O publicitário e estrategista político Henrique Pereira lança Teia Popular – Soberania Digital: Para vencer esta guerra, obra que analisa a virada tecnopolítica global e apresenta um método prático para sindicatos, mandatos, candidaturas e movimentos populares enfrentarem a dependência das grandes plataformas digitais.
O livro demonstra como as big techs deixaram de ser apenas empresas de inovação para se transformarem em infraestruturas estratégicas de poder — político, econômico, estatal e militar — organizando fluxos de informação, dados e a economia digital. Analisa a economia da vigilância, a manipulação emocional em escala e o avanço da inteligência artificial como novo estágio da assimetria comunicacional.
Na primeira parte, a obra mostra que as redes sociais constituem um falso terreno: não são espaço neutro de organização, mas campo estruturado por algoritmos opacos e interesses privados. Pressionada a evitar o apagamento, a comunicação popular passou a buscar visibilidade imediata, muitas vezes adaptando-se às regras das plataformas.
O autor adverte que essa adaptação tática pode carregar um erro estratégico, ao adotar métodos que se assemelham aos utilizados pela direita digital — como a predileção por ataques aos adversários e polêmicas rasas — em detrimento de pautas propositivas e formadoras de consciência de classe.
A proposta, contudo, não é abandonar as redes sociais, mas redefinir sua função. Elas deixam de ser moradia política e passam a ser instrumento de captação. Surge, assim, o conceito de tarrafa digital: atrair contatos e conduzi-los para relações diretas, organizadas e verificáveis.
O prefácio é assinado por Sérgio Amadeu da Silveira, sociólogo, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos principais pesquisadores brasileiros sobre tecnologia, poder e democracia digital. Ex-membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Amadeu define a obra como “mais do que um livro — um método para a construção coletiva de resistência e soberania digital”, ressaltando a importância de organizar infraestrutura própria diante da concentração das big techs.
Inspirado na pedagogia de Paulo Freire, o livro propõe tecer sete fios para construir um ecossistema organizativo. Esse método recebe o nome de INVERTER SETE. O resultado dessa construção é o núcleo da obra: a chamada Teia Popular.
Trata-se de insubordinar-se aos algoritmos, sair das métricas obscuras e migrar para ambientes verificáveis, onde as pessoas deixem de ser tratadas como números e passem a ser reconhecidas como sujeitos políticos, convidados ao diálogo, à escuta estruturada e ao relacionamento continuado — sustentado tanto pela razão quanto pela emoção, pelo afeto e pelo pertencimento.
O método propõe ainda o desenvolvimento de tecnologia soberana capaz de sustentar a arquitetura da Teia Popular. Quando diferentes organizações adotam o mesmo método e protocolo e interligam suas teias, forma-se um tecido cooperativo de resistência.
A obra encerra com um chamado direto: não esperar condições ideais. Tecer é um ato político. A soberania digital popular começa agora.
Lançamento
O lançamento ocorrerá no dia 13 de março, às 19h, no SindBancários de Porto Alegre, com debate público entre Henrique Pereira, Sérgio Amadeu da Silveira, Raul Pont e Maria do Rosário (a confirmar). O evento terá transmissão ao vivo. O lançamento nacional está previsto para 18 de maio, em Brasília, durante o Segundo Encontro Nacional pela Soberania Digital.
Mais informações em: https://teiapopular.com.br
Sobre o autor
Henrique Pereira é publicitário, especialista em comunicação sindical e estrategista político com mais de três décadas de atuação nacional. Militante de esquerda desde 1979 e atuando na comunicação desde os anos 1980, participou da formulação de estratégias eleitorais que contribuíram para a eleição de dezenas de prefeitos e parlamentares, além da organização e posicionamento de centenas de direções sindicais. É fundador da Interlig Comunicação Sindical e Popular, onde atua desde 1995.
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