Compra de imóvel no Texas amplia conexões entre aliados de Eduardo Bolsonaro e fundo ligado a Daniel Vorcaro

Última edição em maio 18, 2026, 08:57
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Paulo Calixto - Eduardo Bolsonaro - André Porciúncula

Da Redação*

Documentos registrados no estado do Texas apontam que uma residência de alto valor em Arlington, cidade onde vive Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, foi adquirida por uma estrutura empresarial ligada ao ex-secretário de Fomento à Cultura André Porciúncula e a empresas associadas ao advogado Paulo Calixto. O caso se conecta às investigações sobre recursos transferidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.


A compra de uma casa avaliada em US$ 726,3 mil — cerca de R$ 3,6 milhões — em Arlington, no Texas, passou a integrar o conjunto de investigações e reportagens que analisam a rede empresarial e financeira formada em torno de aliados de Eduardo Bolsonaro (PL/SP) nos Estados Unidos.

O imóvel foi adquirido em 27 de fevereiro deste ano pela Mercury Legacy Trust, estrutura jurídica usada para administração patrimonial. O documento da operação foi assinado por André Porciúncula, ex-integrante do governo Jair Bolsonaro e antigo sócio de Eduardo Bolsonaro em uma empresa registrada na mesma cidade norte-americana.

Fundo e trust aparecem ligados ao mesmo endereço

A Mercury Legacy Trust está vinculada à Calixsan Capital Management, empresa controlada pelo advogado Paulo Calixto e pelo corretor Altieris Santana. Calixto atua em questões migratórias relacionadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O mesmo endereço utilizado pela trust em Dallas aparece ligado ao Havengate Development Fund LP, fundo citado em reportagens do The Intercept Brasil por ter recebido recursos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A Polícia Federal investiga se parte desses valores teria sido utilizada para financiar atividades ligadas a Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Segundo o The Intercept Brasil, mensagens analisadas nas apurações indicariam um acordo de até US$ 24 milhões para financiar o filme Dark Horse. Pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

Produção de filme está no centro das apurações

As investigações também analisam o papel de Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mário Frias na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Reportagens indicam que ambos atuaram como produtores-executivos do projeto, com participação em decisões relacionadas à captação e gestão dos recursos financeiros da obra.

Trechos de contratos publicados pela imprensa apontam ainda que o projeto começou a ser estruturado no mesmo período em que Eduardo Bolsonaro e aliados abriram empresas nos Estados Unidos.

Empresas abertas nos EUA reforçam suspeitas

Em março de 2023, Eduardo Bolsonaro fundou a Braz Global Holding ao lado de André Porciúncula e do empresário Paulo Generoso, apoiador dos atos golpistas de 8 de janeiro. A empresa foi registrada em Arlington, no endereço residencial de Generoso. Outras companhias ligadas ao mesmo grupo também foram abertas no local, incluindo a Liber Group Brasil e o Instituto Liberdade.

Embora Eduardo não aparecesse oficialmente em todas as estruturas societárias, aliados políticos e ex-integrantes do governo Bolsonaro participaram dos negócios. A Braz Global Holding teve atuação breve e foi encerrada cerca de um ano depois. Entre as organizações abertas naquele período, apenas o Instituto Conservador Liberal permanece ativo, atualmente administrado por Paulo Calixto.

Eduardo Bolsonaro nega irregularidades

Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos relacionados às operações investigadas e classificou como “tosca” a suspeita da Polícia Federal. Segundo ele, sua situação migratória impediria esse tipo de recebimento financeiro.

O senador Flávio Bolsonaro também negou que o irmão tenha sido beneficiado pelos valores investigados. Até o momento, André Porciúncula, Paulo Calixto e Altieris Santana não apresentaram manifestação pública detalhada sobre a compra do imóvel e as conexões empresariais apontadas nos documentos analisados.


* Redator: Solon Saldanha

Capa: Paulo Calixto, Eduardo Bolsonaro e André Porciúncula em fotomontagem

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