O perfeito idiota e a frente antifascista no Brasil e no Rio Grande do Sul

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Existem intelectos, mas não com ideias próprias;

existem corações, mas são pouco generosos.

Há inúmeras pessoas assim. Muito mais do que parece.

Fiodor Dostoievski, O Idiota

1. O otimista crônico e agudo quebra a cara

    O desempenho econômico brasileiro no Governo Lula 3 nem de longe se aproxima do desempenho dos dois primeiros mandatos; que deram a Lula o poder de eleger uma virtual desconhecida como sua sucessora. Mas, tal como antes, a grande mídia opera como um braço da oposição, na busca desenfreada de derrotar o PT e os partidos da base aliada. O Powerpoint da Andreia Sadi é apenas uma amostra do que virá ao longo de 2026, tornando as eleições atuais em um desafio ainda maior do que as de 2022.

    Os Cândidos – seguidores das máximas de Dr. Pangloss – e as Polianas – useiras e vezeiras no “jogo do contente” – recusam-se a aceitar que o mundo seja tão injusto. Afinal, alegam – com muita razão! – o governo Lula 3 não tem nada de radical. Suas políticas econômicas são ainda menos intervencionistas do que aquelas adotadas nos mandatos petistas anteriores; Haddad tem sido incansável no enfrentamento ao déficit fiscal e já conquistou muitos tentos na luta; e Alckimin conduz o Ministério do Desenvolvimento como um tucano raiz. No que se assenta a aversão universal da burguesia, dos coronéis e da mídia a Lula? Só pode ser num engano que será superado.

    O problema dessa resposta é que a pergunta é mal feita: o fundamento da aversão aos governos petistas não se encontra em suas políticas econômicas, mas em suas políticas de combate à corrupção e ao patrimonialismo. As críticas da mídia e da direita à corrupção petista tem de ser interpretadas como um sintoma neurótico: elas revelam a verdade através da obsessão em acusar o outro do mal que lhes aflige. Os governos populares são intoleráveis porque garantem autonomia ao Sistema Nacional de Justiça: à Polícia Federal, à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.  E esse sistema está dizendo a que veio.

    Derrotar Lula é condição sine qua non para derrotar a onda republicana que tomou conta do país a partir de 2003 e que ganhou novo ímpeto com o julgamento e condenação dos líderes da tentativa de golpe de 2023. Esse julgamento fez soar um alarme ensurdecedor nas melhores famíglias e nos escritórios das mais “probas” empresas nacionais. Ele decretou o fim de cinco séculos de impunidade para o andar de cima, o fim dos “dois pesos e duas medidas” para julgar a plebe ignara e a pretensa elite meritocrática. E logo ficou claro que a limpeza mal havia começado.

    O julgamento e condenação, no início desse ano, dos irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle, e dos deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil (ambos do PL, partido de Bolsonaro) por venda de emendas pix consolidou uma certeza: o STF não vai parar. Logo, ele tem que ser parado. Até porque as investigações em curso na Polícia Federal, no Ministério Público e na Suprema Corte são ainda mais “perigosos”.

    A operação Carbono Oculto não trouxe à luz “apenas” as conexões da Faria Lima com o crime organizado.  Elas também apontam para conexões com algumas das principais lideranças políticas do Centrão. As investigações sobre as emendas “Pix” continuam em curso e ceifarão outras cabeças, como o desmemoriado Sóstenes que esqueceu de depositar 500 mil reais e os guardava no armário do seu apartamento funcional. Desde dezembro de 2025 que a famosa “caixa amarela da Lava-Jato” encontra-se de posse do STF e, com ela, todos os (já não mais) segredos das ilegalidades de Sérgio Moro estão sendo analisados e logo serão julgados. O escândalo do INSS não para de tirar os mais diversos gatos das mais diversas tubas. E está chegando na grande familícia.

    Se o quadro já era trágico, ele ficou insuportável com o estouro do Caso Master, que foi sorteado para um sujeito não confiável para as hostes bolsonaristas. As ações iniciais de Toffoli na relatoria eram muito preocupantes. Ele fez uma seleção rigorosa de investigadores da PF, impôs sigilo máximo e celeridade às investigações, marcando acareação entre Vorcaro, o ex-Presidente do BRB e o Diretor de Fiscalização do Banco Central para o dia 30 de dezembro do ano passado. Um grave desrespeito às festas de fim de ano. Esse foi o alarme definitivo: o STF atravessou o Rubicão. E a mídia golpista e lava-jatista passou a tratá-lo como inimigo público número 1.

