Da Redação*
A apuração da eleição presidencial peruana segue indefinida e marcada por sucessivas mudanças de cenário. Com 97,8% das urnas contabilizadas até esta quarta-feira (10), o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino mantém uma vantagem mínima sobre a candidata de direita Keiko Fujimori, equivalente a cerca de 7,3 mil votos.
De acordo com os dados divulgados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Sánchez soma 50,020% dos votos válidos, enquanto Keiko aparece com 49,980%. A diferença já foi maior ao longo da contagem, chegou a cair para cerca de 4 mil votos e voltou a crescer nas atualizações mais recentes.
Votos do exterior reduzem vantagem
Nas últimas 24 horas, Sánchez chegou a abrir mais de 40 mil votos de frente, mas a entrada gradual dos resultados dos peruanos residentes no exterior passou a favorecer Fujimori. Entre esses eleitores, a candidata conservadora obtém 63,3% dos votos, contra 36,6% do adversário.
Dos cerca de 92,7 mil boletins eleitorais previstos para a eleição, ainda restam algumas centenas para serem processados. Os peruanos que vivem fora do país representam aproximadamente 1,2 milhão de eleitores, o equivalente a 4,4% do eleitorado nacional.
A disputa teve mudanças expressivas desde o início da apuração. Quando cerca de 20% das urnas haviam sido contabilizadas, Keiko liderava por aproximadamente 200 mil votos, impulsionada pela rápida contagem dos votos da capital, Lima. Posteriormente, a entrada dos resultados do interior do país permitiu a virada de Sánchez.
Resultado definitivo ainda deve demorar
Apesar da proximidade do encerramento da apuração, a definição oficial do resultado poderá levar várias semanas. O Jurado Nacional de Eleições (JNE), autoridade máxima do sistema eleitoral peruano, informou que a conclusão do processo está prevista apenas para meados de julho.
O prazo maior decorre da análise de atas eleitorais que apresentaram inconsistências e passaram a exigir procedimentos adicionais de verificação. Segundo o órgão, cerca de 1,3 mil atas permanecem sob observação.
A eleição definirá quem governará o Peru entre 2026 e 2031. O vencedor assumirá a Presidência em um contexto de forte instabilidade política, após uma década marcada por sucessivas crises institucionais, renúncias e destituições de presidentes.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, derrotado em três disputas anteriores de segundo turno, busca chegar ao poder pela quarta vez consecutiva. Já Roberto Sánchez, deputado e ex-ministro do governo de Pedro Castillo, conta com apoio de setores populares, rurais e indígenas que veem no ex-presidente deposto uma vítima da disputa entre Executivo e Legislativo.
* Reator: Solon Saldanha
Ilustração criada pela redação com o uso de IA




