentro de uma organização que é paga pelos poderes públicos, que o fazem como forma de parecer que se importam, que cuidam de todos de forma igual. O que vive na rua não está sendo acolhido por ser humano, mas porque aplaca consciências e dá lucro com aparência de honesto a quem nem parece ser. Essa foi a triste realidade prévia: ela antecedeu ao incêndio e deve sobreviver a ele, tão logo nos esqueçamos deste “lamentável incidente”. Não quero terminar sem reconhecer aqui a generosidade da Funerária Angelus, na pessoa do seu diretor Ary Bortolotto, que fez os serviços fúnebres gratuitamente, fornecendo os ataúdes e colocando sobre cada um deles coroa de flores com o nome da pessoa. Ou seja, nem isso foi a prefeitura municipal de Porto Alegre que custeou, apesar de todas as manifestações cheias de promessas feitas pelo prefeito Sebastião Melo. Sugiro ainda que a leitura continue mais abaixo, após o bônus de hoje, porque listei uma série de informações relevantes sobre o caso. O bônus do autor é a música Lei da Vida, com a cantora e compositora paulistana Sabrina Lopes. https://www.youtube.com/watch?v=EUOabl_rLYg MAIS COISAS QUE PRECISAM SER DITAS: 1)   Se a lei resultante da comoção pós tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, não tivesse sido “flexibilizada” pela ação de parlamentares mais preocupados em atender demandas de empresários, ao invés da segurança da população, a intensidade do incêndio da Pousada Garoa teria sido muito menor. Ela previa a obrigatoriedade de a edificação ter hidrantes e revestimento adequado, para dificultar a propagação das chamas. 2)   Matéria da Matinal Jornalismo revela que o proprietário da rede de pousadas Garoa, André Luis Kologeski da Silva, havia sido condenado em dois processos por estelionato. Foi por ter ludibriado pessoas com anúncios de aluguel de imóveis que não eram de sua propriedade. Mas, ao que tudo indica, a prefeitura de Porto Alegre não busca saber dos antecedentes das pessoas responsáveis por empresas com as quais firma contratos milionários. Ou sabe e não se importa com isso. 3)   Cezar Schirmer (MDB), que era prefeito de Santa Maria quando da tragédia da Boate Kiss, é atualmente o Secretário Municipal de Planejamento, na administração de Sebastião Melo, seu companheiro de partido. 4)   O jornal Boca de Rua, que é feito por moradores em situação de rua na capital gaúcha, com o auxílio de profissionais voluntários, foi barrado e não pode participar da coletiva de imprensa na qual a prefeitura procurava se explicar sobre o incêndio. A publicação já havia feito denúncias, no passado, contra a Pousada Garoa e as péssimas condições do serviço prestado. 5) Uma estratégia adotada pelo prefeito de Porto Alegre para afastar de si e dos seus secretários a responsabilidade em relação ao incêndio que teve dez vítimas fatais foi a de transferir para os Bombeiros – e o governador Eduardo Leite, por tabela –, alegando não terem feito corretamente o seu trabalho. Mas, em momento algum falou sobre a falta das vistorias que deveria ter feito e que só agora começarão. Convém lembrar que o encaminhamento do PPCI feito em 2019 sequer informava que o local seria uma pousada. E também que o processo não teve continuidade por parte do solicitante. 6) Quem acessa o site da Pousada Garoa se depara com imagens de quartos que, mesmo simples, são limpos e bem mobiliados. Entretanto, a RBS TV entrou em endereços da rede, com uma câmera escondida, revelando que a realidade é bem outra. Em pensão que fica na José do Patrocínio, no bairro Cidade Baixa, se viu em um quarto apenas um colchão apodrecido e um pequeno armário, bem velho. Segundo a reportagem, o cheiro era forte e desagradável. E havia lixo no corredor. 7) Outro detalhe, esse em pousada na Júlio de Castilhos: não havia sequer um único extintor de incêndio, apesar de um suporte para a colocação do equipamento estar visível. Ou seja, se as vistorias agora prometidas não levarem a mudanças profundas, outras tragédias anunciadas irão se seguir, mais cedo ou mais tarde. *Jornalista e blogueiro. Apresentador do programa Espaço Plural – Debates e Entrevistas, da RED. Texto publicado originalmente no Blog Virtualidades. Imagem: reprodução. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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O artigo de Frei Betto e as gerações com sinais trocados

