Uma felpuda raposa política disse ao Correio Político não enxergar muita chance de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistir da sua candidatura à Presidência da República, mesmo depois de ter sido atingido pela bomba atômica da conversa em que pede ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, R$ 134 milhões para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para essa raposa, ainda que sangre muito – e ele acha que isso acontecerá -, Flávio permanecerá candidato pela característica dos Bolsonaros. O clã não confia em mais ninguém. Acha que o restante do mundo conservador a toda hora tenta tirar Bolsonaro do controle do processo. E isso o clã não aceita.
Desconfiança inclui até Michelle
A desconfiança envolveria qualquer um que não tem o sangue Bolsonaro correndo nas veias. Até a própria esposa de Jair, Michelle. A resistência vem especialmente dos filhos, mas também do próprio Bolsonaro, que vetou as tentativas de fazer sua candidatura avançar, ungindo a candidatura de Flávio para vetar alternativas. Ela era desde o início o nome preferido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Mulher, evangélica, menor rejeição

As pesquisas internas do PL sempre apontaram Michelle como o melhor nome. Dona, o comando do partido avalia, de um perfil perto do ideal. Mulher, evangélica, fala bem, com índices de rejeição bem menores que os do próprio Jair Bolsonaro e dos seus filhos já envolvidos com a política. O problema de Michelle seria a falta de qualquer experiência política ou administrativa anterior. Chegou-se a cogitar, por isso, esta semana uma chapa encabeçada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) com Michelle de vice.
No fundo, Valdemar preferia Eduardo
Apesar da cogitação, a hipótese é considerada sem chance. Se o mundo masculino da política já olha com desconfiança para uma mulher, que dirá duas. Trocar o 01 pelo 03? Flávio por Eduardo? No fundo, o que se diz é que Valdemar Costa Neto até preferiria isso. Mas Eduardo, desde o tarifaço, tornou-se inviável. Queimou-se completamente como opção.
Confiável
Valdemar considera, segundo relatos, Eduardo Bolsonaro mais confiável que Flávio. Diz que o ex-deputado, hoje no seu exílio voluntário nos Estados Unidos, é alguém que cumpre acordos. E que seria alguém com maior disposição para o trabalho político que o senador. Mas também enrolou-se com o Master.
Master
O problema é que o rolo do dinheiro do Master para Dark Horse, o filme sobre Bolsonaro, agora não envolve apenas Flávio Bolsonaro. Surgiram informações que mostram Eduardo como uma espécie de produtor-executivo. E a Goup Enterteinment, realizadora do longa, diz que nenhum centavo foi parar lá.
Oculto
A cada explicação que vai sendo dada pelos filhos de Bolsonaro, os aliados ficam mais aflitos. A argumentação de Flávio é que nada tinha dito a respeito porque Vorcaro seria um financiador oculto. Teria feito um contrato de confidencialidade para ajudar na produção de um filme polêmico e evitar perseguições.
Nos EUA
Essa seria, argumenta Flávio, uma situação comum hoje nos Estados Unidos porque por lá também existe uma forte polarização política. Investidores ajudariam produções que tratam de temas políticos de maneira reservada para evitarem cancelamentos dos adversários do outro lado. A explicação, no entanto, guarda um grande problema.
Lado
Se Vorcaro estava financiando de forma velada o filme de Bolsonaro, isso significaria, então, que esse era o lado que ele escolhera. O argumento enfraquece todo o ataque que a oposição faz ao governo Lula e ao PT tentando colar Vorcaro e o Master nele. Era o filme de Bolsonaro que Vorcaro patrocinava.
Até onde der
Enfim, a avaliação, então, é que o candidato é Flávio Bolsonaro até onde der. Porque o clã Bolsonaro não aceitaria alguém com outro sangue correndo nas veias. E entre aqueles que têm o sangue Bolsonaro não haveria mais alguém incólume. O problema é a vida correr à revelia dos planos do clã.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Flávio fica. Porque o clã não enxerga alternativa | Lula Marques/Agência Brasil





