Dizem que falta crescimento.
Outros preferem eficiência.
Há ainda os que clamam por disciplina, como um aluno inquieto, condenado à carteira.
Talvez não seja falta.
Talvez seja direção.
O país se move. Oscila. Ajusta.
Produz números que sobem e descem, gráficos que respiram, indicadores que piscam.
Mas há movimentos que não levam a lugar algum.
Mover-se não é o mesmo que avançar.
Há anos circulamos por uma faixa estreita. Nem colapso, nem transformação.
Um espaço intermediário onde o esforço se acumula, mas a posição pouco muda.
Não faltam políticas.
Falta deslocamento.
Multiplicam-se medidas que administram o lugar onde estamos, mas raramente aquelas que mudam o piso em que vivemos.
Chamam isso de pragmatismo.
Muitas vezes é só acomodação com método.
Uma agenda realmente progressista não começa pelo possível.
Começa por aquilo que o possível exclui.
Não calibra apenas instrumentos. Interroga a direção.
Não busca eficiência em abstrato. Pergunta: eficiência para quê, e para quem.
Não corrige margens. Desloca estruturas.
Porque o problema não é a velocidade.
É o trajeto.
Há economias que sobem com dificuldade. Outras que descem com facilidade.
E há aquelas que se especializam em permanecer.
O Brasil tornou isso uma obsessão.
Uma agenda realmente progressista rompe com essa especialização.
Não trata o crescimento como acaso. Organiza.
Não delega o futuro ao ciclo, ao humor dos mercados ou à sorte das commodities.
Constrói.
Coordena.
Direciona.
E assume, sem rodeios, que subir não é um efeito colateral.
É uma decisão.
E decisões têm custo.
Há interesses instalados no vai e vem.
Setores que prosperam na circulação sem transformação.
Arranjos que funcionam melhor quando nada muda muito.
Uma agenda progressista não contorna isso.
Atravessa.
Não para destruir o que existe, mas para deslocar o que nos mantém no mesmo lugar.
Porque permanecer também é uma escolha.
Só que confortável demais para ser admitida.
No fim, a questão é menos técnica do que parece.
Não é sobre encontrar um novo norte.
É sobre construir um sul.
Um sul que desoriente o que nos manteve no mesmo lugar.
Nunca foi o movimento.
Foi a direção do projétil.
Foi a falta de um sul.
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