Um olhar sobre programa de governo

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Creio que ainda poderão vir modificações significativas no quadro da disputa eleitoral.

Os articuladores da candidatura bolsonarista desconfiam que o filho de Bolsonaro não será capaz de atrair toda a base social que os reacionários e direitistas precisam para terem alguma chance de vitória. Alguns entre eles acham que devem ter um outro candidato das elites para se apresentar como a superação da polarização capaz de iludir e manipular um eleitorado despolitizado e sem perspectiva clara de futuro.

Lula,no outro polo da disputa, tem tudo para atrair o centro para um Projeto de Desenvolvimento do Brasil, para construir um futuro com soberania, desenvolvimento econômico, com consolidação da nossa democracia e com justiça social e sustentabilidade. Quanto mais cedo a campanha de Lula explicitar a parte do seu programa voltado para esse centro social e político, melhor. Terá mais tempo para esse diálogo e não terá, pelo menos no início, um concorrente focado, atuando junto a esse segmento de eleitores.

Acho que setores das elites econômicas, Faria Lima e agronegócio por exemplo, que não foram totalmente seduzidas pelo bolsonarismo, ainda vão tentar criar nos seus laboratórios de marketing, com seus melhores marqueteiros, uma saída despolitizada, travestida de afável e civilizada, porque estão pressentido que o Flávio Bolsonaro, mesmo com certo crescimento nos últimos meses, tende a ter um vôo de galinha e, por isso, acreditam que uma outra candidatura, com aparência de centro, talvez seja a saída eleitoral para a direita. Sabem dos limites e conhecem o telhado de vidro do filho de Bolsonaro.

Não vejo quem poderia ser o candidato, mas isso é o de menos. Inventam e massificam a imagem do novo candidato, como inventaram Color de Mello.

Sob o ponto de vista geral da campanha, Lula não deve deslocar sua candidatura para ser esse cadidato de centro. Todo centro é o ponto de intercessão entre os dois polos principais de uma contradição. Sem o cenário completo, o centro perde significado, vira um conceito pantanoso se falta um dos polos, no caso, a alternativa de esquerda.

Pelo contrário. Lula deve ser o que ele é e que construiu nas lutas sociais e na condução do país. Sendo o que é, ou seja, um grande estadista, o maior que já tivemos na história do Brasil; sendo o maior líder social de todos os tempos deste país, falando e propondo futuro para toda a nação. Com seu perfil, nosso candidato tem condições de empolgar a juventude e todos que se sentem frustados ou insatisfeitos com o que já foi entregue até hoje pela nossa democracia cambaleante e os que estão inquietos com o futuro do Brasil.

O país está sedento de futuro, o povo brasileiro quer mais. E Lula pode realizar muito mais pelo futuro do Brasil e pela qualidade de vida do povo

Brasileiro, basta sair fortalecido das próximas eleições, sem um Congresso puxando para trás e para baixo, como é hoje.

Nem todos percebem e compreendem a amplitude do cerco que a extrema direita e as elites e sua imprensa vem impondo ao governo.

O governo, na verdade, sob a liderança de Lula, vem produzindo milagres, que só um líder de sua dimensão pode obter em condições políticas tão desfavoráveis. É verdade que algumas áreas do governo não estão conseguindo entregar resultados satisfatórios, mas o governo como um todo, vem surpreendendo, produzindo resultados significativos, até mesmo impactantes, na economia e na melhora das condições sociais do povo brasileiro. Níveis altos de emprego, queda da inflação, índice acima da média mundial de crescimento etc…
Lula está mostrando ao país e ao mundo que é o estadista capaz de defender nossa soberania e representar os interesses do Brasil, da América Latina, e do Sul Global e na verdade, está se sobressaindo globalmente, em todo o mundo, por sua movimentação pela paz, pelo diálogo e por soluções negociadas. Lula representa o respeito à todos os países, povos e culturas do mundo. Lula hoje é o maior defensor no planeta do multilateralismo. Lula é quem representa, no plano mundial a defesa de valores e conquistas que a humanidade conseguiu no decorrer da história e que se constitui no legado que as diversas civilizações deixaram e que está ameaçada por um recrudescimento do fascismo e do imperialismo, e pela crise do império norte americano. Trump, Netanyaru representam o fascismo que está pipocando em todo o mundo e que ameaça a democracia e toda a vida civilizada no planeta. São os arautos de um futuro distópico para a humanidade. Lula é a esperança de um mundo melhor. O mundo está acompanhando e apoiando

Lula e podemos e devemos defender e encarnar na disputa eleitoral um programa de paz para o mundo e um desenvolvimento sustentável para o Brasil e para a América Latina. Para o Brasil, nosso programa deve ser capaz de impulsionar nossa economia em toda sua amplitude, nas múltiplas frentes, incluindo economias já consolidadas entre nós e novas economias, algumas inclusive com potencial para o Brasil estar entre os mais bem sucedidos, como as diversas economias criativas.

Lula representa a consolidação da nossa democracia, ainda cambaleante, e diariamente ameacada pelo golpismo.

No programa de governo, podemos ampliar o que temos de positivo, propostas para modernizar e ampliar a possibilidade de participação e influência da sociedade no Estado brasileiro e propostas para inovar com mecanismos com capacidade de gerar e ampliar inclusão e possibilitar convivência civilizada e a acessibilidade para todos os brasileiros e brasileiras.

Lula vai representar os trabalhadores em geral, os pobres e a classe média. Lula devera se tornar o representante na disputa do povo brasileiro contra o candidato das elites, de Trump e da extrema direita.

Lula pode representar de forma mais contundente ainda e mais concreta, um projeto político/social com um programa/ compromisso capaz de mobilizar o país.

Esse programa deverá fortalecer o sentimento de pertencimento para as muitas condições que co

põem o povo brasileiro. Precisaremos apresentar um programa de união nacional em torno desse programa.
E, dar segurança ao povo brasileiro que o Brasil para o qual vai se dedicar a construir em seu 4º mandato, cabe todos os brasileiros e brasileiras e esse desenvolvimento deverá articular o fortalecimento da economia nacional com democracia, muito mais ampla e generosa do que a que temos hoje, com fortalecimento da justiça social e com respeito aos princípios de sustentabilidade.


Foto de capa: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Sobre o autor

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Juca Ferreira
Sociólogo e político brasileiro. Foi Ministro de Estado da Cultura nos governos Lula e Dilma, Secretário de Cultura da cidade de São Paulo e vereador de Salvador.

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