Helicóptero que caiu no Rio operava em acordo ilegal com a prefeitura

A Anac questiona acordo que permitia oferecer horas de voo em troca do uso de heliponto público.
Última edição em junho 15, 2026, 11:54
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Acidente com helicopteros

Da Redação*

Um dos helicópteros envolvidos na colisão aérea que matou seis pessoas no Rio de Janeiro, no último domingo, integrava um modelo de parceria com a prefeitura carioca que agora está sob questionamento e investigação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo o órgão, o tipo de contrapartida previsto no acordo não é permitido para aeronaves registradas na categoria de transporte privado.

Documentos obtidos pela imprensa mostram que a aeronave fazia parte de um termo firmado entre seu proprietário e o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura. Pelo acordo, o operador oferecia horas de voo ao município em troca da utilização do heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade.

Acordo previa troca por horas de voo

O helicóptero estava registrado na modalidade Transporte Privado de Pessoas (TPP), destinada ao uso particular do proprietário e de pessoas ligadas às suas atividades. Nessa categoria, a legislação não permite a prestação de serviços de transporte mediante qualquer forma de remuneração ou compensação econômica.

Pelo termo assinado em abril de 2025, o proprietário deveria disponibilizar uma hora de voo à prefeitura a cada 24 pousos realizados no heliponto municipal ou a cada 60 dias, conforme o que ocorresse primeiro.

Especialistas do setor avaliam que, mesmo sem pagamento em dinheiro, o acordo envolvia uma vantagem econômica concreta, já que o uso da infraestrutura pública possui valor comercial significativo no mercado de helicópteros da capital fluminense.

Anac avalia legalidade dos acordos

Questionada sobre a prática, a Anac afirmou que aeronaves privadas não podem receber compensação para realizar voos. Segundo a agência, esse tipo de aeronave deve ser utilizado exclusivamente em benefício de seu proprietário, sem exploração econômica da atividade.

O órgão informou ainda que tomou conhecimento dos acordos firmados pela prefeitura do Rio com operadores de helicópteros – sabe-se agora que esse não é um caso isolado – e está analisando a legalidade do modelo à luz da regulamentação vigente.

Acidente deixou seis mortos

A colisão ocorreu na manhã de domingo, quando dois helicópteros se chocaram no ar e caíram em um pátio de veículos da montadora chinesa BYD, na Avenida das Américas. O impacto provocou incêndio em diversos automóveis e matou todos os ocupantes das duas aeronaves.

Entre as vítimas estavam o cantor norte-americano Oliver Tree, o produtor musical brasileiro Lucas Frota, o influenciador argentino Gaspi e o cineasta argentino Lucas Vignale. Os outros dois eram os pilotos. O acidente é investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Helicópteros ficaram destruídos. Crédito: reprodução O Globo

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