Por GICELMA FONSECA CHACAROSQUI* e ARQUIMEDES GASPAROTTO JÚNIOR*
O destino da Universidade Federal da Grande Dourados, UFGD, é mudar. Mudar para avançar. Mudar para melhorar. Mudar para cuidar.
Cuidar de sua comunidade interna – vastamente desintegrada e desamparada. Cuidar da sociedade em seus entornos – na maior das vezes indiferentes à existência da UFGD. Cuidar do futuro do país – que ainda necessita superar desafios galvanizados em desigualdades econômicas e sociais agudizadas por disparidades e peculiaridades regionais.
Para tanto, a UFGD precisa reencontrar-se. Olhar-se nos olhos. Erguer-se frente a frente, cara a cara. Em meditação profunda, autoanálise e exame de consciência. Para voltar aos trilhos, superar a entropia generalizada em que se encontra, conter o seu estado de anomia quase crônica e reabilitar a sua capacidade de sonhar o futuro. Reposicionando-se positivamente em Dourados, na Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, no país, no Cone Sul e no mundo. Criada em 2005, no bojo no movimento de expansão universitária no país, a UFGD internalizou o propósito de conciliar excelência acadêmica, responsabilidade social e sustentabilidade institucional. Vinte anos depois, após várias gestões majoritárias de parca ou nula visão de conjunto, esse propósito desidratou-se, esmaeceu e apequenou-se. Conduzindo a UFGD à beira da falésia. Bem perto do caos institucional, bem longe da plenitude de suas responsabilidades sociais e ainda mais distante da excelência acadêmica que uma instituição de seu porte e nível deveria operar.
Atendendo cerca de 8.763 estudantes – 6.831 na graduação e 1.932 na pós-graduação – matriculados em seus 50 cursos de graduação e 27 de pós-graduação, a instituição figura como porte médio entre as universidades federais brasileiras. Emprega 603 docentes efetivos, 72 docentes substitutos ou visitantes e 604 técnicos administrativos permanentes. Dotando-se, assim, de extraordinários potenciais de interação positiva, abrangência ativa e penetração transformadora em seus entornos imediatos, regionais, nacionais e internacionais.
O Centro-Oeste brasileiro, o Mato Grosso do Sul, a Grande Dourados e Dourados – onde a UFGD está situada – possuem claros e escuros magníficos e desafiadores. Que demandam análise, compreensão e interação generosos. Para, ao cabo, poder-se afirmar a UFGD em seu lugar de direito e destaque nesse verdadeiro oceano azul brasileiro.
Especialmente porque essas múltiplas escalas regionais – Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Grande Dourados – representam a segunda fronteira de crescimento econômico do país. Com performance que ultrapassa 10% de crescimento de PIB ao ano, totalizando um PIB regional superior a R$ 1 trilhão de reais. Tudo isso depositário de desempenhos competentes e consequente da agropecuária, da agroindústria, do setor de serviços e da administração pública.
A expansão agroindustrial na região vem resultando numa progressiva agregação de valor à produção primária a partir da intensificação de empenhos em bioenergia e economia verde, do melhoramento de aparatos de logística e infraestrutura, da aceleração da inovação aplicada ao campo através do AgTech e da otimização da integração física com países como a Bolívia e o Paraguai. Tudo isso em conjunto representa o que há de mais sofisticado no país e projeta a nossa região como uma das mais dinâmicas, resilientes e avant-garde do Brasil. Não simplesmente pela pujança do agro, mas essencialmente pela variedade de competências e iniciativas de sua população.
No caso exclusivo do Mato Grosso do Sul, da Grande Dourados e de Dourados a situação é ainda mais espetacular. Trata-se da economia das mais multidimensionalmente dinâmica do Centro-Oeste. Com crescimento que ultrapassa 14% em PIB e posiciona o estado entre as 15 melhores economias do país, com faturamento que beira os R$ 200 bilhões ao ano.
Se isso não bastasse, essa exitosa performance tem minorado as desigualdades sociais do estado. Pois a forte vocação para a produção de soja, milho, cana-de-açúcar e proteína animal vem gerando externalidades positivas como a geração progressiva de empregos formais e a consequente elevação do rendimento médio da população. Situando o Mato Grosso do Sul entre os estados de menor nível de pobreza e extrema pobreza do país. Demonstrando, mais que tudo, tratar-se de um estado simplesmente fabuloso. Que demanda de uma instituição de ensino superior como a UFGD especialmente coragem, competência e eficiência no auxílio à manutenção e aceleração dessas dinâmicas proveitosas.
Até porque, a luminosidade dessas dinâmicas possui o seu lado sombra. Um lado nem sempre notado, mas materializado em pressões ambientais, conflitos fundiários, conjunturas dos povos indígenas, desigualdades sociais, vazios territoriais, gargalos de urbanização e deficiências em educação e inovação que ainda persistem no estado, na região e no país.
Sendo assim, nessa ambiência de luz e sombra, o papel da UFGD precisa ser, inicial e imperiosamente, voltar a ser a UFGD. Uma instituição eficiente e empática que, por variadas razões, nos últimos anos, tem, forçosamente, abdicado de sê-lo. Parte pela ausência de uma visão abrangente e generosa por parte de seus gestores. Parte por certa obsessão ideológico-partidária que esteriliza a alma da instituição.
Essa situação levou a UFGD a descarrilar-se. Perder o rumo. Perder o sentido. Perder a identidade. E, pior, estar perto de perder a sua razão última de existir.
A disfuncionalidade desse quadro tem conduzido a família UFGD ao desacorçoo. Com os seus docentes – não raro de competências superlativas – naufragando em desânimo. Com os seus técnicos administrativos – não raro de higidez exemplar – sucumbindo à apatia e à indiferença. E, o pior de tudo, com os seus estudantes e potenciais estudantes – portadores de vida, futuro, destino e esperança – ou bem evadindo em massa ou bem, simplesmente, ignorando matricular-se na UFGD; o que tem produzido um quadro preocupante de vagas ociosas e um quadro desesperador de retração geral da UFGD em rankings nacionais e internacionais de performance universitária.
Por todas essas razões, a UFGD precisa mudar.
Mudar para avançar. Mudar para melhorar. Mudar para cuidar.
E vai.
Em contrário, a instituição tende a desaparecer. Não necessariamente como repartição pública. Mas como instituição de ensino superior que mereça efetivamente essa designação.
Por tudo isso, vimos a público inaugurar um debate abrangente e generoso sobre o destino da UFGD apresentando a nossa candidatura à chefia dessa formidável instituição.
A essência desse nosso propósito é cuidar.
Cuidar a UFGD e cuidar a sociedade.
Deixe-nos cuidar e vem cuidar com a gente.
Juntos construiremos uma UFGD forte, plural e socialmente referenciada.
*Gicelma Fonseca Chacarosqui é Professora Titular do Departamento de Letras da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e candidata a Reitora da UFGD pela Chapa 2, Gicelma e Arquimedes, Cuidar a UFGD.
*Arquimedes Gasparotto Júnior é Professor Associado da Faculdade de Ciências da Saúde da UFGD e candidato a Vice-Reitor da UFGD pela Chapa 2, Gicelma e Arquimedes, Cuidar a UFGD.
Foto de capa: Fachada da Faculdade de Direito e Relações Internacionais da UFGD| Divulgação




