Desmatamento cai no Brasil, mas Cerrado segue como principal foco de devastação

Última edição em maio 27, 2026, 03:06
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Desmatamento

Da Redação*

Relatório do MapBiomas aponta redução de 20,6% na área desmatada em 2025. Apesar da queda em todos os biomas, país ainda perdeu quase 1 milhão de hectares de vegetação nativa no ano.


O desmatamento no Brasil apresentou redução em 2025, mas os números ainda permanecem em patamar elevado. Dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), do MapBiomas, mostram que o país perdeu 984.794 hectares de vegetação nativa no período, uma queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a devastação anual ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares.

Mesmo com a redução, a média diária de destruição ambiental chegou a 2.698 hectares por dia, o equivalente a cerca de 112 hectares por hora. Em nota, o MapBiomas comparou o ritmo de devastação à perda diária de 17 parques do Ibirapuera, em São Paulo. Nos últimos sete anos, o Brasil já perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior à do estado de Pernambuco.

Cerrado lidera devastação

O Cerrado permaneceu como o bioma mais atingido pelo desmatamento em 2025, concentrando sozinho 54,9% de toda a área devastada no país. Foram 540.614 hectares destruídos no ano, apesar da redução de 16,9% em relação ao período anterior. O bioma perdeu, em média, 1.482 hectares de vegetação nativa por dia.

A Amazônia aparece em seguida, com 289.478 hectares desmatados e queda de 23,5% em relação a 2024. Segundo o levantamento, o ritmo de destruição no bioma correspondeu à perda aproximada de cinco árvores por segundo ao longo do ano. Juntos, Amazônia e Cerrado responderam por mais de 84% de toda a devastação registrada no país.

O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4% na área desmatada. Ainda assim, o relatório alerta que a pressão ambiental continua elevada em praticamente todas as regiões do país.

Agropecuária concentra pressão ambiental

O estudo aponta que a expansão agropecuária segue como principal vetor de destruição ambiental no Brasil. Nos últimos sete anos, ela respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, esse percentual chegou a 99%.

A região do Matopiba — formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso — concentrou mais de 63% do desmatamento nacional entre os estados. O município de Canto do Buriti, no Piauí, liderou o ranking de maior área desmatada no ano, com mais de 20 mil hectares devastados.

O relatório também mostra que unidades de conservação e terras indígenas continuam sendo as áreas mais preservadas do país, embora ainda sofram pressão crescente. Em terras indígenas, a perda de vegetação caiu 22% em relação a 2024, enquanto nas unidades de conservação a redução foi de 21,4%.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada por IA

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