Por Solon Saldanha *
Movimentação consolida frente de esquerda no Rio Grande do Sul, mas futuro político do petista e composição final da chapa ainda dependem de definições internas.
A corrida sucessória ao Palácio Piratini sofreu uma alteração nesta quinta-feira (9). Em reunião realizada na sede estadual do PSB, em Porto Alegre, Edegar Pretto (PT) anunciou oficialmente a retirada de sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. O movimento visa unificar o campo progressista em torno do nome de Juliana Brizola (PDT), estabelecendo uma frente ampla que busca encerrar a fragmentação das forças de esquerda e centro-esquerda no Estado.
A decisão reflete uma estratégia coordenada pelas executivas nacionais de PT e PDT, fundamentada no projeto de reeleição do presidente Lula. Durante coletiva de imprensa, Pretto enfatizou que a prioridade agora é o fortalecimento de um palanque coletivo. Segundo ele, a intenção é apresentar-se como uma frente política consolidada, superando projetos individuais em favor de uma proposta de desenvolvimento para a sociedade gaúcha.
Composição da frente e resistências
O bloco de apoio à candidatura de Juliana Brizola é composto por sete legendas: PDT, PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede. No entanto, o anúncio não contou com a presença de representantes do PSOL e do próprio PDT. Entre os aliados, o PSOL tem sido a sigla com maiores ressalvas quanto à liderança pedetista na chapa, o que indica que as negociações para a coesão total do grupo ainda enfrentarão dias de maturação.
O destino político de Pretto
Apesar do gesto de unidade, o papel de Edegar Pretto no pleito de 2026 permanece em aberto. O petista evitou confirmar se assumirá o posto de vice na chapa encabeçada por Juliana ou se buscará uma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília. A definição, segundo o próprio Pretto, deve ocorrer a partir da próxima semana, após rodadas de conversas internas para organizar os próximos passos da tática eleitoral.
Histórico dos candidatos
A união das forças ocorre após desempenhos expressivos dos dois protagonistas em pleitos recentes. Em 2022, Edegar Pretto protagonizou uma das disputas mais acirradas da história gaúcha, ficando de fora do segundo turno para o governo estadual por uma margem mínima de 2.441 votos em relação a Eduardo Leite. Já Juliana Brizola vem de uma candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 2024, quando alcançou o terceiro lugar com 136.783 votos, consolidando seu nome como uma liderança competitiva na capital e na região metropolitana.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Edegar Pretto. Crédito: reprodução Guaíba




