CORRESPONDENTE POLÍTICO | Kassab confia: Flávio murcha, Caiado sobe

Entre sinais de recuperação de Lula e turbulências no campo bolsonarista, a corrida presidencial começa a reorganizar forças, alianças regionais e estratégias digitais rumo a 2026.
Última edição em maio 14, 2026, 01:25

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A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estancou a queda. É uma nova situação de empate num eventual segundo turno com o senador Flávo Bolsonaro (PL-RJ). Mas agora volta a ser Lula quem aparece um ponto percentual na frente, algo que trackings (pesquisas diárias) do governo já detectavam. E a pesquisa, é claro, não refletiu a bomba que caiu ontem sobre Flávio Bolsonaro: o áudio em que ele pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai. Isso também não estava no radar enquanto almoçavam na Casa Correio da Manhã em Brasília o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e seu candidato à Presidência, Ronaldo Caiado.

Três nomes na disputa presidencial

Três nomes na disputa presidencial
Governadores agora apoiariam CaiadoCrédito: Reprodução/Instagram

Flávio Bolsonaro agora terá de lidar com algo que o liga diretamente à crise do Banco Master. É por conta desse e de outros problemas é que há no PSD uma percepção que, daqui até outubro, Flávio murcha na disputa e Caiado sobe. Kassab enxerga três nomes na disputa presidencial. Além de Lula e Flávio Bolsonaro, seu candidato, o ex-governador de Goiás. O trabalho que se inicia agora é tornar Caiado mais conhecido nacionalmente.

Campanha a partir de São Paulo

Hoje, somente cerca de 50% do eleitorado brasileiro o identifica. O trabalho nesse sentido visa aumentar esse conhecimento a partir de São Paulo e Minas Gerais, depois região Sul e finalmente Nordeste. O PSD avalia que há três segmentos da sociedade que podem ajudar no impulsionamento. Além do agronegócio, a área de saúde (Caiado é médico ortopedista) e a área de educação (o que Caiado teria feito em Goiás teria melhorado muito sua avaliação entre professores). E a segurança pública, que será sua maior bandeira.

Palanques menos importantes

Gilberto Kassab avalia que o peso da montagem de bons palanques regionais não seria hoje mais tão importante quanto já foi no passado. Hoje, o trabalho da militância não é mais tanto feito nas ruas com cabos eleitorais ligados aos governadores e prefeitos. Mas pelas redes sociais. Mesmo assim, os palanques avançam. Parte do PSD estaria integrada à campanha.

No Sul

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já declarou apoio a Caiado. E será dele o palanque do vice-governador Gabriel Souza (MDB), candidato ao governo. Em Santa Catarina, o palanque decorre do “erro” cometido pelo PL ao fazer uma chapa pura para a reeleição do governador Jorginho Mello.

Tarcísio

Caiado tem a chapa liderada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, com PP e MDB. “Em São Paulo, teremos o nosso palanque para Tarcísio”, diz Kassab, referindo-se ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição. “Não será palanque duplo. Nós teremos o nosso palanque”.

Paraná

No Paraná, o candidato a governador será o deputado federal Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura do governador Ratinho Jr. Resta saber como se comportará o PSD nos estados em que seus principais nomes são claramente ligados a Lula e defendem sua candidatura à reeleição.

Circunstâncias

“Nós vamos compreender essas circunstâncias”, disse Kassab. “Nós somos um partido de centro. Se não compreendermos essas circunstâncias, não fazemos o partido”. Para Kassab, não haverá resistências a Caiado nesses estados. No Rio, acredita, Eduardo Paes não criará obstáculos. Assim como a governadora de Pernambuco, Raquel Lira.

Bahia

Na Bahia, o senador Otto Alencar mostra-se mais resistente a apoiar Caiado. Caiado, porém, lembra que a origem política de Otto Alencar é o grupo de Antônio Carlos Magalhães. E, no estado, diz Kassab, o candidato do União Brasil, ACM Neto, neto de Magalhães, dará palanque a Caiado.

“Dez dias”

“Ronaldo Caiado está em campanha somente há dez dias”, afirma Gilberto Kassab. Para ele, não é preciso bater em Flávio Bolsonaro para crescer sobre ele. “É comparação”, acredita. “A história de Ronaldo Caiado é a história de 40 anos de vida pública”. A de Flávio, comenta, “uma loja de chocolate”.


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Para Kassab, campanha está apenas começando | Rudolfo Lago/Correio da Manhã

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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