Cavalos | Por Marcel Frison

Entre investigações, relações políticas e suspeitas de fraude, o caso Banco Master expõe conexões que ultrapassam o sistema financeiro e alcançam o centro da disputa pelo poder no Brasil.
Última edição em maio 29, 2026, 06:30

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Enquanto se discute os recursos destinados por Vorcaro ao filme Dark Horse, se são públicos ou privados, o Ministério Público, a Polícia Civil do RJ e a Polícia Federal desvendam a sangria implementada pelo seu ex-governador Claudio Castro do PL a partir do Rioprevidência (instituto de previdência do estado do Rio de Janeiro) para sustentar as operações ilícitas do Banco Master.

Igualmente aconteceu nas relações com o BRB promovido pelo Governo Ibaneis Rocha (MDB) do DF, o mesmo governo que fez “vistas grossas” e permitiu os ataques selvagens dos bolsonaristas às principais instituições da República no 8/01/2023.

E antes de tudo, tem o envolvimento de Ciro Nogueira (PP) Ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.
Claudio Castro (PL), Ibaneis Rocha (MDB), Ciro Nogueira (PP) e todos os principais envolvidos nos escândalos relacionados ao Banco Master e Daniel Vorcaro são bolsonaristas. Os partidos são, convenientemente, diferentes, mas o bolsonarismo é uma holding com as suas franquias dissimuladas.

O que está escancarado é que este movimento político, antes de tudo, é um grande negócio.

Paradoxalmente, talvez seja verdade o discurso do primogênito (ou 01) de que os recursos para realização do filme tenham saído dos profundos bolsos de Vorcaro, porém, a questão central é que estes bolsos foram enchidos com dinheiro oriundo de fraudes financeiras operadas contra o povo brasileiro.

Portanto, a alusão de que o financiamento do “Dark Horse” tem origem “privada” não passa de uma balela. E comprova a íntima ligação da família Bolsonaro com Vorcaro.

O termo “Dark Horse” para os americanos significa “cavalo azarão”, ou seja, que não se espera que vença o páreo, mas acaba vencendo. Apropriado para titular um drama cênico que pretende sustentar a narrativa de que a eleição de Bolsonaro (o mito) foi um fato isolado e apenas impulsionado pela “vontade” popular, quando sabemos, que isto não é verdade e sim produto do arranjo fraudulento da chamada operação Lava-Jato que prendeu, injustamente, Lula.

Esta discussão sobre cavalos me fez lembrar da famosa fala do mestre Olívio Dutra sobre o seu adversário nas eleições de 1994 e 1998, Antônio Britto, quando o chamava de “cavalo do comissário”. Uma designação que significa no gauchês, o cavalo que ganha a corrida porque o dono é poderoso.

A foto de Flávio e Trump, com o presidente americano sentado e o lambe-botas de pé ao lado me lembra imagens de estancieiros gaúchos com os seus cavalos prediletos. Como o “Dark Horse” está em prisão domiciliar e fora do páreo, resta à extrema-direita encontrar um “cavalo do comissário”.

Este é o sentido da declaração do Departamento de Estado Norte-Americano estabelecendo as organizações criminosas brasileiras PCC e CV como terroristas que. ao contrário do que parece, segundo todos os especialistas em segurança pública, dificultará o combate ao crime organizado.

O objetivo claro é de intervir no território brasileiro e, igualmente, no processo eleitoral deste ano.
O principal para a extrema-direita é derrotar o PT e defender os amigos.

Talvez, logo veremos as ligações do Banco Master com o narcotráfico e entenderemos melhor.

Por isto, cavalos por cavalos, estamos do lado do Caramelo!


Foto de capa: IA

Sobre o autor

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Marcel Frison
Iintegrante do PT-RS, fez parte da Executiva Estadual e secretário da Habilitação e Saneamento do governo Tarso Genro.

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