O planeta Terra, ameaçado de extinção motivada pelas mudanças climáticas, está exigindo um novo tipo de investidor, que seja mais responsável diante desse quadro que tende a se tornar irreversível, ao menos parcialmente. Apesar dos inúmeros alertas de cientistas e de resoluções em encontros internacionais, as emissões de carbono e os combustíveis fósseis estão em expansão.
O vice-gestor da Epwort Investiment e membro do Conselho de Finanças da Igreja Metodista da Grã-Bretanha, Andrew Harper, defende um investidor mais interessado em determinar onde seus recursos serão invertidos. “Como investidores que priorizam a fé, temos, portanto, a responsabilidade de questionar se as instituições em que investimos estão ajudando a conduzir o mundo rumo a um futuro mais justo e sustentável, ou se estão contribuindo para adiar as mudanças que a ciência e a moral exigem cada vez mais”, definiu.
Sistemas financeiros moldam a vida humana, disse. “As finanças modernas ajudam a decidir o que é construído, o que se expande e como será a economia do futuro. O capital não é neutro”. Ele lembrou que o sistema financeiro se acostumou bastante com a linguagem da sustentabilidade. “O verdadeiro teste é saber se essa linguagem ainda terá algum significado quando interesses comerciais genuínos estiverem em jogo”.
Durante anos, lembrou Harper, as grandes instituições financeiras têm falado a linguagem da responsabilidade climática. Publicaram planos, alianças, metas e compromissos. “No entanto, muitas continuam a financiar a expansão dos combustíveis fósseis, o que parece estar em total desacordo com as ambições climáticas que publicamente defendem”, arrolou. Em algum momento, a gestão responsável precisa ir além da simples documentação de preocupações!
“Queremos uma análise séria sobre se os compromissos climáticos se refletem genuinamente nas decisões de financiamento, nas estruturas de governança e no comportamento institucional. Mas, de forma mais ampla, queremos questionar a premissa de que os mercados podem separar indefinidamente o lucro das consequências morais”, definiu Harper.
E admoestou: “Se os investidores só estiverem dispostos a se manifestar quando lhes for conveniente, seguro para sua reputação ou comercialmente vantajoso, o mercado continuará confundindo relações públicas com prestação de contas”.
Em conferência online promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas, a profissional de Ação Social do Conselho de Igrejas da Índia, Joycia Thorat, lamentou que, nos tratados internacionais, os países que recebem os investimentos cedem (ou têm que ceder para alcançar os recursos) a qualquer medida que afete as pessoas, o planeta e o ecossistema local.
O pesquisador em Direito Empresarial Sustentável da Universidade de Oxford, Nicholas Young, afirmou que os tratados internacionais de investimento entre dois ou mais Estados ou países são baseados na desigualdade. Se em 1989 existiam apenas 385 desses tratados em nível mundial, hoje são mais de 2,8 mil, calculou.
Esses sistemas, alertou o economista queniano John Njenga, ortodoxo que trabalha para a organização Tax Justice Africa, perpetuam a colonização. “Há comunidades que não conseguem se representar nesses tribunais internacionais. Elas podem até receber decisões nas quais nunca estiveram envolvidas”, apontou.
“As pessoas de boa vontade devem ficar indignadas”, reagiu o professor Dr. Masiiwa Gunda, do Instituto Ecumênico de Bossey. “Mas não basta ficar indignado”, para acrescentar em seguida: “Devemos ficar indignados e agir de forma visível, dizendo àqueles ignorados pelo poder e pela ganância: ‘Nós vemos vocês, nós sentimos vocês e estamos com vocês’.”
Foto de capa: IA





