CORRESPONDENTE POLÍTICO | Lula quer mesmo indicar Messias de novo

A possibilidade de Lula insistir no nome de Jorge Messias para o STF expõe o delicado equilíbrio entre afirmação de autoridade presidencial, desgaste político e tensão crescente com o Senado.
Última edição em maio 19, 2026, 01:28

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Se irá mesmo fazer isso, e quando, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não decidiu. Mas ele tem mesmo vontade de indicar outra vez o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A resposta oficial de Messias é que não comenta essa hipótese, e que a escolha é “prerrogativa do presidente”. Mas o Correio Político apurou que a vontade de Lula é reenviar o nome de Messias. A avaliação de Lula é que a insistência seria uma reafirmação de que essa escolha cabe a ele. É verdade. Mas essa postura parece ignorar a outra ponta. É prerrogativa do Senado aceitar. O que, então, se avalia: vale a pena Lula cutucar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com vara curta?

Cenário não parece ter mudado

Cenário não parece ter mudado
Alguma coisa mudou no cenário da derrota?Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.

Quem confirmou que a disposição de Lula é indicar novamente Messias surpreendeu-se também ao saber. Aparentemente, não há mudança alguma no cenário político que indicasse que agora o nome de Messias, que foi derrotado com 42 votos contrários e 34 favoráveis, passaria. Lula, então, submeteria Jorge Messias ao constrangimento de sofrer uma segunda derrota? E o que ele, presidente, ganharia com isso se houvesse nova derrota?

Só se houve nova combinação

A cogitação é se houve algum novo entendimento desconhecido de Lula com Alcolumbre. Oficialmente, não há informação sobre essa conversa. Nessa hipótese, a avaliação é que o presidente do Senado estaria hoje mais enfraquecido do que no dia em que derrotou Lula pelos desdobramentos do caso Master. Desde aquela semana de 7×1, a bomba do Master estourou primeiro no colo do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e depois no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Alcolumbre tem ligações por causa do Fundo de Previdência do Amapá.

Lula pode adiar indicação

Segundo a fonte, além da repetição do nome, avalia-se também o momento. Na hipótese de Lula vir a insistir com Messias, ele poderia adiar a indicação. Ou para um momento em que ficasse mais evidente uma eventual vantagem na corrida eleitoral para a reeleição. Ou mesmo deixar para um próximo mandato, diante de nova conformação política.

Master

O problema de Lula vir a fazer isso agora seria o risco de queimar um possível momento de virada antes mesmo de se confirmar. Há indicações de que próximas pesquisas apontem uma melhora na posição do presidente diante do desgaste de Flávio com o Master. Mas isso ainda não foi confirmado.

Volátil

Repetindo a famosa frase do ex-governador mineiro Magalhães Pinto, “política é como nuvem; você vê, está de um jeito; vê de novo, já mudou”. O momento com a crise do Master é só aparentemente favorável. A última pesquisa ainda dá empate na simulação de segundo turno. Vale correr o risco?

Conselhos

O que surpreende essa fonte é que essa disposição de Lula em repetir Messias vai de encontro aos conselhos que mesmo o grupo que trabalhou sua indicação ao STF deu depois da derrota. Como chegamos a informar por aqui, Lula foi aconselhado a agora indicar um nome que fosse irreprovável.

Mulher negra

Um dia depois da derrota, essa era a disposição desse grupo, que chegou a dizer isso ao presidente. A escolha de uma jurista de currículo irretocável, que fosse mulher e negra, criaria ao Senado imensa dificuldade de rejeitar. Mas, naquela ocasição, já admitia o grupo. Isso teria que ser decidido por Lula. A escolha do nome é dele.

Alcolumbre

Nesse sentido, o próprio Alcolumbre indicou uma disposição favorável. Se uma nova escolha não fosse algo que afrontasse a disposição dele e do Senado, não havia nenhum problema. Sem qualquer sombra de dúvida, repetir o mesmo nome que já foi derrotado, ficaria longe de não ser uma afronta.

Dividendos

Se a derrota que Lula sofreu tivesse lhe trazido dividendos, a repetição da indicação se justificaria. Não trouxe. Mais do que isso: segundo o Datafolha, 70% já vêem a relação entre o governo e o Congresso como de confronto. Há ainda um problema regimental: não se pode reenviar nome rejeitado. Vale a provocação?


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Se dependesse do desejo de Lula, ele repetiria Messias | Ricardo Stuckert/PR

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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