Lula e centrais sindicais selam pacto por reforma tributária e nova política de valorização do salário mínimo

Última edição em abril 15, 2026, 04:27

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Lula e sindicalistas 2026.04.15

Por Solon Saldanha *

Reunião histórica com cerca de 600 lideranças marca a reabertura do diálogo com o governo federal. Pauta unitária exige revogação de retrocessos e foco na soberania nacional para o próximo quadriênio.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do trabalho, Luiz Marinho, receberam nesta quarta-feira, em Brasília, uma comitiva de aproximadamente 600 sindicalistas de todas as regiões do país. O encontro simbolizou a retomada formal das relações entre o governo federal e a classe trabalhadora, interrompidas nos últimos seis anos. Mais do que um ato de cortesia, a reunião serviu para a entrega da pauta unitária da CONCLAT (Conferência da Classe Trabalhadora), que projeta as diretrizes de desenvolvimento e direitos para o período de 2026 a 2030.

A mesa nacional e o novo salário mínimo

O resultado prático mais imediato do encontro foi o anúncio da criação de uma Mesa Nacional Permanente. Este fórum será o espaço institucional para negociar não apenas o valor do salário mínimo, mas também a reversão de perdas trabalhistas acumuladas. O governo reconheceu a necessidade de revisar o valor de R$ 1.320,00 anunciado anteriormente, visando superar a medida provisória herdada da gestão anterior que estipulava um piso inferior.

A política de valorização defendida pelas centrais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical e Pública) busca garantir que o poder de compra do brasileiro não apenas acompanhe a inflação, mas receba aumentos reais vinculados ao crescimento do PIB.

Desoneração da renda e mobilização popular

Um dos pontos altos do debate foi a reafirmação, por parte de Lula, do objetivo de isentar do imposto de renda os cidadãos que ganham até R$ 5 mil. O presidente foi enfático ao alertar que a medida enfrenta resistência severa de setores do mercado financeiro e de grupos empresariais.

Diante do impasse econômico, o chefe do executivo convocou as lideranças sindicais para uma mobilização nacional. “Precisaremos de ajuda para aprovar essa mudança”, pontuou o presidente, sinalizando que a pressão popular será a ferramenta política para vencer a oposição política à proposta de justiça tributária.

Revogação de reformas e regulação digital

A pauta entregue pela classe trabalhadora vai além da questão salarial e toca em pontos estruturais da soberania e do direito:

  • Reforma trabalhista: as entidades apresentaram formalmente a demanda pela revogação da reforma trabalhista e da lei 13.429/2017, visando barrar a terceirização irrestrita que precarizou diversos setores.
  • Trabalho por aplicativos: o governo e as centrais alinharam a urgência na regulamentação de plataformas digitais, garantindo direitos previdenciários e segurança jurídica aos trabalhadores desse ecossistema.
  • Redução da jornada: o documento da CONCLAT reforça a meta de 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, integrando essa mudança a uma transição tecnológica justa.

Soberania e futuro do trabalho

As lideranças destacaram que o desenvolvimento nacional para o próximo quadriênio deve ser orientado pela soberania sobre recursos estratégicos e pela reindustrialização. O projeto aprovado em Brasília defende que a inteligência artificial e a automação sejam utilizadas para melhorar a qualidade de vida do trabalhador, e não para gerar exclusão.

A reunião encerrou-se com o compromisso de que o Brasil retome um papel de protagonismo na defesa do trabalho decente, com o fortalecimento das negociações coletivas e a garantia de liberdade sindical, elementos considerados essenciais para a estabilidade democrática do país até 2030.


* Solon Saldanha, jornalista e escritor

Foto: Lula se reune com sindicalistas. Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação

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