Por Solon Saldanha *
Neste domingo (12), o eleitorado peruano comparece às urnas para escolher o próximo presidente da República em um cenário de profunda apatia e incerteza. Com 35 nomes na disputa e a ausência de lideranças consolidadas, o pleito reflete o desgaste de um sistema político que enfrentou sucessivas crises institucionais e trocas de comando nos últimos anos.
A instabilidade democrática no Peru tornou-se a tônica do período recente, com oito mandatários ocupando a presidência desde 2018. Esse ciclo de interrupções, impulsionado por processos de impeachment e renúncias forçadas pelo Congresso, fragmentou o quadro partidário. Para analistas e lideranças locais, como Santos Saavedra Vásquez, presidente da Unidad Popular, o atual panorama é resultado de uma crise que atinge os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, comprometendo a confiança da população nas instituições.
Desde a queda e prisão de Pedro Castillo, em 2022, o país busca uma saída para o impasse político. O vácuo de liderança é preenchido por uma diversidade de candidaturas que variam do conservadorismo à social-democracia, mas nenhuma delas conseguiu, até o momento, mobilizar a maioria do eleitorado.
Lideranças frágeis e ceticismo com pesquisas
Embora Keiko Fujimori apareça tecnicamente à frente em algumas sondagens com 15% das intenções de voto, a confiabilidade desses dados é contestada. Em pleitos anteriores, candidatos que não figuravam entre os favoritos nas projeções iniciais, como o próprio Pedro Castillo em 2021, acabaram vencendo as eleições. A disputa pela ida ao segundo turno, previsto para julho, segue aberta entre nomes como o ex-prefeito Ricardo Belmont, o comediante Carlos Álvarez e o ultraconservador Rafael López Aliaga.
No campo progressista e popular, destacam-se figuras como Roberto Sánchez Palomino, do Juntos pelo Peru, que defende reformas no Judiciário e a revisão de contratos de exploração de recursos naturais. Outros nomes, como Alfonso López Chau e Ronald Atencio, também tentam consolidar uma alternativa viável à direita tradicional e ao fujimorismo.
O papel da juventude e a crise de segurança
Os eleitores com menos de 30 anos representam mais de um quarto do eleitorado e são vistos como o grupo determinante para o resultado final. Apesar de terem sido os protagonistas das manifestações que levaram à saída de Dina Boluarte em 2024, esses jovens demonstram agora uma desconexão com a cúpula política. O índice de indecisos e de intenções de voto nulo ou branco permanece elevado, superando os 25% em algumas capitais.
Além da crise política, a escalada da violência urbana e a insegurança pública tornaram-se as principais preocupações dos 34 milhões de peruanos para este pleito. O debate eleitoral, antes focado na economia, agora é dominado pela demanda por ordem e pelo temor de que modelos autoritários ganhem força como resposta ao caos social e à criminalidade crescente no país sul-americano.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Keiko Fujimori. Crédito: Agência Brasil




