Da Redação*
O trabalho investigativo e de levantamento de informações realizado pela Folha de S.Paulo revelou detalhes sobre a trajetória empresarial de Karina Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, obra inspirada na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, a expansão de seus negócios ocorreu a partir do período em que ela se aproximou do deputado federal Mario Frias (PL-SP), então secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro.
Moradora da Brasilândia, na zona norte da capital paulista, Karina passou a comandar um conjunto de empresas e associações que ampliaram sua atuação para além do setor cultural. Nos últimos anos, seus empreendimentos receberam recursos destinados a campanhas eleitorais do PL, emendas parlamentares e contratos públicos, conforme informações obtidas pela Folha.
Expansão empresarial
Antes de 2020, Karina atuava por meio de uma empresa voltada a atividades culturais e de marketing. A partir daquele ano, promoveu mudanças societárias e criou novas organizações, entre elas o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a produtora Go Up, responsável por “Dark Horse”.
De acordo com a investigação jornalística, a empresária também ampliou recentemente sua presença em outros estados. Em 2026, abriu uma holding em Aracaju (SE) e ingressou como sócia de uma empresa do setor da construção civil sediada em Salvador (BA).
Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a relação com Mario Frias contribuiu para aproximar Karina de projetos ligados ao campo conservador e à família Bolsonaro. O parlamentar nega qualquer irregularidade envolvendo recursos públicos destinados às empresas e instituições associadas à empresária.
Contratos e investigação
Entre os contratos que chamaram a atenção das autoridades está um acordo de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo para oferta de internet em comunidades carentes. O caso é alvo de apurações do Ministério Público e da Polícia Civil. A RED publicou hoje pela manhã matéria sobre este fato.
Na segunda-feira (1º), agentes realizaram operação em endereços ligados à empresária. A reportagem informa que Karina não respondeu aos questionamentos encaminhados sobre o crescimento de seus negócios nem sobre as investigações em andamento.
Outro empreendimento citado é a feira Connect Faith, voltada aos temas de fé e tecnologia. O evento recebeu apoio financeiro da Prefeitura de São Paulo para custeio de infraestrutura e acabou sendo realizado sem o público esperado e após sucessivos adiamentos.
Filme e expectativa pelo Oscar
A Go Up, produtora responsável por “Dark Horse”, foi criada em 2021 e tem Karina Gama como sócia-administradora. Segundo a reportagem, a empresa não possui produções registradas na Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Em declaração anterior concedida por escrito, a empresária elogiou o trabalho desenvolvido no filme sobre Jair Bolsonaro e afirmou acreditar no potencial internacional da obra. Karina declarou que “Dark Horse” tem qualidade para conquistar seis estatuetas do Oscar e destacou a participação de Mario Frias no projeto.
* Redator: Solon Saldanha
A ilustração foi criada pela redação, com uso de IA.