    Cobra criada na Lava-Jato 1, Malu Gaspar foi a beneficiária das (des)informações de cocheira selecionadas para manchar a imagem de Alexandre de Moraes (acusado de ser casado com uma advogada excessivamente bem paga, que havia trabalhado para o Banco Master) e Dias Toffoli (acusado de ter recebido André Esteves, adversário de Vorcaro, em 2023 no resort que pertenceu à sua família, o Tayayá).

    Confesso-vos, agora um segredo de Polichinelo: eu, Carlos Paiva, sou um perfeito idiota! E do alto da minha idiotia, li as manchetes pretensamente escandalosas e gargalhei. “Pliss – pensei eu com meus botões e zíperes – chega a ser ridículo imaginar que alguém vai ser tão idiota para não perceber que essas acusações não param em pé e não passam de uma tentativa desesperada de retirar credibilidade do STF e do Judiciário em geral. Há há há há. …. Acho que nem o gado bolsonarista cai nessa armadilha.. É evidente demais! Quá quá rá quá quá!”

    LeRdo engano. O gado bolsonarista comprou o pacote imediatamente. Alguns, por burrice. A maior parte, por ódio visceral ao STF, que mandou encarcerar seu mito. E parte não desprezível, por ver que essa era a chance de tirar Toffoli (e Xandão) do caso Master e deslocá-lo para alguém mais “confiável”. E saíram às ruas.

    O que eu não esperava era ver tanto aplauso na esquerda para o jogo safado da mídia. Olhei, vi e pasmei. E me senti, mais uma vez, o perfeito idiota; por não alcançar entender quão influente pode ser a mídia reacionária. … Mas não desisti: em mais uma demonstração de idiotia, pensei, por um momento, que se poderia reverter o oba-oba da esquerda vassourinha se somássemos esforços com Nassif, Kobori, Lênio Streck, Pedro Serrano e tantos outros para explicar a armadilha que havia sido armada pela direita. Eu mesmo escrevi alguns textos sobre isso. … É preciso ser muito idiota para acreditar que seja possível enfrentar o senso comum e a ideologia com argumentos.

    Mas sou um idiota renitente. E todo o idiota é otimista. E me convenci de que a derrota no início do ano poderia servir de lição. Quem sabe, pensava eu, não fosse necessário perder essa batalha para que entendêssemos a necessidade de operar com maior unidade na ação e dar mais audiência àqueles que discordam das leituras mais assentadas, mais evidentes, mais … senso comum? Quem sabe, após essa troletada – cujos desdobramentos ainda estamos vendo, como no famigerado powerpoint da Andreia Sadi -, a esquerda aprende a desconfiar do “óbvio” e se dispõe a ouvir argumentos que, num primeiro momento, parecem estranhos e, no limite, até absurdos? Como, por exemplo, de que as relações de amizade de Mendonça com Vorcaro – ambos, terrivelmente evangélicos – são muito mais “suspeitas” do que as de Toffoli com Vorcaro. Relações estas que, por sinal, eu não faço a mínima ideia de quais fossem, sejam seriam ou sessem. E que, aparentemente, sou o único a desconhecer no país. Parece que todos sabem que ele era íntimo do ex-banqueiro, menos eu. … Mas, enfim, eu sou apenas um idiota.

    2. O idiota rides again: o debate sobre as candidaturas de esquerda no RS

    Apesar de minha idiotia inconteste, tenho amigos muito inteligentes, que me honram com sua companhia e diálogo. No início de fevereiro, alguns desses amigos se reuniram para conversar em torno de uma boa mesa regada a bons vinhos. A conversa foi longa e proveitosa. E emergiu um consenso entre nós: a direita brasileira estava se reunificando em torno do bolsonarismo. Impedir a reeleição do Lula tornou-se estratégico para barrar o avanço das investigações e julgamentos sobre casos de corrupção. Como o campo de esquerda deveria reagir? E a resposta nos parecia evidente: consolidando e ampliando a frente que garantiu a vitória de Lula em 2022.

    Conversa vai, conversa vem, surge a questão da possibilidade de unificação das candidaturas de esquerda no RS, a partir de uma composição entre Juliana Brizola e Edegar Pretto. O debate começou acalorado. Cada um tinha uma leitura distinta. Mas, pouco a pouco, fomos convergindo para a concepção de que essa unificação era a melhor opção; independentemente de quem viesse a ocupar a cabeça de chapa.

