Contrato de conectividade em São Paulo sob suspeita de financiar cinebiografia de Bolsonaro

Última edição em maio 14, 2026, 02:31
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Fotomontagem Intercept

Da Redação*

O Ministério Público e órgãos de fiscalização investigam a destinação de R$ 108 milhões repassados pela Prefeitura de São Paulo ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), oficialmente contratado para a expansão da rede de Wi-Fi público na capital. A controvérsia ganhou corpo após a descoberta de vínculos diretos entre a diretoria da entidade e a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, obra cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, levantando suspeitas de desvio de finalidade e recursos públicos.


Conexões empresariais e falta de expertise

O centro das investigações recai sobre Karina Ferreira da Gama, que preside o instituto beneficiado pelo contrato milionário e, simultaneamente, comanda a GoUp Entertainment, empresa que executa a produção do longa-metragem no país. Reportagem do Intercept Brasil revela que, antes de firmar o compromisso milionário com a administração municipal, o ICB não possuía qualquer trajetória ou experiência comprovada na implementação de infraestrutura tecnológica.

Auditores apontam que o valor desembolsado pela gestão municipal para a instalação de cada ponto de internet superaria em até oito vezes a média de mercado. A tese trabalhada pelos investigadores é de que o contrato de conectividade teria servido como uma triangulação financeira para custear a infraestrutura de gravação do filme, que utilizou locações na capital paulista durante o ano de 2025.

O papel de aliados e a origem dos aportes

Além dos repasses municipais, a investigação aponta para uma rede de suporte político envolvendo figuras próximas ao núcleo do projeto. Empresas ligadas ao grupo gestor da ONG teriam recebido verbas de aliados, como o deputado federal Mário Frias. O parlamentar, que atua como roteirista da obra, teria destinado recursos que agora estão sob análise para verificar se houve financiamento indireto da produção audiovisual por meio de cotas públicas.

Enquanto a frente municipal foca no contrato de Wi-Fi, novos desdobramentos sugerem que o restante do orçamento do filme teria sido viabilizado por aportes privados negociados com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em resposta, a Prefeitura de São Paulo e a produtora GoUp Entertainment negam qualquer irregularidade, sustentando que os recursos possuem destinação específica e que não há confusão entre as atividades do instituto e o projeto cinematográfico.


* Redator: Solon Saldanha

Fotomontagem: Mário Frias, Jim Caviezel, Karina Gama e Ricardo Nunes. Crédito: Intercept Brasil

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