Da Redação*
Evento religioso financiado pela prefeitura e pelo governo do Rio serviu de vitrine para pré-candidatos ligados ao bolsonarismo. Flávio Bolsonaro, esperado na marcha, não compareceu.
A “Marcha para Jesus”, realizada no Rio de Janeiro e organizada pelo pastor Silas Malafaia, reuniu lideranças políticas alinhadas ao bolsonarismo e recebeu quase R$ 6 milhões em recursos públicos. O evento contou com participação de parlamentares e pré-candidatos apoiados pelo líder religioso, que também aproveitou o ato para fazer ataques a adversários políticos e à esquerda.
Entre os nomes promovidos por Malafaia estavam o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo estadual, além do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL), líder do partido na Câmara, e do ex-vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil). Também participaram políticos ligados ao grupo bolsonarista fluminense, como o deputado estadual Chico Machado (PL), reforçando o caráter político assumido pelo evento religioso.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como presidenciável do campo da extrema-direita, havia sido convidado, mas não compareceu. A ausência chamou atenção diante das recentes movimentações envolvendo o senador e setores da liderança evangélica ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Recursos públicos e articulação política
A Prefeitura do Rio destinou R$ 3,9 milhões para a realização da marcha, valor superior ao concedido no ano anterior. O aporte ocorreu ainda na gestão de Eduardo Paes (PSD), que vem buscando aproximação com setores evangélicos e mantém relação próxima com Malafaia.
Já o governo estadual do Rio, então comandado por Cláudio Castro (PL), contribuiu com mais R$ 2 milhões para o evento. Castro também integra o grupo político apoiado pelo pastor e trabalha para viabilizar sua candidatura ao Senado nas eleições de 2026.
Mesmo com o apoio financeiro da prefeitura, Malafaia utilizou o evento para impulsionar Douglas Ruas, adversário político de Paes na disputa pelo Palácio Guanabara. O pastor voltou a associar pautas progressistas à degradação moral e fez críticas diretas a evangélicos que votam em candidatos de esquerda.
Durante seus discursos, Malafaia afirmou que “não é possível homens maus estarem no controle da nação”. Em outro momento, declarou que há evangélicos que “na hora de votar, votam em vagabundo, ladrão, em gente que odeia a Bíblia”, aprofundando o tom político-partidário do encontro religioso.
Relação com Flávio Bolsonaro sofre desgaste
A ausência de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a oscilações na relação entre o senador e Malafaia. Nos últimos meses, o pastor demonstrou preferência por uma eventual chapa presidencial formada por Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, adversária interna de Flávio dentro do próprio bolsonarismo.
Depois disso, o senador passou a buscar aproximação com outras lideranças evangélicas, reduzindo a dependência política do apoio de Malafaia. Ainda assim, no início de maio, o pastor voltou a fazer gestos públicos em favor de Flávio ao convidá-lo para uma celebração religiosa em sua igreja.
Nos bastidores, porém, o escândalo envolvendo a relação do senador com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a gerar desconforto entre aliados conservadores. Inicialmente, Malafaia saiu em defesa de Flávio e criticou reportagens sobre o caso, mas depois admitiu que novas revelações poderiam dificultar o apoio evangélico à candidatura do parlamentar.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Malafaia com candidatos bolsonaristas. Crédito: reprodução ICL Notícias