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O artigo de Frei Betto e as gerações com sinais trocados
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De RUDÁ RICCI* Há poucos dias, Frei Betto escreveu um artigo intitulado “Cabelos brancos” em que citava, quase em tom de alerta, um encontro nacional de Fé e Política realizado em BH em que apenas 30% tinham cabelos escuros. O restante, perto das faixas de idade dele (perto dos 80 anos) e da minha (acima de 60). O artigo assume a função de para-raio e sintetiza o que tantos engajados de minha geração vêm se queixando: envelhecemos, o que parece normal, mas, conosco, envelheceu o engajamento pela mudança social, pela justiça social, pela ousadia política, pela solidariedade. Viceja pela sociedade o hiperindividualismo, a projeção do sucesso individual e certo desencanto com a aventura humana. Resolvi comentar o artigo não para fazer coro ao seu conceito, mas para problematizá-lo. O primeiro obstáculo que gostaria de saltar é sobre as novas gerações. Vou destacar dois aspectos, dentre tantos. Não se trata de juventude, mas de juventudes, no plural. São tribos, coletivos e comunidades virtuais que professam de tudo, até mesmo os hikikomoris japoneses que não saem de seu quarto e se fecham em grutas urbanas. Temos os identitários que, não sabem, mas professam individualismos e conservadorismos porque, a despeito da agressividade na defesa de seu direito de fala e existência, não se projetam em discursos solidários, não falam sobre o mundo, sobre política econômica, sobre muitos outros assuntos que não sejam de seu interesse grupal exclusivo. Podemos pinçar, dentre tantas juventudes, a Geração Z, tão comentada atualmente. Ela pode ser a lâmina a ser examinada no nosso microscópio. Esta geração nasceu a partir de 1995 e se forjou a partir das redes sociais e múltiplos aplicativos, de maneira que possuem uma vida dupla, entre o mundo concreto, offline, e o mundo virtual, online. Alguns autores sugerem que não possuem uma visão sequencial do tempo, mas tempos sobrepostos. São pragmáticos e práticos, tolerantes em relação às diferentes formas de viver e se apresentar, ativistas de coletivos e causas gerais, avessos a rótulos, adeptos da acessibilidade e simplicidade. O estranho para minha geração é que esta fica alheia ao ambiente e às relações interpessoais de primeira hora, se fechando no teclado do celular por horas. Aqui aparece uma dissonância cognitiva, entre o que pensa e projeto e o que realmente faz. Projeta um mundo melhor e participação em pautas de lutas por direitos – incluindo os dos animais -, mas vive fechado no mundo das comunidades virtuais. Uma maneira de socialização profundamente distinta das de Frei Betto e da minha. Há, ainda, a derivação desta geração para a altamente sexualizada, como a dos funkeiros: coloridos, exuberantes, agressivas e quase debochadas, que operam nas redes sociais e se expressam pela música, sensualizando e se apresentando por inteiro, nas confusões e insuficiências. Esta é a geração de Anitta, uma das personalidades mais ousadas e inventivas desta subcultura juvenil. Em meio a esta explosão de juventudes peculiares, emerge a dos jovens conservadores e reacionários. Não tão conservadores, mas que são vistos pela minha geração como tal. Comecemos pelos jovens aparentemente conservadores. A revista evangélica americana Relevant divulgou uma reportagem apontando que muitos evangélicos solteiros mantêm relações sexuais antes do casamento com a mesma frequência que os jovens não-cristãos: 80% dos solteiros evangélicos entre 18 e 29 anos afirmaram que já tiveram relações sexuais, quase o mesmo percentual que os 88% de solteiros adultos não evangélicos. Há igrejas e vertentes evangélicas que envolvem jovens com comportamentos e vestimentas pouco conservadoras. No caso dos jovens reacionários, o cenário é ainda mais dissonante. Não apresentam, evidentemente, semblantes pacatos e recatados. Gritam, estrebucham, e agridem beirando o sadismo, como fazem os jovens do MBL. Mas, há casos ainda mais instigantes, como os de Carluxo e Nikolas Ferreira. Sabemos de suas aventuras sexuais até mesmo retratados