Da Redação*
Após a repercussão negativa de declarações sobre o Pix e o sistema de pagamentos norte-americano Zelle, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro divulgou um novo vídeo afirmando que nunca defendeu a substituição do modelo brasileiro pelo utilizado nos Estados Unidos. A nova versão, porém, contrasta com trechos de uma gravação anterior que deram origem à controvérsia.
Em publicação feita nesta quinta-feira (4), Eduardo declarou que a interpretação atribuída às suas palavras estaria errada. “Eu absolutamente jamais disse isso”, afirmou ao comentar as críticas recebidas desde que o vídeo original passou a circular nas redes sociais.
Declarações entram em contradição
A tentativa de afastar a interpretação gerou novos questionamentos porque o ex-deputado havia afirmado anteriormente que os Estados Unidos possuem um mecanismo semelhante ao Pix e que isso permitiria discutir o tema em uma mesa de negociação com autoridades norte-americanas.
Na gravação que provocou a reação pública, Eduardo citou o Zelle como equivalente ao Pix e afirmou que a existência desse sistema nos Estados Unidos poderia servir de argumento em tratativas entre os dois países. A declaração foi entendida por críticos como uma defesa da substituição ou flexibilização do modelo brasileiro para atender interesses do governo de Donald Trump.
Também em defesa de Eduardo, o blogueiro Paulo Figueiredo publicou vídeo alegando que a fala foi distorcida e que o ex-deputado apenas apontou a existência de um sistema semelhante ao Pix em território norte-americano.
Diferenças gritantes
Especialistas apontam que os dois sistemas possuem diferenças significativas. Criado pelo Banco Central, o Pix permite transferências e pagamentos instantâneos, funciona 24 horas por dia em todos os dias do ano e pode ser utilizado por qualquer pessoa com conta em instituições participantes. Já o Zelle é uma plataforma operada por bancos privados dos Estados Unidos, tem alcance mais restrito, depende da adesão das instituições financeiras e opera sob regras definidas por cada banco.
Em muitos casos, usuários estadunidenses podem estar sujeitos a cobranças e tarifas associadas aos serviços bancários utilizados, enquanto que aqui as transferências por Pix são gratuitas. O sistema americano também costuma trabalhar com limites de movimentação mais baixos, que variam conforme a instituição financeira, enquanto o Pix movimenta valores maiores e alcançou um nível de universalização e integração muito superior ao do modelo norte-americano.
Repercussão política
A controvérsia provocou ampla reação nas redes sociais e ampliou críticas ao posicionamento de Eduardo Bolsonaro em relação às pressões dos Estados Unidos sobre o sistema brasileiro de pagamentos.
O episódio ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelo grupo político da família Bolsonaro. Avaliações de bastidores apontam que a discussão em torno do Pix se soma a outros desgastes recentes, aumentando a pressão sobre o campo bolsonarista em um momento de movimentação para a disputa presidencial de 2026.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Eduardo Bolsonaro. Crédito: reprodução Platô BR




