Da Redação*
Operação autorizada pelo STF apura suspeitas de irregularidades em investimentos do Rioprevidência que somariam cerca de R$ 3 bilhões transferidos ao Banco Master.
A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (26), uma operação contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no âmbito de investigações relacionadas ao Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. As investigações envolvem aplicações financeiras realizadas pelo Rioprevidência em produtos ligados ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
O advogado de Castro, Carlo Luchione, afirmou que acompanha as buscas, mas declarou ainda não ter tido acesso à íntegra da decisão judicial.
Aportes chegaram a R$ 3 bilhões
A operação desta terça-feira integra a oitava fase da Operação Compliance Zero, desdobramento da Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro deste ano.
Na fase anterior, a PF já havia identificado aportes considerados suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, no valor de R$ 970 milhões, realizados entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Agora, de acordo com os investigadores, foram detectadas novas aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões em fundos vinculados ao banco, elevando para cerca de R$ 3 bilhões o total transferido pelo fundo previdenciário estadual.
As apurações também apontam que institutos de previdência de estados e municípios realizaram investimentos bilionários em letras financeiras do Master sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre os órgãos citados estão a própria Rioprevidência, a Amprev e o Iprev de Maceió.
Aplicações são consideradas de alto risco
Diferentemente dos CDBs, as letras financeiras não possuem garantia do FGC. Isso significa que, em eventual processo de liquidação da instituição financeira, os valores investidos passam a integrar a lista de credores do banco, tornando incerta a recuperação dos recursos públicos aplicados.
Os dados analisados pela PF abrangem investimentos realizados entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
Ex-governador já havia sido alvo neste mês
Esta é a segunda operação da Polícia Federal envolvendo Cláudio Castro apenas em maio. No último dia 15, ele foi alvo da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de favorecimento ao grupo empresarial Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.
Segundo as investigações, integrantes do alto escalão do governo estadual teriam recebido mais de R$ 300 mil mensais para facilitar interesses do grupo empresarial. Um auditor fiscal é suspeito de ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas.
Na ocasião, a defesa do ex-governador afirmou ter sido surpreendida pela operação e declarou que Castro está “à disposição da Justiça” e convicto da legalidade de todos os atos de sua gestão.
Renúncia ocorreu em março
Cláudio Castro deixou o governo do Rio em março deste ano, em meio a pressões políticas e jurídicas relacionadas a um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investigava suspeitas de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Entre os pontos investigados estão medidas adotadas pelo governo estadual que teriam favorecido empresas ligadas ao grupo Refit. Uma das decisões questionadas foi a aprovação de uma lei que permitiu o parcelamento de R$ 9,5 bilhões em dívidas tributárias, com descontos de até 95% em juros e penalidades.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Cláudio Castro. Crédito: reprodução ICL Notícias