    Quando imaginei que o debate tivesse terminado, surge uma nova questão que me deixou atônito: segundo a maioria dos colegas presentes a unidade não sairia porque o PT do RS não permitiria. Especialmente se o PDT exigisse a cabeça de chapa. Do alto da minha mais perfeita idiotia (e já tocado pelos bons vinhos que foram servidos) gargalhei a bandeiras desempregadas: “Hahahahahahahaha! Isso não faz o menor sentido. Ou vocês emburreceram de vez, ou estão completamente loucos!

    Meus argumentos para proclamar a insanidade dos meus amigos céticos e pessimistas eram – para mim – irretorquíveis. Listo-os de forma organizada:

    1. Aquela parcela da esquerda que não tinha entendido o real significado dos ataques ao STF (e, em especial, ao Toffoli e ao Xandão) orquestrados pela mídia fascista (sorry, mas não dá mais para chamar apenas de “conservadora”), desde o final do ano passado até hoje, abriu os olhos quando a relatoria caiu no colo do Mendonça. Vale dizer: aqueles que ainda não tinham percebido que a direita se reunificou e a imprensa voltou-se integralmente contra nós e a conjuntura política piorou não têm mais como não ver. Há limites estruturais para a cegueira;
    2. A frente montada para a vitória de 2022 já era uma frente ampla, marcada de forma emblemática pela escolha do Alckmin para a vice-Presidência. Se o Alckmin – o tucano mais que perfeito – pode ser vice (e vices podem virar presidentes, Temer que o diga!), por que a Brizola seria vetada para ser candidata a governadora?;
    3. Tão ou mais importante do que ser cabeça de chapa, seja para a Juliana, seja para o Edegar, é estar em sintonia com o programa e a campanha nacional de Lula. Se a direção nacional entender que o melhor candidato é esse ou aquele, haverá acordo. Pois a vitória que realmente importa é a de Lula. Não faz o menor sentido imaginar que o Edegar iria recusar um pedido de Lula. Se ele sai da disputa majoritária, ele pode se eleger deputado federal e, num futuro governo Lula, vir a ser o Ministro do Desenvolvimento Agrário, por exemplo. Um cargo para o qual ele tem todas as condições e ao qual faria jus como retribuição ao seu desprendimento por ouvir e aceder a uma demanda do Presidente.

    E, feliz e confiante em minha inteligência e discernimento, vaticinei: tenho certeza absoluta de que, se Lula pedir ao Edegar, ele abre mão da cabeça de chapa em prol da Juliana. Se não for por respeito e amor ao partido, será, ao menos, por interesse na eleição do Lula e na manutenção das melhores relações com ele. … Cês tudo tão é loko!

    Assim que eu acabei de falar, percebi o olhar atônito de todos sobre mim. E não entendi. Até que uma amiga perguntou:  – “Paiva, tu vais voltar de Uber, né? Porque está evidente que tu já bebeste muito!”

    3. O Imbróglio

    No dia 12 de fevereiro, Juliana Brizola foi recebida no Palácio do Planalto pelo Presidente Lula. Ela foi acompanhada pelo Presidente Nacional do PDT, o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. Segundo a revista Fórum, o convite para o encontro teria partido de Lula e fora precedido por reuniões entre Carlos Lupi e Edinho Silva, atual Presidente do PT. Desde então, Edinho Silva tem feito várias críticas à proposta de um “duplo palanque” para Lula no RS e reforçado a proposta de união das duas chapas com Juliana Brizola como candidata a governadora.

    Paiva, o idiota, concluiu que, após as manifestações de Lula e Edinho, só haveria um rumo a tomar: iniciar as tratativas sobre a composição. O que envolvia não apenas discutir alternativas em torno de quem assumiria a cabeça de chapa mas, também, avaliar se PSOL e PSB aceitariam a composição e se teriam demandas específicas a fazer.

    Qual o quê? Apesar de existirem normas para a definição das candidaturas estaduais e elas rezarem que: i) “as candidaturas e propostas de coligações devem atender às diretrizes sobre tática eleitoral e política de alianças aprovadas pela Direção Nacional”; 2) “as táticas estaduais se submetem à tática nacional”; e 3) “a chapa final e a definição sobre coligações estaduais somente poderão ser concluídas após a aprovação da Direção Nacional do Partido”; a gauderiada resolveu vestir o poncho farroupilha e está prestes a criar o PTRP: Partido dos Trabalhadores da República do Piratini! … Só rindo, para não chorar. Definitivamente, não há o que não haja. Analisemos a questão.

