Da Redação*
Os peruanos voltam às urnas neste domingo (7) para definir quem comandará o país pelos próximos cinco anos. O segundo turno da eleição presidencial coloca frente a frente a candidata conservadora Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez, em uma disputa considerada uma das mais equilibradas e importantes da América Latina neste ano.
A votação ocorre em um cenário de profunda instabilidade política. Em apenas uma década, o Peru teve oito presidentes e atravessou sucessivas crises institucionais, marcadas por processos de impeachment, renúncias e confrontos entre Executivo e Congresso. O próximo presidente assumirá um país dividido politicamente e com forte desconfiança da população em relação às instituições.
Disputa acirrada
As pesquisas divulgadas nos últimos dias indicam empate técnico entre os dois candidatos. Levantamento do instituto Ipsos mostrou Roberto Sánchez com 43,8% das intenções de voto, enquanto Keiko Fujimori aparecia com 43,2%, dentro da margem de erro. Outros levantamentos apontaram pequena vantagem da candidata conservadora, reforçando a expectativa de uma apuração apertada.
Keiko, que disputa a Presidência pela quarta vez, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori e busca retornar ao Palácio de Governo defendendo uma plataforma de combate duro ao crime, estabilidade econômica e fortalecimento das relações com os Estados Unidos.
Já Roberto Sánchez, ex-ministro do governo de Pedro Castillo e representante da esquerda, propõe uma nova Constituição, aumento do papel do Estado na economia, valorização dos salários e revisão de contratos ligados à exploração de recursos naturais. Nos últimos meses, entretanto, procurou moderar parte do discurso para ampliar sua base eleitoral.
Segurança domina o debate
O principal tema da campanha foi a segurança pública. O crescimento da criminalidade, das extorsões e da atuação de organizações ligadas ao garimpo ilegal transformou a violência na maior preocupação dos eleitores. O problema superou temas tradicionalmente centrais nas eleições peruanas, como economia e política externa.
Além da insegurança, a eleição é acompanhada com atenção por investidores e governos da região. O Peru é um dos maiores exportadores mundiais de cobre e outros minerais estratégicos, e o resultado poderá influenciar os rumos econômicos e políticos do país nos próximos anos.
País tenta recuperar estabilidade
O vencedor herdará um cenário complexo. Embora a economia peruana tenha mantido crescimento nos últimos anos, a fragmentação política continua sendo um dos principais obstáculos para a governabilidade. Analistas avaliam que a capacidade do novo presidente de construir acordos com o Congresso será decisiva para evitar a continuidade da crise institucional que marcou o país na última década.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Fujimori e Sánchez. Crédito: fotomontagem feita pela redação, com uso de IA




