Da Redação*
Um novo levantamento estatístico detalhando as intenções de voto para a sucessão presidencial de 2026 indica a manutenção do racha geográfico observado no último pleito nacional. Os dados da Genial/Quaest, coletados nos dez maiores colégios eleitorais do país, mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) consegue absorver o capital político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo uma disputa equilibrada e com ligeira vantagem numérica sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em estados estratégicos das regiões Sul e Sudeste.
O espelhamento do pleito de 2022
A análise dos números atuais sugere que o cenário político brasileiro caminha para uma reprise da polarização ocorrida há quatro anos. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a performance de Flávio Bolsonaro nos principais estados brasileiros é muito similar à de Jair Bolsonaro em 2022. O senador apresenta um desempenho robusto especialmente em São Paulo, Ceará e na região Sul, onde seus índices superam os registrados pelo pai no embate anterior contra o PT.
Enquanto a oposição demonstra força nos estados já citados e no Centro-Oeste, o presidente Lula mantém sua cidadela eleitoral no Nordeste. Em estados como Pernambuco, Bahia e Ceará, o petista sustenta uma vantagem confortável, que serve como contrapeso ao avanço oposicionista no Sul. Em Minas Gerais, considerado o “termômetro” das eleições brasileiras por refletir o resultado nacional desde a redemocratização, os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados, com uma oscilação mínima a favor de Lula.
Desempenho detalhado por Estado
No Sul do país, o domínio da oposição é mais acentuado. No Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro atinge 57% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 31% de Lula. No Paraná, a vantagem é de 50% a 30%. O Sudeste apresenta um quadro misto: em São Paulo, o senador lidera com 47% frente a 35% do atual presidente; no Rio de Janeiro, o placar é de 45% a 32%.
Já no Nordeste, a situação se inverte drasticamente. Pernambuco registra 57% para Lula e 23% para Flávio. Na Bahia, o petista chega a 55% contra 22% do senador. O Pará, na região Norte, mostra uma disputa mais próxima, mas ainda com liderança de Lula (43% a 36%). Esses números refletem não apenas a preferência eleitoral, mas também a avaliação da gestão atual, que encontra maior resistência justamente onde Flávio Bolsonaro lidera as pesquisas.
Alternativas na oposição e avaliação governamental
Além do nome de Flávio Bolsonaro, a pesquisa testou outros potenciais candidatos da direita, como os governadores Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás). Zema demonstra competitividade em seu estado natal, onde aparece com 38% contra 37% de Lula, e em São Paulo, onde empata numericamente com o petista. Já Caiado mostra força concentrada em Goiás, onde vence Lula por 51% a 26%, mas encontra dificuldades de penetração nas demais regiões, perdendo para o atual presidente na maioria dos cenários simulados.
O levantamento também mensurou a aprovação do governo federal. A gestão de Lula enfrenta seus maiores índices de reprovação em Goiás (49%), Paraná (47%) e Rio de Janeiro (46%). Por outro lado, a aprovação é sólida no Nordeste, variando entre 45% e 47% de avaliação positiva. No Pará, o governo vive um cenário de fragmentação, com opiniões divididas de forma quase igualitária entre positivo, regular e negativo.
Nota sobre a metodologia
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 21 e 28 de abril, ouvindo 11.646 eleitores de forma presencial. O levantamento abrange estados que representam 75% do eleitorado brasileiro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais (exceto em São Paulo, onde é de 2 pontos) e o nível de confiança é de 95%.
* Texto: Redator da RED
Foto: Coletor de dados para pesquisa eleitoral. Crédito: divulgação TSE




