Da Redação*
Um monitoramento realizado pelo analista de redes Pedro Barciela indica que a proposta de tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e as críticas ao Pix provocaram ampla reação negativa nas redes sociais. Segundo o levantamento, a maior parte das manifestações associa o episódio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que esteve recentemente nos EUA e manteve encontros com autoridades ligadas ao governo norte-americano.
A análise considerou cerca de 535 mil citações publicadas no X, Instagram, Facebook e TikTok. De acordo com os dados, 84% das menções tiveram teor potencialmente negativo para a medida e para a imagem de Flávio Bolsonaro, enquanto apenas 11% apresentaram posicionamentos favoráveis ou relativizaram sua responsabilidade no episódio.
Pix concentra as principais reações
O estudo aponta que o Pix se tornou o principal foco das discussões. Em aproximadamente 24% das publicações, usuários defenderam o sistema de pagamentos instantâneos como uma conquista nacional, destacando seu caráter gratuito, público e amplamente utilizado pela população.
Outros 13% das manifestações ressaltaram que o Pix ampliou a concorrência no setor de pagamentos ao reduzir custos para consumidores e comerciantes, além de representar uma alternativa a cartões e outros meios privados de transação financeira.
As mensagens analisadas frequentemente relacionam a defesa do sistema à proteção da soberania econômica do país, com expressões que reforçam a ideia de que o Pix pertence à sociedade brasileira e beneficia milhões de usuários.
Associação direta com Flávio Bolsonaro
Segundo Barciela, 47% das publicações responsabilizam diretamente Flávio Bolsonaro ou o núcleo político ligado à família Bolsonaro pelo desgaste provocado pelo tarifaço. Já 22% fazem uma ligação explícita entre a viagem do senador aos Estados Unidos, seus encontros com Donald Trump e o anúncio das medidas comerciais.
Nesse contexto, ganhou força nas redes o apelido “Tariflávio”, utilizado por usuários para sintetizar a percepção de que o parlamentar teria contribuído para criar ou aprofundar um problema diplomático e comercial envolvendo o Brasil.
O levantamento também identificou que cerca de 17% das postagens abordam o tema sob a ótica da soberania nacional, criticando o que consideram excessiva proximidade da família Bolsonaro com interesses norte-americanos.
Oposição reage menos que críticos
Embora predominem as críticas, o estudo mostra que existe uma parcela das redes que rejeita a responsabilização de Flávio Bolsonaro. Cerca de 11% das publicações afirmam que as investigações comerciais dos Estados Unidos já estavam em andamento antes dos episódios recentes ou destacam que a proposta ainda dependeria de etapas técnicas para avançar.
Outros 5% concentraram-se em análises sobre os possíveis impactos econômicos das medidas anunciadas pelos EUA, sem necessariamente assumir posicionamento político.
Na divisão dos grupos que participaram do debate, o levantamento aponta que o campo antibolsonarista respondeu por 52% das interações. A imprensa concentrou 30%, enquanto perfis ligados ao bolsonarismo e à oposição representaram 14%. Os usuários classificados como não polarizados corresponderam a aproximadamente 3% do total.
* Redator: Solon Saldanha
Capa: reprodução de arte criada por Brasil 247




