Da Redação*
A indústria das apostas esportivas e dos cassinos online continua ampliando sua presença no mercado brasileiro desde o início da regulamentação federal, em janeiro de 2025. O crescimento aparece tanto no faturamento das empresas quanto na arrecadação de impostos, no número de operadores autorizados e na quantidade de apostadores. A expectativa do setor é que a Copa do Mundo de 2026 impulsione ainda mais os resultados.
O avanço ocorre em meio a discussões sobre endividamento das famílias, dependência em jogos de azar e concorrência de plataformas clandestinas. Ainda assim, os números oficiais indicam forte expansão das operações legalizadas.
Receita e arrecadação em alta
Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação de tributos sobre as apostas online licenciadas passou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões entre os primeiros quatro meses de 2025 e o mesmo período deste ano. Considerando que a carga tributária corresponde a cerca de 37% da receita do setor, o faturamento das empresas alcançou aproximadamente R$ 12,2 bilhões apenas no primeiro quadrimestre de 2026.
No ano passado, as bets registraram receita de R$ 36,9 bilhões. Como o mercado costuma ser influenciado por grandes eventos esportivos e pelas fases decisivas dos campeonatos, representantes do setor projetam uma expansão ainda maior ao longo deste ano.
A Copa do Mundo aparece como um dos principais motores desse crescimento. Segundo estimativas da consultoria H2 Gambling Capital, os valores depositados para apostas esportivas durante o torneio podem aumentar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. O impacto final sobre o faturamento, porém, dependerá dos resultados das partidas e do volume de prêmios pagos aos apostadores vencedores.
Mercado se consolida
Desde a regulamentação, o Ministério da Fazenda concedeu 85 licenças para operadores, permitindo a atuação de 187 plataformas autorizadas. O mercado continua concentrado em grandes empresas, lideradas pela Betano, seguida por marcas como Bet365, Superbet, SportingBet e Esportes da Sorte.
Os investimentos em publicidade e patrocínios esportivos ajudam a explicar a expansão do setor. Atualmente, algumas das maiores equipes do futebol brasileiro mantêm contratos milionários com empresas de apostas, que disputam espaço e visibilidade em um mercado cada vez mais competitivo.
O número de apostadores também cresceu. De acordo com dados do governo federal, cerca de 25 milhões de CPFs realizaram apostas ao longo de 2025, contra 17 milhões registrados na metade do mesmo ano.
Dependência e mercado ilegal preocupam
Apesar do crescimento econômico, especialistas alertam para os impactos sociais das apostas. Levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicou que 4,4% dos apostadores apresentam comportamento classificado como problemático, associado à compulsão e a prejuízos financeiros relevantes. O índice supera a média global estimada para esse tipo de transtorno.
Entidades ligadas ao comércio também associam a expansão das apostas ao aumento do endividamento das famílias brasileiras. Já representantes das empresas contestam essa relação direta e afirmam que as dificuldades econômicas afetam igualmente o setor.
Outro foco de preocupação é a atuação das plataformas ilegais. Estudos citados por representantes do mercado apontam que uma parcela significativa das apostas continua sendo realizada em sites sem licença, que não recolhem impostos nem seguem as regras estabelecidas pela legislação brasileira.
A disputa entre operadores legalizados e plataformas clandestinas tornou-se uma das principais pautas de negociação entre o setor e o governo, que vem adotando medidas para restringir o acesso a empresas consideradas irregulares.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração: tabela feita pela redação, com o uso de IA




