A pesquisa feita pelo Instituto Opinião, por encomenda do Correio Braziliense, clareia um pouco o quadro da corrida eleitoral no Distrito Federal. Desde o início do ano, a disputa no DF vinha um pouco em voo cego. A última pesquisa pública anterior era da Real Time Big Data, em dezembro do ano passado. No meio, houve uma pesquisa do Instituto Veritá, mas ela fora encomendada pelo PL. A pesquisa do Opinião aponta que a briga é entre a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O quadro aponta um empate dentro da margem de erro, de 3,4 pontos percentuais, entre os dois. Celina tem 27,8%, e Arruda, 23,5%.
Doze pontos entre as duas pesquisas
A pesquisa até poderia ser um alento para Celina. Arruda ainda não sabe se está ou não elegível, se disputará de fato as eleições em outubro. E os demais candidatos ficaram bem abaixo. Leandro Grass, do PT, que aparece em terceiro, tem apenas 9,2%. Mas a verdade é que a pesquisa foi recebida com preocupação pelo comando da campanha da governadora. Na Real Time Big Data de dezembro, Celina tinha 40% das intenções de voto.
Uma diferença de 12 pontos

Ainda que tecnicamente não se deva comparar pesquisas de institutos diferentes, porque a metodologia não é a mesma, entre uma pesquisa e outra há para Celina uma queda de 12 pontos. E, embora não houvesse pesquisas públicas, o PP tinha pesquisas internas. E elas já apontavam Celina de fato num viés de queda. Pesquisas qualitativas feitas pelo PT também mostram que, por mais que tente se desencilhar, o caso Master de alguma forma acaba também resvalando na governadora. O problema, então, é como administrar um segundo turno.
Temor de vitória de Arruda
A pesquisa não simulou cenários de segundo turno. Mas a avaliação feita é que numa eventual disputa entre Celina Leão e José Roberto Arruda, ele acabaria levando vantagem. Porque, entre os dois teria a preferência do eleitorado de esquerda, que ficaria fora. Tirando o senador Izalci Lucas (PL), mais do campo da direita, os demais candidatos somam mais de 18%.
Inelegível
Arruda vive uma situação inusitada. Ninguém sabe a essa altura exatamente ele estará ou não inelegível. Lei aprovada no ano passado alterou os prazos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. Pelo novo entendimento, ele poderia disputar a eleição. Mas há uma ação judicial que contesta a mudança.
2 a 0
A ação no Supremo Tribunal Federal (STF) tem como relatora a ministra Cármen Lúcia. E a posição dela é para manter a inelegibilidade original, o que faria com que Arruda ficasse impedido de disputar eleições até 2032. Também votou nesse sentido o ministro Luiz Fux. Mas, então, Gilmar Mendes pediu vista.
Sub júdice
Gilmar Mendes tem até 60 dias para devolver o processo. Até lá, as candidaturas estarão oficialmente homologadas. E nada impedirá, então, a candidatura de Arruda. Ele corre o risco de entrar na disputa sub júdice. E um bom posicionamento na disputa seria mais um favor a pressionar o julgamento a seu favor.
Prudente
Outro fator que preocupa Celina: a pesquisa não testou entre os eventuais candidatos o deputado federal Rafael Prudente (MDB). E, diante da briga da governadora com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), há uma grande possibilidade de que ele saia candidato. Seria mais um nome a retirar nacos do eleitorado conservador.
“Traidora”
Segundo disse uma fonte ao Correio Político, Ibaneis Rocha teria dito a seguinte frase recentemente: “Prefiro perder com um aliado do que ser eleito ao lado de uma traidora”. Ibaneis poderia colocar Rafael Prudente como candidato a governador nem que fosse somente para atrapalhar Celina Leão.
Comissão
Como diria aquele jogador de futebol, recentemente o MDB “fez que foi e acabou não fondo”. Criou uma comissão que divide agora as decisões eleitorais com o presidente do partido, Wellington Luiz. Chegou a sinalizar em nota manter aliança com Celina. Mas, no fundo, isso está longe de ser o que Ibaneis deseja.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Celina empata na margem de erro com Arruda | Gilberto Alves (Agência Brasília) e Pedro França (Agência Senado)





