Da Redação*
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira mais uma etapa da Operação Compliance Zero e cumpriu mandado de busca e apreensão em endereço relacionado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição que teve como principal controlador o empresário Daniel Vorcaro. Segundo a PF, a nova fase busca esclarecer a eventual participação de agentes públicos em irregularidades ligadas ao sistema financeiro nacional.
Relação com o Banco Master
O nome de Jaques Wagner já havia aparecido no contexto das investigações após a divulgação de que uma empresa pertencente à sua nora recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master. Na ocasião, o senador afirmou não ter participado de qualquer negociação ou intermediação relacionada à empresa e disse desconhecer investigações sobre o caso.
Além do parlamentar, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar, em tese, crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Ampliação das apurações
Deflagrada em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero teve início com suspeitas de criação de carteiras de crédito sem lastro e emissão de títulos considerados fraudulentos pelo Banco Master. Com o avanço das investigações, o foco foi ampliado para possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos e para a atuação de uma suposta estrutura paralela de intimidação e espionagem conhecida como “A Turma”.
A fase anterior da operação teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e investigou aportes do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master que teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões.
Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as buscas eram desnecessárias, alegando que o empresário está há meses à disposição das autoridades. Segundo os advogados, as diligências deverão comprovar a legalidade de suas atividades e a observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Jaques Wagner. Crédito: reprodução O Globo




