PF busca acesso a dados de fundo ligado ao financiamento de filme sobre Bolsonaro

A investigação busca esclarecer se o dinheiro foi usado exclusivamente na produção ou se parte dele financiou despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência no exterior.
Última edição em junho 5, 2026, 09:17
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Paulo Calixto e Eduardo Bolsonaro

Da Redação*

A Polícia Federal pretende solicitar às autoridades dos Estados Unidos a quebra de sigilo de um fundo de investimento que recebeu recursos do empresário Daniel Vorcaro com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, produção voltada à uma visão ficcional da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação busca esclarecer o destino efetivo do dinheiro e apurar se parte dos valores teve outras finalidades.

Segundo informações obtidas pela imprensa, investigadores trabalham com a hipótese de que recursos enviados ao exterior possam ter sido utilizados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Outra linha de apuração envolve possíveis ações de pressão sobre autoridades brasileiras a partir de articulações realizadas em território norte-americano.

Destino dos recursos

Os valores teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao controlador do Banco Master, para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. Parte dos cerca de R$ 61 milhões destinados ao projeto audiovisual teria passado por essa estrutura.

Para obter acesso às informações financeiras, a PF dependerá da cooperação das autoridades norte-americanas e de autorização da Justiça dos Estados Unidos. Paralelamente, os investigadores estudam utilizar a chamada Difusão Prata da Interpol, mecanismo voltado à identificação, localização e retenção de bens ligados a pessoas sob investigação. O Brasil integra o grupo de países que aderiram à iniciativa.

Em entrevista à GloboNews nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou considerar necessária a abertura de um inquérito específico para apurar a remessa de recursos ao exterior sob a alegação de financiamento do filme. Segundo ele, representações recebidas pela corporação já foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República para manifestação sobre competência e tramitação do caso.

Possíveis caminhos da investigação

De acordo com Rodrigues, há três possibilidades para o andamento das apurações. Uma delas é a incorporação ao conjunto de investigações relacionadas ao Banco Master, atualmente sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.

Outra alternativa seria a vinculação ao inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No fim de maio, Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a eventual inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nessa investigação.

A terceira hipótese é a distribuição do caso, por sorteio, a outro ministro do STF. O eventual pedido de quebra de sigilo do fundo norte-americano dependerá, antes, da autorização do Supremo para a abertura de uma nova investigação.

Os investigadores pretendem verificar se os recursos enviados ao exterior foram efetivamente empregados na produção cinematográfica ou se parte deles serviu para financiar despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. O parlamentar afirma ser alvo de perseguição política e já relatou bloqueios de contas bancárias, inclusive de familiares.

Negativas e conexões

Criado em dezembro de 2020, o fundo Havengate Development Fund tem como administrador Paulo Calixto, advogado especializado em imigração. Registros em redes sociais mostram Calixto e Eduardo Bolsonaro juntos em eventos anteriores, evidenciando a proximidade entre ambos.

Após a divulgação das informações pelo Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer destinação de recursos ao irmão. Em nota, afirmou que os aportes foram realizados em um fundo específico da produção cinematográfica, submetido à estrutura jurídica e aos mecanismos de fiscalização existentes nos Estados Unidos.

Até o momento, Paulo Calixto não se manifestou publicamente sobre o caso.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Paulo Calixto e Eduardo Bolsonaro. Crédito: arquivo RED

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