Dizem que o país precisa crescer.
Desde que seja para um lado.
Para quê mexer na mesa inclinada, se ela já facilita o jogo?
Um conhece a declividade.
O outro acredita na neutralidade das regras.
Outros, mais zelosos, falam em crescer com responsabilidade.
Há ainda os que preferem algo mais modesto: crescer pouco, mas crescer agarrado nas bordas do passado.
Cultivando a economia como quem cuida de um bonsai.
Amputamos excessos. Refreamos impulsos. Disciplinamos os galhos que se rebelam.
Nada escapa.
Só a desigualdade, que escorre — feito churume — nutrindo galhos e exigindo mais poda.
Há quem veja nisso um ideal.
O sonho — bem passado, alinhado, bem contido.
O bonsai não é pequeno por natureza.
Ele foi sistematicamente reprimido.
Suas raízes, dilaceradas.
Seu horizonte, encarcerado no vaso.
E ainda assim, admiramos.
Como se fosse natural.
Chamamos de estabilidade o que é privação.
No bonsai econômico, nada cresce o suficiente para romper o vaso.
Não faltam sementes.
Falta espaço.
Discutimos os galhos, evitamos o vaso.
E o vaso permanece intocado — foi embutido.
E, como todo embuste, poderia ser diferente.
No país do bonsai, misturamos limite com paisagem.
Expansão passa por excesso.
E a poda, inevitável.
Porque o problema nunca foi o excesso dos galhos.
Foi o tamanho do recipiente.
Foto de capa: IA