    Pergunto: é compreensível que muitos companheiros que trabalharam pela construção da candidatura de Edegar Pretto e que já estão em campanha sintam-se frustrados e revoltados com as sinalizações dadas por Lula e Edinho de que preferem um único palanque no RS, com Juliana Brizola na cabeça de chapa? Sim, é totalmente compreensível. Como é compreensível que esses agentes – se estão convictos de que a candidatura do Edegar deve ser mantida – esgrimam argumentos e trabalhem no interior das instâncias partidárias para convencer a direção nacional.

    O que é totalmente incompreensível e inaceitável é que qualquer dirigente se recuse a debater uma proposta de coligação feita pelo Presidente Lula, pelo Presidente Nacional do PT e pelas lideranças nacionais e locais do partido construído por Leonel Brizola. E é isso que está ocorrendo. Pululam nas redes sociais abertas (Facebook, Instagram, X etc.) manifestações de militantes chamando a proposta de aliança de sabotagem, traição e desrespeito a decisões democráticas. E nem se pode pretender que sejam manifestações infanto-juvenis de pessoas sem qualquer expressão político-partidária no Estado; pois elas recebem estrepitosos aplausos de militantes e lideranças políticas petistas. Para o regozijo da mídia reacionária, que vibra com nossas disputas internas!

    Nessas horas, é preciso perguntar: helloooo, tem alguém em casa? Ou a cabeça é oca? O RS não é uma República à parte e o PT sequer existiria (e não estaria na Presidência da República) se não existisse Lula. Portanto, dobre a língua (e os dedos) e comporte-se. Malcriação e ofensa é coisa de moleque que não tem argumento.

    Felizmente, há bem mais do que esse tipo de revolta esquerdista farroupilha infanto-juvenil. Há, também, quem busque argumentar. E é só com esses que vale a pena debater. Quais são os argumentos?

    O primeiro deles é uma versão educada do “nós já decidimos e está decidido”. Nessa versão, argumenta-se sobre a importância de a direção nacional respeitar as deliberações regionais sob pena de gerar fissuras internas; tal como ocorreu no Rio de Janeiro a partir da intervenção do PT nacional sobre o fluminense, retirando a candidatura do Vladimir Pomar e promovendo uma coligação de Anthony Garotinho e Benedita da Silva em 1998. O argumento é analógico, vale dizer: não é, nem ilógico, nem lógico: trata-se de uma aproximação por similaridade. E esse tipo de raciocínio só é válido supondo tudo o resto constante. Ora, nem o RS é o RJ (são culturas políticas muito distintas); nem 1998 (quando o PT ainda não tinha chegado à presidência) é 2026; nem Juliana Brizola é Anthony Garotinho. Este último ingressou na vida política como radialista em programas assistencialistas e de cunho religioso (evangélico pentecostal) e já transitou por sete partidos distintos em sua vida pública. Juliana Brizola foi filiada ao PDT por seu avô, Leonel, aos 18 anos de idade, e nunca trocou de partido.

    O segundo argumento contra a coligação é que o PDT não seria um partido de esquerda. Ora, esquerda e direita não são referências absolutas, mas relativas àquilo que se toma como centro. O PSB é um partido de esquerda? Alckmin é de esquerda? …  Esse argumento crítico, via de regra, vem junto com o argumento de que o PDT teria participado dos Governos Sartori e Leite. É fato. Mais, até: Eduardo Leite apoiou Juliana Brizola em sua candidatura a prefeitura de Porto Alegre em 2022. Juliana, ao ser derrotada, apoiou Maria do Rosário no segundo turno. E Eduardo Leite apoiou a candidatura de Fernando Marroni, no segundo turno em Pelotas. Pergunta que não quer calar: esses apoios foram bem-vindos quando emergiram? Ou foram recusados? …

    Não se trata de defender Eduardo Leite e seu governo. Trata-se de não usar dois pesos e duas medidas por critérios de conveniência. Se Juliana e Leite são “leprosos intocáveis”, porque os apoios de ambos às candidaturas do PT foram aceitos em 2022? …

    Na verdade, esse argumento não tem pé nem cabeça. Pois se é verdade que o “pecado” de participar do governo Leite transforma qualquer partido em “direita”; a virtude de participar do governo Lula deveria realizar mágica similar. O que nos leva à conclusão de que o União Brasil (com o Ministério das Comunicações) e o PSD (Minas e Energia e Agricultura) são partidos de esquerda! E que o PDT também é; pois gere o Ministério da Previdência Social!

