Da Redação*
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, ontem ocorrida, veio após uma série de manifestações públicas do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vinha defendendo a adoção da medida. Entretanto, não há evidências que a decisão tenha sido tomada por qualquer pedido direto seu. Mas, há um fato relevante a ser considerado.
O anúncio feito pelo Departamento de Estado norte-americano trouxe novamente atenção para relações políticas do senador com personagens citados em investigações ligadas ao crime organizado no Rio de Janeiro. Ou seja, o governo norte-americano, se cumprir o que anuncia, apontará seu dedo justo para alguns dos mais próximos aliados do candidato à presidência pelo PL.
Operação da Polícia Federal
Entre os aliados de Flávio Bolsonaro está o ex-deputado estadual fluminense Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Os dois participaram de agendas políticas e institucionais em diferentes ocasiões antes da prisão do ex-parlamentar.
TH Joias foi detido em setembro do ano passado durante a Operação Zargun, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro. Na mesma ação, outras 14 pessoas também foram presas.
Segundo as investigações, o ex-deputado foi indiciado por crimes como organização criminosa, tráfico interestadual de armas e drogas, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, contrabando, exploração clandestina de telecomunicações, evasão de divisas, violação de sigilo profissional e embaraço às apurações sobre organizações criminosas. Após a operação, ele perdeu o mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Outras conexões investigadas
Outro nome associado politicamente a Flávio Bolsonaro é Gutemberg Fonseca, indicado pelo senador para comandar a Secretaria de Defesa do Consumidor no governo de Cláudio Castro.
De acordo com informações divulgadas pelo site Metrópoles, Fonseca foi citado em áudios obtidos pela Polícia Federal nos quais integrantes do Comando Vermelho mencionariam uma reunião com o então secretário. As mensagens também apontariam contatos frequentes entre criminosos ligados à facção e assessores vinculados a TH Joias.
Ainda segundo o material investigado, um dos interlocutores relatou, em maio de 2025, a participação do ex-secretário em um encontro que teria contado com a presença de integrantes do grupo criminoso. Gutemberg Fonseca e TH Joias também já atuaram juntos em campanhas eleitorais, compartilhando material de divulgação política.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Flávio Bolsonaro e TH Joias. Crédito: reprodução ICL Notícias




