Da Redação*
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo na mesma intensidade desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos integrantes presentes da diretoria do Banco Central. Em comunicado, o Copom evitou indicar com clareza os próximos passos da política monetária, afirmando que a extensão do ciclo de redução dos juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos e das perspectivas para a inflação.
O mercado financeiro já esperava um novo corte de 0,25 ponto percentual. Entre as instituições consultadas pela Bloomberg, a ampla maioria apostava na redução da taxa, enquanto apenas uma pequena parcela projetava a manutenção do nível anterior.
Inflação e cenário externo preocupam
Apesar da redução dos juros, o Banco Central destacou que o ambiente continua desafiador. O comitê apontou a persistência das pressões inflacionárias, a deterioração das expectativas de mercado e os riscos associados ao cenário fiscal brasileiro.
Também pesaram na avaliação as incertezas internacionais. O Copom citou as tensões no Oriente Médio e a indefinição em torno dos acordos de cessar-fogo na região, além da manutenção dos juros norte-americanos pelo Federal Reserve, que optou por preservar a taxa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
No balanço de riscos, o Banco Central passou a destacar de forma mais explícita o impacto de medidas de estímulo ao consumo sobre a inflação. Segundo o comunicado, políticas que ampliem a demanda podem reduzir a eficácia da política monetária e dificultar o processo de convergência dos preços para a meta estabelecida.
Projeções seguem acima da meta
As estimativas do próprio Banco Central indicam um cenário ainda distante do objetivo inflacionário. A projeção para a inflação de 2026 foi elevada de 4,6% para 5,2%, enquanto a previsão para 2027 passou de 3,5% para 3,7%.
O centro da meta de inflação permanece em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,72% em 12 meses, ultrapassando novamente o teto da meta.
O Copom também mencionou riscos associados a fenômenos climáticos, como o El Niño, que podem pressionar os preços de alimentos e os custos de energia.
Embora tenha mantido o tom cauteloso, o Banco Central indicou que passará a considerar com maior peso a convergência da inflação para o início de 2028, o que abre espaço para uma trajetória mais gradual de queda dos juros. A próxima reunião do comitê está marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
* Redator: Solon Saldanha
Capa: ilustração criada pela redação com recursos de IA




