Por Solon Saldanha *
A coligação formada por PT, PV e PC do B protocolou um pedido na Justiça Eleitoral para suspender o perfil digital “Dona Maria”, protagonizado por um avatar de inteligência artificial. Os partidos alegam que a personagem, utilizada para criticar a gestão federal, configura propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de deepfake.
O perfil, gerido pelo motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos, de 37 anos, alcançou métricas expressivas nas redes sociais. Segundo levantamento da consultoria Arquimedes, o conteúdo no Instagram superou a marca de 102 milhões de visualizações. A eficácia da distribuição é evidenciada pelo alcance dos vídeos, que ultrapassa em 140 vezes o número de seguidores diretos, impulsionado principalmente pelo algoritmo de recomendações e compartilhamentos.
Alcance e aspectos jurídicos
A defesa do criador sustenta a transparência do projeto, uma vez que a descrição da página identifica explicitamente o uso de IA e um vídeo fixado detalha o processo de produção. Para especialistas em marketing digital, a remoção do perfil enfrenta barreiras jurídicas, dado que a liberdade de expressão protege a produção de conteúdo por pessoas físicas, mesmo com ferramentas tecnológicas, desde que a autoria seja assumida.
Daniel Santos afirma que a personagem passou por adaptações para evitar sanções das plataformas, reduzindo o uso de termos ofensivos e evitando menções nominais diretas a políticos. O autor nega vínculos orgânicos com movimentos partidários específicos, classificando-se como um eleitor de direita independente. Atualmente, o perfil gera uma receita média mensal de R$ 1.500 por meio de monetização digital, segundo informa Daniel. Não foi possível confirmar se outros valores, de outras fontes, estão sendo agregados ao seu ganho.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Perfil Dona Maria é criação de IA. Crédito: reprodução Migalhas




