Jair Bolsonaro: “Seria melhor perder do que desistir”; clã dobra aposta em Flávio | Por Tales Faria

Mesmo após o desgaste provocado pelo caso Daniel Vorcaro e pelas incertezas jurídicas e de saúde do ex-presidente, Jair Bolsonaro reafirma que não abrirá mão da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, numa estratégia que busca preservar a hegemonia política do clã sobre a ultradireita brasileira — ainda que isso amplie tensões com aliados, o Centrão e setores do mercado financeiro.
Última edição em maio 18, 2026, 03:47

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Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro - Foto montagem gerada por IA a partir de foto em que Flávio cochicha no ouvido de Jair.

O ex-presidente Jair Bolsonaro mandou o seguinte recado aos aliados: “Não há hipótese de Flávio [seu filho senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)] desistir da candidatura a presidente da República.”

Segundo o chefe do clã Bolsonaro, “seria melhor perder as eleições do que desistir”. Mas ele
também avisou que não acredita em derrota.

Bolsonaro avalia que “será superado antes das eleições” o episódio da gravação em que Flávio pediu dinheiro – e conseguiu pelo menos R$ 134 milhões – a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso, para supostamente produzir um lme biográco sobre o ex-presidente.

Foi o próprio Flávio quem transmitiu o recado de seu pai aos aliados. O senador acrescentou que se sente “mais convicto de concorrer” depois de ter recebido “esse incentivo”.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está também pedindo aos seus seguidores que não façam pressões contra Flávio, para não parecer que quer “tomar o lugar” do candidato.

O que isso tudo signica?

Signica que Jair Bolsonaro não pretende entregar o seu espólio eleitoral e político a ninguém que não sejam seus lhos. Isso inclui até mesmo sua mulher, Michelle, segundo relato de aliados.

Sem desistir da candidatura, a derrota de Flávio nas eleições de outubro seria ruim, mas a hegemonia do clã na ultradireita do país poderá se manter. Essa hegemonia é que o clã considera fundamental.

O movimento do mercaddo financeiro após o vazamento do pedido de Flávio a Vorcaro deixou os Bolsonaro mais convencidos ainda de que a direita e a elite fnanceira e empresarial, chamada “Faria Lima”, não aceita um governo de esquerda.

Os juros pagos pelo Tesouro para financiar a rolagem da dívida pública subiram rapidamente. Títulos com vencimento em 2032, por exemplo, que remuneravam IPCA + 7,63% ao ano na terça-feira, 12, fecharam em IPCA + 7,86% nesta sexta, 15.

O problema é que não há entre os aliados políticos de Bolsonaro a visão de que esta seja a melhor decisão para eles. Se Flávio for derrotado em outubro, muitas candidaturas e muitos cargos públicos no país serão perdidos. Junto, há o risco de que esses aliados não consigam se eleger mais adiante.

Então a estratégia do clã é vista como um risco à sobrevivência dos aliados.

Flávio e os demais membros da família ainda são novos e poderão disputar outras eleições, inclusive a residencial de 2030.

Quanto ao próprio Jair Bolsonaro disputar em 2030, as esperanças são cada vez menores. Não bastassem os problemas jurídicos que resultaram de sua condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado, há ainda problemas políticos de falta de apoio do centrão a uma anistia total para o ex-presidente.

Além disso, há a questão da saúde precária.

Segundo o relatório semanal de saúde enviado por seus médicos, nessa sexta-feira, 14, ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro segue em acompanhamento domiciliar após a cirurgia realizada no ombro direito no início do mês.

O ex-presidente apresenta um quadro persistente e inalterado de instabilidade do equilíbrio corporal. Não se sabe ainda se as dores que sentia no ombro estarão definitivamente afastadas.

Publicado originalmente no Correio da Manhã Edição do Distrito Federal


Ilustração: Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro – Foto montada por IA a partir de uma foto em que Flávio cochicha no ouvido de Jair.

Sobre o autor

Tales Faria
Tales Faria
Tales Faria é um jornalista que atua na cobertura política e é conhecido por suas análises e reportagens sobre questões de relevância. Ele é um dos colunistas que deixou a redação do UOL, onde ocupou funções como diretor, editor e colunista. Faria é um dos mais reconhecidos profissionais do jornalismo brasileiro, com uma carreira que inclui cobertura de eventos significativos e contribuições para a mídia pública.

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