A equipe do candidato do PT, Leandro Grass, teve acesso a uma pesquisa qualitativa que mostra o impacto que terá nas eleições do Distrito Federal o debate sobre corrupção. É bastante possível que esse tema esteja muito presente na discussão eleitoral nacional a partir do agravamento da crise do banco Master. Mas a questão se agudizará no DF. Afinal, foi o Banco de Brasília (BRB) que tentou comprar o Master. Que chegou a comprar uma carteira de crédito podre, inflada com consignados fajutos como os dos professores da Bahia, conforme revelou o Correio da Manhã. É o Banco de Brasília que tem um rombo de R$ 12 bilhões para cobrir. E que tem agora seu ex-presidente Paulo Henrique Costa preso.
Pega Ibaneis e atinge Celina e Arruda
Segundo informações, a pesquisa mostraria que a questão da corrupção atingiria em cheio o ex-governador Ibaneis Rocha. Pega a governadora Celina Leão (PP) e chega a José Roberto Arruda (PSD). Ibaneis porque está diretamente ligado à questão do Master. Celina tenta se descolar, mas isso talvez não comova tanto o eleitor. E Arruda não diretamente por conta do caso Master, com o qual não tem qualquer envolvimento.
Brincadeira de Banco Imobiliário

Situação atinge Ibaneis em cheio | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
No caso de Arruda, por ter sido condenado e ter ficado inelegível por conta de um caso de corrupção (sua elegibilidade no momento ainda está sub júdice). Arruda disse ao Correio Político que está pronto para esse debate. Mas isso é o que veremos de fato ao longo da campanha. Há uma sensação de que, para além das irregularidades mesmo, o GDF usou o BRB como se brincasse de Banco Imobiliário. Pela sigla, BRB significava Banco Regional de Brasília. Tirou-se o “Regional” do nome com a ideia de transformá-lo em um grande banco nacional.
Jogo de empurra
O banco patrocinou o time de coração do governador, criou cartão de crédito para os torcedores, patrocinou equipe de Fórmula Um (a Alpine), abriu agência em Dubai. Mas muito pouco passou de fato do Quadradinho do DF. O que fica de tudo é a sensação de uma gestão irresponsável. Ibaneis a joga para Paulo Henrique Costa. Resta saber se Costa, agora preso, não irá devolvê-la.
Chapa
É no meio desse cenário totalmente confuso que a chapa de Grass lançará suas candidatas ao Senado: a deputada federal Erika Kokay (PT) e a senadora Leila Barros (PDT). Em outubro do ano passado, Paraná Pesquisas mostrava Grass em terceiro, atrás de Celina, que liderava, de Arruda.
Otimismo
Há, porém, na equipe de Grass no momento certo otimismo contido, com o grau de confusão que a crise do Master gerou. Antes dela, a eleição no DF parecia caminhar para um passeio, com Ibaneis elegendo com tranquilidade Celina como sua sucessora e se elegendo para o Senado.
Capelli
Esse mesmo otimismo anima, porém, o candidato do PSB, Ricardo Capelli. E é aí que pode, porém, residir o problema da esquerda. Candidatos no mesmo campo, Grass e Capelli dividirão os votos fora do campo conservador. Muitos consideram que seria mais prudente que se unissem numa única chapa.
Fora
Se Arruda mantiver sua elegibilidade – e ele acredita que essa será a decisão final da Justiça Eleitoral -, o cenário que hoje se apresenta seria de um segundo turno entre ele e Celina. Ou seja, um segundo turno dentro do campo conservador. Adversários um do outro, Capelli e Grass poderiam um tirar o outro do segundo turno.
Exemplos do Sul
Em alguns lugares, essa união se deu. Os exemplos mais notórios vêm do Sul do país. No Rio Grande do Sul, Edegar Pretto (PT) abriu mão da sua candidatura para apoiar Juliana Brizola (PDT) e unir as esquerdas em uma só chapa. Em Santa Catarina, se uniram PT, PDT e PSB para apoiar Gelson Merísio (PSB).
Frente ampla
Em março, Capelli disse ao Correio Político: “Eu vou montar uma frente ampla, com ou sem PT. E vou ganhar essa eleição”. Sobre quem participaria dela, Capelli fez mistério. Hoje, as duas candidaturas, de Capelli e Grass, estão postas. O tempo dirá se ambos irão até o final. As convenções serão só no meio do ano.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa:Sombra do caso Master/BRB marcará eleição no DF | Joédson Alves/Agência Brasil





