O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da oposição à Presidência, marcou para esta quarta-feira (20) encontros com investidores da famosa Avenida Faria Lima. Os encontros já tinham sido marcados antes. Mas agora se tornaram cruciais para que ele perceba o tamanho do furo que o torpedo do caso Master provocou no casco do seu navio. Segundo o cientista político André Cesar, que em São Paulo acompanha de perto os movimentos do mercado financeiro, Flávio será recebido com nervosismo e apreensão. Por um lado, o mercado sente o golpe da notícia. Mas por outro, segundo André Cesar, não tem alternativa. “É o cara deles”, resume André. Ou seja, não há uma outra opção minimamente construída.
Incômodos em profusão

Na manhã desta terça-feira (18), o mercado apareceu com outra novidade. Flávio admitiu que fez uma visita à casa de Daniel Vorcaro quando ele já estava em prisão domiciliar. Segundo a versão do senador presidenciável, foi para lhe dizer que, diante da situação, todas as tratativas com o banqueiro estavam suspensas. Mas que outras surpresinhas ainda poderão aparecer? O que mais pode sair dos celulares de Vorcaro?
Eventos se atropelam
“Um evento atropela o evento anterior”, observa André Cesar. A profusão é também de personagens. “Certamente o Ciro Nogueira deve ter ficado aliviado quando apareceu a história do Flávio”, comenta o cientista político. De qualquer modo, André Cesar avalia, nas conversas com o mercado, que, mesmo com todo o desgaste, “Flávio avançou algumas casas com relação à quarta-feira passada”, referindo-se ao dia em que ficou conhecido o áudio no qual ele pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Sensação de mergulho no escuro
Na visão de alguns analistas do mundo financeiro, se nada mais surgir o caso talvez tenha como ser absorvido daqui até as eleições, que acontecem somente daqui a cinco meses. Flávio deu explicações. Afirma que foram relações com dinheiro privado. Para financiar o filme. O problema a incerteza se não vai surgir mais coisas. “É um mergulho no escuro”.
Michelle
Não seria somente o clã Bolsonaro quem teria resistência quanto a trocar Flávio por Michelle Bolsonaro. O mundo financeiro também teria a mesma resistência. Por uma razão: não há nenhum tipo de evidência quanto a como Michelle se comportaria. Ele não tem nenhuma experiência anterior.
Lula
Lula conseguiria a essa altura vir a se aproximar da Faria Lima? Em 2022, acabou conseguindo, com aqueles que ficaram à época conhecidos como “farialulers”? “Bem, o dinheiro não tem cheiro”, observa André Cesar. “Por outro lado, a situação era muito diferente em 2022. Agora, acho esse movimento improvável”.
Caiado
Como ex-secretário do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também tem contatos na Faria Lima. Poderia tentar apoios a seu candidato, Ronaldo Caiado. Mas, de novo, André Cesar não acredita na hipótese. E isso acontece pela baixa performance até agora.
Improvável
“Hoje, não parece provável a construção de uma alternativa”, considera o cientista político. Então, o mercado financeiro seguiria com Flávio Bolsonaro. Se não o dispensaria, por outro lado, também não irá neste momento aderir a ele com maior entusiasmo. Uma situação, enfim, de expectativa diante da falta de previsibilidade.
Pesquisa
Ao contrário de Flávio, que contestou a pesquisa Atlas/Bloomberg e disse que irá entrar na justiça contra ele, o mercado financeiro não ficou nada surpreso com o resultado. Na verdade, o dado bateu exatamente com o que já apontava o tracking (pesquisa diária com universo menor) da própria Atlas.
Sete pontos
O tracking da Atlas já apontava uma distância de sete pontos percentuais entre Lula e Flávio numa simulação de segundo turno. Foi exatamente o que a pesquisa confirmou. Lula ficou com 48,9% e Flávio com 41,8%. No momento, esse é o retrato. Resta ao mercado agora ver se Flávio se recupera.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Faria Lima recebe Flávio sem muita opção | Ken Chu/Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo





