Por Solon Saldanha *
Acordo selado com a participação das executivas nacionais dos dois partidos (PT e PDT) prioriza a reeleição do presidente Lula e unifica as candidaturas de esquerda no Estado.
O cenário eleitoral para o governo do Rio Grande do Sul sofreu uma alteração definitiva nesta quinta-feira (16). O ex-presidente da Conab, Edegar Pretto (PT), anunciou oficialmente que aceitou compor a chapa majoritária como candidato a vice-governador, sob a liderança de Juliana Brizola (PDT). A decisão foi formalizada em Porto Alegre, após uma reunião na sede estadual do PSB, partido que também integra a frente ampla.
A composição é resultado de uma intensa articulação das direções nacionais de PT e PDT. A estratégia visa consolidar um palanque único e robusto no Rio Grande do Sul visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evitando a fragmentação de votos em um momento político ainda marcado pela ascensão de movimentos de extrema-direita. Embora o diretório estadual do PT gaúcho tenha resistido inicialmente, a orientação direta de Brasília e o apelo pessoal do presidente Lula foram determinantes para o recuo de Pretto, que intendeu a importância de colocar interesses maiores acima de aspirações pessoais.
Unidade e contrapartidas
Em carta aberta divulgada logo após o anúncio, Edegar Pretto destacou que a decisão foi tomada após consultas a lideranças históricas como Olívio Dutra, Raul Pont e Tarso Genro. O documento enfatiza a necessidade de “priorizar o projeto nacional” e a preservação da democracia. Como parte do acordo, os petistas cobram que o PDT incorpore ao programa de governo as bandeiras sociais e econômicas defendidas pelo PT durante a pré-campanha, além de um compromisso integral com as pautas do governo federal.
A aliança encerra uma semana de incertezas e debates internos acalorados. No dia 9 de abril, Pretto já havia retirado sua pré-candidatura, mas o papel que desempenharia na disputa ainda estava sob análise. Com a confirmação da disputa como vice, a esquerda gaúcha tenta repetir e ampliar o desempenho de 2022, quando Edegar Pretto ficou a apenas 2.441 votos de disputar o segundo turno contra o atual governador Eduardo Leite.
Perfil da chapa
Juliana Brizola, ex-deputada estadual e neta do histórico líder trabalhista Leonel Brizola, assume o protagonismo da chapa com o desafio de unificar as bases trabalhista e petista. A candidatura conta ainda com o apoio do PSB e busca atrair outros partidos de centro-esquerda para enfrentamento ao campo conservador. O foco da campanha deve se concentrar em críticas ao modelo de gestão atual e na defesa de investimentos públicos em educação e infraestrutura social.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Lula com Edegar e com Juliana. Crédito: reprodução de O Globo




