Padilha destaca reconstrução do SUS e propõe controle global de ultraprocessados na OMS

Última edição em maio 21, 2026, 05:20
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Alexandre Padilha, na Suíça - Divulgação Ministério da Saúde

Da Redação*

Durante a Assembleia Mundial da Saúde, na Suíça, o ministro Alexandre Padilha afirmou que o Brasil vive um processo de reconstrução do Sistema Único de Saúde e apresentou proposta inédita de regulamentação internacional para alimentos ultraprocessados.


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (20), durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada na Suíça, que o governo brasileiro está promovendo uma reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seu pronunciamento, destacou avanços obtidos nos últimos anos e defendeu maior investimento público em saúde, valorização da ciência e fortalecimento das políticas de prevenção.

Segundo Padilha, o país atingiu em 2025 a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos, além de recordes em cirurgias eletivas, exames especializados e ampliação da atenção primária. “Sob a liderança do presidente Lula, estamos reconstruindo o SUS”, afirmou o ministro, ao mencionar também a retomada da Farmácia Popular e a criação de uma ampla rede pública gratuita voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.

Expansão tecnológica e telessaúde

Entre os avanços apresentados pelo governo brasileiro na Assembleia, Padilha ressaltou a transformação digital do SUS. De acordo com ele, mais de seis milhões de atendimentos já foram realizados por meio da telessaúde. A meta do Ministério da Saúde é garantir internet em todas as unidades básicas do país e ampliar o uso do prontuário eletrônico nacional para cerca de 85% das equipes de atendimento.

Proposta inédita sobre ultraprocessados

Um dos principais pontos da participação brasileira no evento foi a proposta de criação de uma regulamentação internacional voltada à comercialização de alimentos ultraprocessados. A iniciativa prevê regras relacionadas à publicidade, monitoramento e venda desses produtos, especialmente no ambiente digital. O objetivo declarado é reduzir o impacto de doenças crônicas e proteger crianças e adolescentes de estratégias consideradas agressivas de marketing.

Padilha afirmou que a proposta busca enfrentar práticas como publicidade direcionada, ações com influenciadores digitais, jogos promocionais e personalização de conteúdo baseada em dados dos usuários. O governo brasileiro pretende articular, junto à OMS e aos países participantes, um modelo internacional que possa ser discutido e votado já na próxima edição da Assembleia Mundial da Saúde, prevista para 2027.

Reconhecimento internacional no combate ao HIV

Durante o encontro, o Brasil recebeu da OMS a certificação oficial pela eliminação da transmissão vertical do HIV — quando o vírus é transmitido da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação. O reconhecimento reforça um processo iniciado ainda em 2025, quando o país já havia sido certificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). O Brasil tornou-se o único país de dimensão continental a alcançar esse resultado.

Segundo o Ministério da Saúde, a conquista é consequência da ampliação do acesso gratuito à terapia antirretroviral, do fortalecimento do pré-natal e da expansão das políticas de prevenção. Dados apresentados pelo governo apontam ainda que as mortes por aids no país caíram 13% entre 2023 e 2024, atingindo o menor índice em mais de três décadas.

Assembleia reúne mais de 190 países

A Assembleia Mundial da Saúde é o principal órgão deliberativo da OMS e reúne representantes de mais de 190 países para debater prioridades globais na área da saúde. Além das discussões centrais do evento, a delegação brasileira participou de painéis sobre saúde mental, produção regional de tecnologias em saúde, justiça climática e desigualdade no acesso a tratamentos médicos.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Alexandre Padilha, na Suíça. Crédito: Ministério da Saúde

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