Grupo ligado a Vorcaro planejou falsa operação com drogas contra ex-jogador da NBA, diz PF

A investigação aponta uso de sistemas sigilosos e até a produção de documento falso atribuído à Interpol.
Última edição em junho 18, 2026, 10:48
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Vorcaro e o atleta da NBA

Da Redação*

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, discutiu a realização de uma ação para atingir o DJ e ex-jogador da NBA Rony Seikaly. Segundo as investigações, o plano envolveria a atuação da chamada “Turma”, grupo apontado pela PF como responsável por intimidar, espionar e perseguir desafetos do ex-banqueiro.

As conversas ocorreram em outubro de 2024 e foram trocadas entre Vorcaro e Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. De acordo com os investigadores, o empresário cogitou criar uma situação envolvendo drogas para comprometer Seikaly e chegou a afirmar que investiria milhões de reais para levar o plano adiante.

Rony Seikaly atuou na NBA entre 1988 e 1999 e teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. Na época dos diálogos analisados pela PF, Graeff mantinha um relacionamento com Vorcaro.

Plano incluía falsa atuação da Interpol

As investigações apontam que integrantes da “Turma” utilizaram credenciais de uma servidora do Ministério Público Federal para produzir um ofício falso supostamente destinado à Interpol. O objetivo seria obter informações sobre Seikaly e aumentar a pressão sobre ele.

Segundo a PF, o grupo também acessou de forma indevida sistemas restritos para levantar dados do ex-jogador, incluindo consultas ao sistema de controle migratório da Polícia Federal.

Em uma das mensagens, Vorcaro menciona a possibilidade de envolver um suposto contato na Interpol. Os investigadores, porém, afirmam que não conseguiram identificar quem seria essa pessoa.

As conversas registram ainda discussões sobre atrair Seikaly ao Brasil e submetê-lo a ações coordenadas de intimidação. Em um dos trechos, os interlocutores afirmam que uma eventual pressão associada à Interpol poderia causar mais temor do que outras formas de constrangimento.

Ex-delegado é apontado como operador do grupo

Outro personagem citado nas investigações é o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. De acordo com a PF, ele exercia papel de liderança operacional na estrutura conhecida como “A Turma” e coordenava ações voltadas à intimidação de alvos definidos por Vorcaro.

Em mensagens analisadas pelos investigadores, Marilson menciona a necessidade de repassar informações a integrantes do grupo e sugere a adoção de medidas contra Seikaly caso ele viesse ao Brasil.

A Polícia Federal sustenta que a organização atuava não apenas na obtenção ilegal de informações sigilosas, mas também em iniciativas destinadas a obstruir investigações e pressionar pessoas consideradas adversárias do ex-banqueiro. As apurações fazem parte do conjunto de investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração produzida pela redação com recursos de IA

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