Operação amplia investigação sobre filme de Bolsonaro e alcança empresas suspeitas de irregularidades

Polícia ampliou as investigações sobre o filme “Dark Horse” e cumpriu mandados em empresas suspeitas. O inquérito apura possível uso de documentos fiscais irregulares e desvios envolvendo um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.
Última edição em junho 2, 2026, 07:55
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NUNES DESVIA RECURSOS

Da Redação*

A operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º) para apurar suposto uso irregular de recursos públicos na produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), atingiu não apenas endereços ligados à produtora responsável pela obra e a setores da Prefeitura de São Paulo. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em quatro empresas apontadas pela investigação como possíveis participantes de um esquema de desvio de recursos.

Segundo o inquérito, os investigadores apuram se o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, utilizou documentos fiscais considerados irregulares para justificar despesas custeadas pelo poder público. A empresária também é proprietária da produtora Go UP Entertainment, responsável pelo longa-metragem.

Suspeitas sobre documentos fiscais

A Polícia Civil afirma ter identificado indícios de confusão patrimonial entre o instituto e a produtora. Entre os elementos analisados estão quatro faturas emitidas pela empresa Make One Lab, que somam R$ 8,5 milhões.

De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação, os documentos apresentavam características consideradas atípicas, como numeração sequencial, mesma data de emissão e vencimento, além de valores fracionados de forma semelhante. Para os investigadores, esses elementos podem indicar a criação de documentação destinada a justificar movimentações financeiras irregulares.

Outra frente da apuração envolve notas fiscais emitidas pelas empresas Complexsys Soluções Integradas e JR Feijão, que totalizam cerca de R$ 2,4 milhões. Conforme a investigação, parte desses documentos teria sido cancelada pelas próprias emissoras, mas mesmo assim foi utilizada na prestação de contas apresentada pelo ICB.

Contrato de wi-fi entra no foco da apuração

O inquérito também examina um contrato firmado para instalação de pontos de acesso à internet na cidade de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o instituto atuou como intermediador na contratação de empresas especializadas para executar o serviço.

As empresas Urban Connect e Ultra IP, responsáveis pela prestação dos serviços, também foram alvo de mandados de busca autorizados pela Justiça.

Os investigadores sustentam que os valores contratados estariam acima dos praticados por outros prestadores. A polícia também aponta indícios de pagamentos efetuados antes da efetiva execução de parte dos serviços previstos.

A Prefeitura de São Paulo contesta as suspeitas. Em nota, a administração municipal afirma que a contratação observou critérios de legalidade, transparência e economicidade. Segundo a gestão, a grande maioria dos pontos de wi-fi contratados permanece em funcionamento e nenhuma irregularidade foi identificada internamente.

Filme também é alvo de outras investigações

A investigação ocorre em paralelo a outras apurações envolvendo a produção de “Dark Horse”. O filme recebeu aporte de R$ 61 milhões do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, após pedido de apoio feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Além da investigação conduzida pela Polícia Civil paulista, a Polícia Federal apura se recursos destinados ao projeto audiovisual teriam sido utilizados para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro afirma que a produção não recebeu recursos públicos. Eduardo Bolsonaro também nega qualquer uso irregular de verbas ligadas ao filme.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que sua gestão forneceu todas as informações solicitadas pelos investigadores e classificou a operação como resultado de perseguição política. Já a Polícia Civil sustenta que houve dificuldades para obtenção de documentos relacionados ao contrato firmado com o ICB, cujo valor total chegou a R$ 108 milhões.


* Redator: Solon Saldanha

Capa: Ilustração criada pela redação, com uso de IA

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