em fotos. O olhar dos dois tem algo provocador e sexualizado. Parecem professar o não binário, tons não muito definidos de sua vida íntima, algo de misterioso e histriônico. Se falam algo que tateie o ideário conservador, seu semblante e sua história apontam para outra direção. Carluxo, nas redes sociais, estimulava o mistério. No primeiro Carnaval brasileiro sob o domínio do governo Jair Bolsonaro, ocorreu a postagem nas redes sociais, atribuída à Carluxo, de um vídeo exibindo um Golden Shower. Adota uma postura “goy”, homens que não se identificam com a homossexualidade e a bissexualidade, mas que também não se identificam com a heterossexualidade. Este lusco-fusco e alta pluralidade de ideários e comportamentos jovens confundem as gerações mais velhas e não se alinham com padrões pré-estabelecidos. Aliás, o que dizer dos mais velhos? Novamente, o plural para nos descrever. Se temos idosos progressistas, subproduto da revolução sexual e cubana, temos os idosos destroçados pelo tédio, pregados em seus porta-comprimidos ou à espera de alguma aventura tresloucada como a de 8 de janeiro. Mas, para não fazer novo périplo à pluralidade de uma geração, vou destacar a dos progressistas. E, aqui, destaco um ícone quando jovem: Zé Dirceu. Zé foi um líder dos estudantes universitários. Até hoje, desperta suspiros de mulheres que vivenciaram aqueles dias de passeatas e palavras de ordem em praças públicas e avenidas. Cabelos compridos, alto, discursos explosivos e seguros, transpirava um “sex appeal” que causava invejas e ressentimentos. Pois bem, nos últimos meses, Zé Dirceu assumiu o papel de cavaleiro do anti-clímax. Repreendeu publicamente o diretório nacional de seu partido e Gleisi Hoffman por terem criticado a política econômica do governo federal. Exigiu que se alinhassem ao governo e apoiassem o ministro Haddad sob pena de... não ficou muito claro o que a rebeldia petista poderia provocar de estrago. Ora, esta fala de Zé Dirceu é exatamente o inverso do que o PT propunha quando foi criado. A palavra central do petismo era autonomia. Autonomia dos movimentos sociais frente aos comandos políticos centrais, autonomia dos filiados frente às deliberações dos parlamentares do próprio partido, autonomia para viver. Autonomia é palavra central do método Paulo Freire que sugere que temos que assumir nossos atos com consciência. No caso, a consciência é uma leitura de nossa função e papel num coletivo ou num projeto. Não é liberdade individual absoluta, mas minha visão do que devo ser no todo, sem me subordinar. Foram tantos petistas que trataram disso nas origens do PT, de Eder Sader à Marilena Chauí. A fala de Zé Dirceu se choca e demole este ideário libertário do petismo original. Numa fala subsequente, disse que a conjuntura atual impõe um governo lulista de centro-direita. Pouco importa se tentou corrigir o que disse. O fato é que sua fala é coerente com sua fase anti-clímax, mais próximo do chá de camomila que de ingredientes excitantes. Se o PT, quando criado, seguisse este ideário radical do pragmatismo, não teria futuro. O petismo empurrou a correlação de forças durante duas décadas. Ousou ousar e a destilar autonomias. E venceu. Zé Dirceu retoma as teses do Partidão das décadas de 1950 e 1960, do etapismo e alianças preferenciais com a burguesia. Houve resistências de lideranças regionais e da base comunista que organizaram greves e estruturas descentralizadas. Mas o enfrentamento com as direções centrais foi constante. Enfim, o que sugiro é que Zé Dirceu está sendo um nítido representante das cabeças brancas citadas no artigo de Frei Betto: recuadas, castradoras, envelhecidas, com lampejos da energia e frescor de tempos atrás, mas que sugerem a passividade e o conformismo. É fato que, como há juventudes, há idosos distintos e é justamente essa pluralidade que faz o mundo girar. Nem sempre conseguem se expressar e convencer rapidamente. Mas, estão lá. A vida está na ousadia, não no conformismo. O artigo de Frei Betto, afinal, propõe a vida. *Doutor em Ciências Sociais e Presidente do Instituto Cultiva em Minas Gerais. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaositered@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

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