A depravação genética na política | Por Sergio Araujo

Acusações, disputas de poder e investigações judiciais ampliam o desgaste do clã Bolsonaro, cuja trajetória política passa a ser marcada por radicalização, escândalos e crise de credibilidade pública.
Última edição em maio 14, 2026, 11:55
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A história vai marcar a passagem dos Bolsonaro como um dos capítulos mais degradantes da política brasileira. Não apenas pela deficiência intelectual, ética e moral do clã, mas principalmente pelo viés delituoso que marcou e continua marcando a trajetória de todos os integrantes da família.

Nunca a máxima do follow the money (siga o dinheiro) serviu tanto para desvendar os mistérios de uma saga familiar marcada pela apropriação indevida do dinheiro alheio, seja ele fruto de rachadinhas, propinas, transações financeiras obscuras e até, sabe-se agora, para custear um filme do patriarca e chefe da quadrilha, ora em prisão domiciliar.

A indicação do filho mais velho para a disputa da eleição presidencial partiu da lógica de que ninguém defenderia mais os interesses da famiglia do que um herdeiro forjado nos moldes facciosos da grei.

Uma imagem ridícula, observada no dia da posse do patriarca, serve para registrar o conluio familiar que se instalou no Palácio do Planalto. No banco traseiro do Rolls-Royce Silver Wraith de 1952, no percurso que conduziu Bolsonaro e Michele até o local da cerimônia, estava Carlos, o filho considerado pelo pai como o seu pitbull, tamanha a ferocidade com que ele lhe protege.

Tanta lealdade fez com que fosse dada ao filho 02 a missão de coordenar o gabinete do ódio, uma espécie de Abin ( Agência Brasileira de Inteligência) paralela, instalada na antessala presidencial. Hoje ex-vereador no RJ, o espião de araque sonha tornar-se senador por Santa Catarina, estado de maioria bolsonarista onde é conhecido apenas por ser filho do falso mito.

Contagiado pela genética da ambição, outro filho, Eduardo Bolsonaro, chegou a ter o desplante de almejar ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América. Não conseguiu, tamanha sua desqualificação para o cargo.

Envolvido na intentona bolsonarista do oito de janeiro, fugiu para os EUA de onde, tal qual um Dom Quixote fascista, ataca seus inimigos como se fossem moinhos imaginários.

Com pedido de condenação por coação a ministros do STF, prestes a ser demitido do cargo de escrivão da PF e com a perda do mandato de deputado federal por excesso de faltas, restou-lhe apenas a experiência mal sucedida de influenciador nas redes sociais.

O filho mais novo, Jair Renan, surfando na onda do bolsonarismo, deu uma de paraquedista e aterrissou em Santa Catarina, elegendo-se vereador em Balneário Camboriú, onde a cada pronunciamento feito na tribuna viraliza como chacota nacional.

Sobrou então Michelle, a esposa dedicada que se vitimiza dizendo “dar banho, secar as pernas, passar creme e ajudar a vestir o pijama em Jair Bolsonaro”, em sua prisão domiciliar. Controlada em suas ambições políticas pelos enteados, foi brindada por Flávio Bolsonaro com a oportunidade de tentar uma vaga de senadora representando o Distrito Federal. Para satisfação e regozijo de Valdemar Costa Neto.

E é essa gente que se diz ungida por Deus, defensora da moral, dos bons costumes e da família, mas que na realidade age como mentirosos, insensíveis comunitariamente, negacionistas e usurpadores de dinheiro público, que se apresenta como salvadores da Pátria.

Mas contra os fatos não há argumentos que prosperem. Não existe proteção divina, nem mentira que triunfe, quando a verdade aprisiona. E a clausura será o destino dos Bolsonaro.

Lula e as forças progressistas vão mostrar, nas urnas, que a política pode sim ser indutora de desenvolvimento com qualidade de vida e justiça social e, principalmente, ser exercida com responsabilidade e honestidade. Um Brasil para todos, especialmente para os mais necessitados, e não apenas para os poderosos e políticos mal-intencionados.


*Sergio Araujo é jornalista.

Foto de capa:  Miguel Schincariol/AFP/06-04-2025

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