Da Redação*
O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato à Presidência da República em 2026, está defendendo um estreitamento absoluto das relações entre Brasil e Estados Unidos que, segundo analistas e setores da diplomacia, poderá provocar mudanças profundas em áreas estratégicas do nosso país. Isso caso suas propostas sejam implementadas a partir de 2027.
Nos últimos dias, diante da repercussão negativa das tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros, Flávio procurou se distanciar da medida e disse ter encaminhado uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pedindo a revisão da decisão. Ainda assim, declarações públicas e posicionamentos recentes indicam uma disposição de alinhar a política externa brasileira, bem como nossa economia, aos interesses de Washington.
Redes sociais e cooperação militar
Entre os temas defendidos pelo bolsonarismo está a oposição a iniciativas de regulação das plataformas digitais. O movimento acompanha a posição adotada por Trump e por empresários ligados às grandes empresas de tecnologia, que criticam medidas voltadas ao controle de conteúdos nas redes sociais.
No campo da segurança, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende integrar o Brasil ao chamado Escudo das Américas, iniciativa anunciada pelo governo Trump para ampliar a cooperação militar no continente. A proposta prevê acordos de defesa, compartilhamento de informações e fornecimento de equipamentos aos países participantes.
Especialistas em relações internacionais observam que a adesão ao projeto poderia ampliar a influência dos Estados Unidos sobre decisões estratégicas da região. Também apontam que os acordos firmados por Washington com outros países incluem restrições à aproximação com potências consideradas rivais, como China, Rússia e Irã.
Segurança pública e terras raras
Outra posição defendida pelo senador é a de apoio à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida, segundo especialistas em segurança, não serviria apenas para ampliar a cooperação entre autoridades brasileiras e agências norte-americanas no combate ao crime organizado, como abriria brecha para intervenções em nosso território.
O pré-candidato também já manifestou apoio a uma aproximação com os Estados Unidos na área de minerais estratégicos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta, recursos fundamentais para a indústria tecnológica e para a produção de equipamentos militares. Críticos da proposta afirmam que um alinhamento exclusivo com Washington poderia aumentar a dependência econômica brasileira.
Comércio exterior e atuação diplomática
Na área econômica, Flávio Bolsonaro declarou que um eventual governo seu manteria negociações diretas com Trump para evitar barreiras comerciais contra produtos brasileiros. Entre os temas que podem entrar em debate está a abertura de mercados atualmente dominados por soluções nacionais, como o sistema Pix, alvo de críticas de setores do governo norte-americano. Ou seja, grandes grupos estadunidenses poderiam atuar livremente no setor.
A possibilidade de mudanças também alcança a atuação diplomática do país. Durante o governo Jair Bolsonaro, o Brasil passou a votar ao lado dos Estados Unidos em temas relacionados a Israel, Cuba, pautas de costumes e desrespeito a organismos como a OMS, Unesco e OMC.
Diplomatas ouvidos por diferentes setores da imprensa avaliam que um retorno do bolsonarismo ao poder poderia representar uma nova reorientação da política externa brasileira, com maior proximidade em relação a Washington e revisão de posições tradicionalmente adotadas pelo Itamaraty. O que contraria toda uma tradição positiva do Brasil no cenário internacional.
* Redator: Solon Saldanha
Capa: ilustração criada pela redação com o uso de IA




