O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) não está nem um pouco disposto a recuar do que disse a respeito do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Muito pelo contrário, a julgar pelo que ele declarou com exclusividade ao Correio Político. “Valdemar usa o PL para engravidar o Centrão”, acusou Ricardo Salles. “Essas coisas precisam acabar”, ataca. Na avaliação do deputado, que se elegeu para o PL e depois migrou para o Novo, não haveria sinceridade no posicionamento de direita de Valdemar e de outros políticos da ala mais ligada a ele no partido. “Em 2022, foi claramente a direita quem elegeu os principais deputados, e essa turma entrou no vácuo. É o que eu chamo de fazer filho na barriga dos outros”, disse.
Nem um pouco preocupado
Valdemar declarou que irá processar Ricardo Salles. “É um direito dele, mas não estou nem um pouco preocupado”, respondeu Salles. “Basta eu mostrar as diversas reportagens da época”. O que afirmou Ricardo Salles que irritou Valdemar? Que o PL desviou dinheiro público nos tempos em que teve o comando do Ministério dos Transportes nos outros governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Fez parte da “faxina” de Dilma

E, de fato, houve denúncias à época contra o ex-ministros Anderson Adauto e Alfredo Nascimento. Em 2011, Dilma chegou a demitir Alfredo Nascimento do ministério dentro daquelas ações que à época foram chamadas de “faxina”. Foi um dos primeiros a cair nesse processo. Mais tarde, Nascimento afirmou ter sido inocentado das acusações. Mas há quem atribua a esse processo de “limpeza ética” feito por Dilma o movimento mais tarde do Centrão para aprovar o seu processo de impeachment, quando presidia a Câmara o deputado Eduardo Cunha.
“Centrão é o que sempre faz negócio”
Salles fulmina o Centrão. “É o cara que sempre faz negócio”. Para o deputado, o nome que o PL defende para o Senado em São Paulo, o deputado estadual André do Prado (PL), seria “o estereótipo do Centrão”. Na visão de Salles, um nome ligado a Valdemar sem esse perfil exatamente de direita e com o perfil negocista que definiria o Centrão.
Eduardo
Então, Salles afirma se decepcionar com a defesa que Eduardo Bolsonaro faz da candidatura de André do Prado, de quem quer ser o suplente de senador. “Para minha surpresa, ele defende”, afirmou Salles. “Um tipo de incoerência que a gente assiste e que só nos prejudica”, completou.
Captura
Ricardo Salles, então, torce pela briga? “Claro que não é bom esse tipo de briga”, admite ele. “Mas em algum tempo, nós teremos que discutir essa captura do PL pelo Centrão”. Para Salles, é isso o que representaria o comando de Valdemar. Alguém que viu o crescimento conservador do país e pegou carona.
Votos
Segundo o deputado, haveria deputados do PL dessa turma a que ele classifica de “Centrão”, que votam com o governo Lula em mais de 60% dos casos. “Então, o que adianta fazer alianças para eleger parlamentares que agem dessa maneira?”, questiona Salles. “Que tipo de oposição é essa?”, questiona.
Flávio
Para Ricardo Salles, é natural que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na sua construção de candidatura à Presidência da República, procure ampliar ao máximo suas alianças, buscando os votos dos partidos do Centrão. Mas, na sua visão, essa não deveria ser a estratégia para a formação das chapas para o Parlamento, que deveriam ter mais solidez.
Direita
Salles avalia que o eleitor compreende que um presidente, o governo federal, precisa ampliar suas alianças para ter governabilidade. Mas não tem como compreender que alguém que ele eleja com a expectativa de um comportamento de direita no Congresso aja de outra maneira.
Briga
Ricardo Salles deseja ser ele o candidato da direita na chapa pela reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo para o Senado. E o PL e Eduardo Bolsonaro querem André do Prado. Há, portanto, uma disputa política. Que Salles, porém, pontua ao Correio Político que é também ideológica.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Salles não pretende recuar dos ataques a Valdemar | Lula Marques/ Agência Brasil





