Governo reage a decisão dos EUA sobre PCC e CV e afirma que soberania brasileira é inegociável

Em nota oficial, o Planalto afirmou que a soberania nacional é inegociável e defendeu a autonomia das instituições brasileiras no necessário combate ao crime organizado.
Última edição em maio 29, 2026, 05:17
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INTERFERÊNCIA

Da Redação*

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta sexta-feira (29) uma dura manifestação contra a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Em nota oficial, o Palácio do Planalto criticou integrantes da família Bolsonaro por buscarem apoio estrangeiro para interferir em temas internos do Brasil e afirmou que a soberania nacional não será submetida a pressões externas.

A reação ocorreu um dia após o anúncio do governo de Donald Trump e poucos dias depois de uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente norte-americano na Casa Branca.

Segundo a nota, o Estado brasileiro mantém combate permanente contra facções criminosas e milícias, mas considera inadequada a equiparação dessas organizações ao terrorismo internacional. O governo argumenta que PCC e Comando Vermelho atuam movidos por interesses econômicos ligados ao tráfico de drogas e armas, enquanto organizações terroristas internacionais costumam ter motivações ideológicas, políticas ou religiosas.

Críticas a interferências externas

O texto também direciona críticas a integrantes do bolsonarismo, acusados de buscar apoio estrangeiro para pressionar instituições brasileiras. A nota afirma ser “deplorável” que membros da família Bolsonaro tenham viajado aos Estados Unidos para defender medidas que poderiam resultar em interferência sobre decisões internas do país.

O governo sustenta que a segurança pública é uma prioridade nacional e que o enfrentamento ao crime organizado vem sendo ampliado por meio de novas legislações, operações policiais e ações de inteligência. O comunicado cita ainda o programa federal de combate às facções e milícias e destaca a aprovação recente de leis que aumentaram penas para integrantes dessas organizações.

Ao mesmo tempo, a administração Lula reafirma disposição para manter cooperação internacional com diversos países, inclusive os Estados Unidos, em áreas como combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas e atuação transnacional de grupos criminosos.

Defesa da soberania nacional

O ponto central da manifestação, entretanto, é a defesa da autonomia brasileira na definição de suas políticas de segurança e de sua legislação. O governo alerta que medidas unilaterais adotadas por outros países podem gerar impactos sobre a economia nacional, o sistema financeiro e mecanismos brasileiros de inovação, além de dificultar o compartilhamento de informações entre órgãos de investigação.

Para o Planalto, eventuais classificações impostas sem negociação podem produzir efeitos contraproducentes no combate ao crime organizado e abrir espaço para ingerências externas em assuntos que cabem exclusivamente ao Estado brasileiro.

Na conclusão da nota – leia abaixo, na íntegra – , o governo reafirma que o Brasil é uma nação soberana e que decisões sobre enquadramento jurídico de organizações criminosas devem ser tomadas pelas instituições brasileiras, de acordo com as leis nacionais e a Constituição.

Governo Federal do Brasil – Nota à Imprensa


* Redator: Solon Saldanha

Capa: ilustração criada pela redação com o uso de IA

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