Da Redação*
Representantes de cerca de 40 países participaram, em Copenhague, de reunião preparatória para as próximas conferências climáticas da ONU.
As presidências da COP30 e da COP31 apresentaram, na última semana, na Dinamarca, a proposta preliminar do chamado Acelerador Global de Implementação Climática, iniciativa voltada à execução mais rápida de medidas de combate às mudanças climáticas. O encontro ocorreu durante a tradicional Reunião Ministerial do Clima de Copenhague, considerada a última grande rodada política antes das sessões preparatórias da ONU em Bonn, na Alemanha.
Criado durante a COP30, realizada em Belém em 2025 sob presidência brasileira, o mecanismo busca acelerar soluções práticas e ampliar a implementação de ações climáticas em escala internacional. A próxima conferência do clima da ONU será realizada em novembro, em Antália, na Turquia, com copresidência turca e australiana.
Combustíveis fósseis e desmatamento entram no centro do debate
Entre os principais temas discutidos estiveram os chamados “Mapas do Caminho” para a redução do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento até 2030, compromisso firmado anteriormente na COP28, em Dubai.
Segundo a presidência brasileira da COP30, foram recebidas 444 contribuições internacionais durante consulta pública realizada entre fevereiro e abril. O presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que já existem soluções científicas e tecnológicas capazes de limitar o aquecimento global à meta de 1,5°C prevista no Acordo de Paris. Para ele, o maior desafio agora envolve financiamento internacional e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento.
A CEO da COP30, Ana Toni, explicou que o acelerador climático pretende transformar compromissos diplomáticos em ações concretas, com foco em tecnologias, metodologias e procedimentos capazes de produzir efeitos rápidos no enfrentamento da crise climática.
Países tentam transformar promessas em execução
Durante o encontro, também foram debatidos temas ligados às metas nacionais de redução de emissões, adaptação climática e ao futuro do chamado “regime climático”, conjunto de acordos e conferências internacionais que organiza as políticas globais sobre o tema.
A diretora de Clima do Ministério das Relações Exteriores, a embaixadora Liliam Chagas, afirmou que existe uma percepção crescente entre os países de que as negociações precisam avançar para uma etapa mais prática. Segundo ela, dez anos após o Acordo de Paris, o foco agora é transformar compromissos em políticas efetivas e garantir recursos financeiros para a transição para economias de baixo carbono.
A avaliação de representantes brasileiros é que a comunidade internacional vive uma fase de transição: menos centrada apenas em negociações diplomáticas e mais voltada à implementação concreta das metas climáticas já assumidas pelos países.
* Redator: Solon Saldanha
Capa: Ilustração criada pela redação com uso de IA