    Deixemos de sofismas, por favor. Para participar de uma Frente Ampla antifascista não precisa sequer ser “de esquerda” (seja lá como cada um defina isso). Precisa apenas ser antifascista! Mas, tentando resgatar o que há de racional nesse argumento arrevesado, vale reconhecer que, sim, o PDT está à direita do PT e Juliana está à direita de Edegar. Qual o significado disso? Que Juliana pode ampliar o leque eleitoral. Os votos do PT não irão para qualquer outra candidatura se Juliana ocupar a cabeça de chapa. Mas os votos de um certo centrismo – esse mesmo representado pelo Leite – podem convergir para sua candidatura em um segundo turno contra o Zucco. Votos esses que dificilmente viriam para Edegar.

    O terceiro argumento é de que, com a aliança perderíamos o apoio do PSOL. Bem, isso não é argumento; é achologia e torcida. É o PSOL que tem que decidir se aceita ou não a construção de uma Frente Ampla. Aqueles que afirmam peremptoriamente que ele não aceitará parecem desconhecer a leitura de Trotsky sobre a necessidade de Frente Ampla (e não Única, leia-se bem: Frente AMPLA) para enfrentar e derrotar o fascismo. Na dúvida, leia-se Revolução e Contrarrevolução na Alemanha.

    Por fim, há um nãoargumento, uma declaração de infantilidade, que se expressa na pretensão de que, se não for alguém do PT na cabeça de chapa, a militância não vai assumir a campanha. Pois petista só trabalha para petista. … Aff. Não há o que não haja. Para começo de conversa, a militância não anda pegando pesado em muitas campanhas há já algum tempo. Mesmo com cabeças de chapa 100% petistas. E eu acredito que parte da “falta de disposição” advenha da descrença. Por que batalhar por uma candidatura que se sabe ter um teto determinado e, pior ainda, um teto relativamente baixo? Erra quem pretende que a juventude esteja desesperançada e não acredite mais nos partidos e candidaturas. Vejam o que aconteceu em Nova York recentemente, com a eleição de Mamdani. Por que não acontece aqui? É da nossa “natureza gaudéria”? Não, não é.

    O RS já foi um Estado progressista, um orgulho para a esquerda nacional e mundial. Há algum tempo que não é mais. Pode voltar a ser? Claro que sim. Se voltarmos a ter originalidade, audácia e vontade de mudar. Se há uma coisa que eu tenho certeza é que10 entre 10 nãopetistas odeiam a arrogância de tantos militantes do PT, que pretendem estar sempre certos e serem os únicos que têm “as mãos limpas”. Ah! – alguémdirá – o PSOL também é assim; ou até pior! Sem dúvida! Pois o PSOL não é mais do que um PT exacerbado, que tem todos os seus defeitos e quase todas as suas qualidades. Com uma diferença: o PT é menos excludente. O PT também é Lula. E Lula é pura inclusão e respeito. Que tal aprendermos algo com ele? Em vez de mandá-lo se meter com o “seu” partido no “resto do Brasil”? …. Acho que teríamos muito a aprender.

    É bem possível que eu esteja errado. Afinal, não passo de um idiota. Não gratuitamente, a novela de Dostoievski que leva esse nome é o meu romance predileto. Me identifico com o personagem principal. Que tinha, entre as provas de sua idiotia, a incapacidade de ocultar o que pensava. Só os idiotas dizem o que pensam. Mas não consigo deixar de ser um idiota e de concordar com o Príncipe Liev Michkin, que dizia:

    A falta de originalidade existe em toda parte, em todo mundo. Mas desde que o mundo é mundo, a originalidadesempre foi considerada a primeira qualidade e a melhor recomendação do homem de ação e prático. Pelo menos noventa e nove de cada cem pessoas fazem odes à inovação e à originalidade. Mas só uma em cada cem consegue ver as coisas de modo diferente. Os inventores e os gênios, no início de suas trajetórias (e muitas vezes até o final), sempre são vistos como imbecis.


    Foto de capa:Carlos Paiva | IA

    Sobre o autor

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    Carlos Águedo Paiva
    Economista, Doutor em Economia e Diretor da Paradoxo Consultoria Econômica.

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    Carlos Águedo Paiva

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