Por Solon Saldanha *
BRASÍLIA – Sob a presidência de Gabriel Galípolo, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (18), fixando-a em 14,75% ao ano. O movimento marca o início de um ciclo de flexibilização monetária na nova gestão e é o primeiro corte registrado desde maio de 2024, quando o órgão ainda era comandado por Roberto Campos Neto.
Mesmo sob pressão do governo federal e de setores produtivos, o colegiado optou por um corte conservador. A decisão reflete o estresse do mercado financeiro e a volatilidade dos juros futuros, intensificados pela alta do petróleo devido à guerra no Irã. O comunicado oficial evitou sinalizar os próximos passos, utilizando termos como “cautela” e “calibração” para definir a estratégia atual.
Incerteza global e inflação
A decisão unânime contou com o voto de sete dos nove membros do comitê. O texto destaca que o cenário externo tornou-se mais adverso, o que elevou as projeções de inflação. Para 2026, a estimativa do BC saltou de 3,4% para 3,9%, distanciando-se da meta central de 3%.
O Copom ressaltou que a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio são variáveis críticas. “O Comitê reafirma serenidade e cautela, de forma que os passos futuros incorporem novas informações sobre os efeitos dos conflitos no nível de preços”, afirmou o órgão em nota.
Cenário Interno
No plano doméstico, o Banco Central monitora a resiliência do mercado de trabalho e as expectativas do Boletim Focus, que projeta o IPCA acima da meta para os próximos anos. Para conter pressões imediatas nos combustíveis, o governo federal já anunciou a desoneração do diesel e subsídios que somam R$ 30 bilhões.
A diferença entre a taxa de juros brasileira e a dos Estados Unidos — onde o Fed manteve as taxas entre 3,5% e 3,75% — permanece em 11 pontos percentuais. O colegiado do Banco Central voltará a se reunir nos dias 28 e 29 de abril para reavaliar a conjuntura econômica.
Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto de capa: Gabriel Galípolo, divulgação Senado





