CORRESPONDENTE POLÍTICO | A esquerda briga pesado no Maranhão

Última edição em maio 7, 2026, 01:51

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Quem se espanta com a forma como Celina Leão (PP) faz no Distrito Federal um governo de oposição a Ibaneis Rocha (MDB), de quem era vice, deveria acompanhar o que acontece no Maranhão. Da mesma forma, quem se questiona porque no DF o PT e o PSB insistem em disputar separados, com duas candidaturas, o governo. O Maranhão assiste neste momento à mais renhida briga fratricida da política brasileira, envolvendo o governador Carlos Brandão, e o seu vice, Felipe Camarão (PT). Nesta quarta-feira (6), reuniu-se na Assembleia Legislativa do Maranhão uma CPI destinada a investigar o vice-governador. Proposta e articulada pelo governador! A CPI apura indícios de desvios e irregularidades de Camarão.

Brandão rompeu com Dino

Para além, porém, do que possa existir de concreto contra o vice, está a disputa política no estado. Em 2022, Carlos Brandão elegeu-se governador pelo PSB numa articulação costurada pelo hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tendo Camarão como vice. O acerto era que agora a posição se inverteria, e Brandão apoiaria Camarão para o governo, deixando o cargo para disputar o Senado. Nada disso, porém, aconteceu.

“Olê, olê, Orleans”

Flavio Dino é quem costurou o acordo no Maranhão | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brandão rompeu com Dino. Deixou o PSB e está sem partido. Não deixou o governo para que Camarão assumisse e disputasse a reeleição. Lançou seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato ao governo. O curioso dessa história toda é que Orleans Brandão foi oficializado pré-candidato pelo MDB em março com seus apoiadores cantando uma versão do famoso jingle eleitoral de Lula. O “olê, olá” de Lula foi substituído por “Olê, olê, Orleans”. Até o início da semana, Lula ainda tentava demover os ímpetos de Carlos Brandão.

Camarão sairá pelo PT

Não conseguiu. Até porque o clima com Felipe Camarão foi ficando mais e mais pesado. Nas redes sociais, Camarão chama o governador de “coronel” e “mentiroso”. E o acusa de tentar um “golpe” com a instalação da CPI contra ele. Assim, o PT fechou que Felipe Camarão será o seu candidato a governador do Maranhão. O vice-governador oficializou a pré-candidatura em um vídeo.

Braide

O problema: o desempenho de Felipe Camarão. Na pesquisa Quaest divulgada em março, ele apareceu somente com 7% das intenções de voto. Orleans teve 24%. No levantamento da Quaest, quem lidera é o ex-prefeito de São Luís e candidato ao governo pelo PSD, Eduardo Braide, com 35%.

Orleans

Diante do quadro, o conselho de Lula é que a turma maranhense evite brigas. Eduardo Braide adota uma postura independente com relação ao governo Lula. É improvável que apoie o candidato do seu partido à Presidência, Ronaldo Caiado. Já Orleans Brandão claramente quer obter o apoio de Lula.

CPI

Camarão afirma que não há nada de concreto que justifique a CPI contra ele, baseada numa investigação aberta pelo Ministério Público do Maranhão. Ele reputa tudo a uma ação política de Carlos Brandão. O problema para o candidato do PT é a investigação, caso de fato comece, desgastá-lo politicamente.

Vice

Como Brandão não deixou o governo, Camarão fica impedido de substituí-lo. Caso isso aconteça, ele ficará inelegível. Então, além de tudo, terá que monitorar os passos de Carlos Brandão. Se o governador viajar para o exterior, ele terá de dar um jeito de viajar também para não assumir o cargo. Uma guerra de nervos que pode ser instalada.

Direita

Fala-se nas brigas à direta que atrapalham a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com sua madrasta, Michelle, e dos irmãos com outros nomes conservadores, como Nikolas Ferreira (PL-MG) ou o candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema. Um problema que Flávio Bolsonaro tentar contornar.

Fichinha

Tudo isso, porém, parece fichinha quando se assiste ao que acontece no Maranhão entre Carlos Brandão e seu vice, Felipe Camarão. Um problemão, num estado que em 2022 deu mais de 70% dos seus votos para Lula. O presidente tenta segurar os nervos da sua turma maranhense para que nada resvale nele.


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Camarão e Brandão: longe dos abraços de outrora PT

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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